
Em um dia agitado e cheia de reuniões, representantes da APUFPR estiveram novamente em Brasília nesta ontem (21), pressionando deputados a não aprovarem a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) do Governo Federal. A necessidade de reversão dos cortes anunciados na ciência também foi tema das conversas com os parlamentares.
A gestão Bolsonaro tenta aprovar a Reforma Administrativa em meio às denúncias que comprovaram a existência de milionárias contas “offshore” em paraísos fiscais no nome do ministro da Economia, Paulo Guedes, que teria lucrado cerca de R$ 14 milhões desde que entrou no governo, por causa da subida do dólar.
Também cercado pelas denúncias do relatório final da CPI da Covid-19 no Senado, o Governo Federal se comprometeu a destinar R$ 20 milhões em emendas parlamentares para cada deputado que votar a favor da destruição do serviço público brasileiro, em uma compra de votos que envolveria, pelo menos, R$ 6 bilhões.
Já em relação ao orçamento da ciência, há uma grande reação por parte das comunidades acadêmica e científica contra o corte de cerca de R$ 600 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), equivalente a 92% dos recursos da pasta. A verba era prevista para financiar a pesquisa no país, cada vez mais sufocada pela gestão negacionista de Bolsonaro e seus apoiadores extremistas.
APUFPR na pressão
A delegação da APUFPR foi composta pelo presidente, Paulinho Vieira; pela vice-presidente, Andréa Stinghen; e pelo docente Marcelo M. S. Lima, do Departamento de Fisiologia da UFPR.
Em relação à Reforma Administrativa, o sentimento predominante no Congresso é de que, mesmo com o oferecimento de emendas parlamentares, o Governo Federal ainda não tem os 308 votos necessários para sua aprovação na Câmara. Por isso o desespero em abrir os cofres para comprar votos.
Os representantes da APUFPR conversaram com vários deputados e também se articularam com outras instituições e frentes atuantes no Congresso, nesse momento em que os cofres públicos estão sendo abertos para todo tipo de negociatas.
Em resposta aos cortes na ciência e na pesquisa, a APUFPR reuniu-se, separadamente, com vários deputados, que relataram a existência de uma forte pressão para que a medida seja revertida.
O ministro Paulo Guedes foi convocado à Câmara para prestar explicações. O deputado paranaense Aliel Machado (PSB) relatou que seu gabinete entrou com medidas judiciais no STF exigindo a recomposição dos recursos.
Assim como todos os que defendem os investimentos em Educação e Ciência, e nos serviços públicos em geral, a APUFPR continuará atuante para barrar a Reforma Administrativa de Bolsonaro e os sucessivos – e absurdos – cortes nas verbas da pesquisa, da ciência e da educação.
Fonte:APUFPR