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9 de agosto de 2021

Sufocada pelo negacionismo oportunista, ciência tem o menor orçamento deste século

As recentes denúncias de esquemas de corrupção no Ministério da Saúde trouxeram, de certa forma, uma revelação: o negacionismo do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 é do tipo mezzo-mezzo: metade é ideológico e metade era uma forma de atrasar a pandemia enquanto gestavam esquemas para compras superfaturadas de vacinas contra a Covid-19 e outros produtos.

Da mesma forma, a obsessão de Jair Bolsonaro e seus apoiadores contra a ciência só existe porque o saber científico, o conhecimento e o pensamento crítico demolem as estruturas de um governo que só consegue sobreviver na base de um esquema gigantesco de distribuição de fake news e discursos de ódio para abastecer sua guerra cultural contra fantasmas e inimigos inexistentes.

 

A metade ideológica é mezzo oportunista ou inteira?

O negacionismo das lideranças extremistas é, via de regra, apenas uma arma política, porque nem a metade “ideológica” do negacionismo é tão autêntica assim, já que suas teorias e afirmações são tão absurdas ou patéticas que grande parte dos membros do governo e dos políticos de seu entorno certamente não acreditam nas mentiras que eles mesmos inventam.

Na imensa maioria dos casos, são apenas oportunistas, porque lucram politicamente (espalhando mentiras e discursos de ódio para ganhar votos e seguidores, e depois tentar manter sua base de apoio constantemente paranoica e radicalizada) ou financeiramente (afinal, é difícil acreditar que eles sirvam de graça como garotos-propaganda ou façam merchandising de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, por exemplo, sem ganhar nada em troca).

Ou, mais provavelmente, ambos.

Mas isso não teve efeito somente na forma propositadamente desastrosa com a qual o governo Bolsonaro lida com a pandemia do novo Coronavírus (cujas decisões foram responsáveis pela imensa maioria das mais de 560 mil mortes por Covid-19 no Brasil). As pesquisas científicas atingiram seu menor patamar de investimento no país desde o início do século 21.

O órgão responsável por coordenar e apoiar as pesquisas no Brasil é o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), subordinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MTI, comandado por um ex-astrounauta e ex-garoto-propaganda de uma marca de travesseiros). As verbas do órgão têm caído desde que Michel Temer assumiu o poder, em 2016, e os cortes após a eleição de Bolsonaro são ainda mais bruscos.

 

Um terço do que era investido em 2013

O Governo Federal estabeleceu um valor de R$ 1,21 bilhão para o CNPq, no orçamento de 2021. O montante é praticamente a metade do que era gasto com o órgão em 2000. Em comparação, o maior orçamento destinado à pesquisa nesse período foi feito em 2013, R$ 3,14 bilhões.

O número de pesquisadores apoiados pelo CNPq também teve uma queda alarmante. Em relação a 2011, as bolsas de mestrado tiveram uma redução de 32% (de 17.328 para 11.824) em 2020, e as de doutorado caíram 20% (de 13.386 para 10.738).

O valor das bolsas de mestrado e doutorado não sofre reajuste desde 2013: de acordo com cálculos da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), as bolsas tiveram uma desvalorização real de 170% e 306%, respectivamente.

Nesse cenário, não é de se surpreender que as plataformas digitais do CNPq tenham sofrido um “apagão” no final de julho, e que a situação ainda esteja sem solução. No mesmo dia que dados sobre pesquisas, bolsas e currículos saíam do ar, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações recebia uma deputada neonazista em seu gabinete, demonstrando as prioridades do governo Bolsonaro.

 

Ciência como alvo

Os cortes de verba não se restringem ao CNPq, atingindo o MTI como um todo. Se em 2015, ainda com Dilma Rousseff como presidente, o orçamento do ministério era de R$ 6,5 bilhões, em 2021 caiu para R$ 2,7 bilhões, menos da metade.

Já o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que recebia R$ 3 bilhões em 2015, atualmente tem orçamento de 510 milhões. O que já seria absurdo torna-se ainda mais cruel se levamos em consideração que vivemos uma pandemia: o FNDCT é responsável por financiar pesquisas de novas vacinas, por exemplo.

Isso sem falar no descaso com o patrimônio cultural do Brasil, como ficou evidenciado nos incêndios do Museu Nacional e da Cinemateca Brasileira, e com a educação e a arte em geral.

Seja por motivos falsamente ideológicos ou pelo oportunismo para montar esquemas de corrupção, o negacionismo do governo de Jair Bolsonaro trará graves consequências para o futuro do país.

 

Fonte: APUFPR

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6 de agosto de 2021

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Diante da maior crise de saúde pública global da história, seria normal supor que todas as atenções e ferramentas de um governo estivessem voltadas para solucionar o problema e ajudar sua população.

No caso da pandemia do novo Coronavírus, a solução efetiva é a vacinação. Mas nunca foi esse o entendimento do Ministério da Saúde e dos membros do governo de Jair Bolsonaro, mesmo diante do acúmulo de contaminações e mortes por Covid-19 que levaram o Brasil ao segundo pior quadro do planeta.

Um levantamento da agência Fique sabendo, por meio de dados fornecidos pela Lei de Acesso à Informação, demonstra que, em um ano e meio de pandemia, o Ministério da Saúde promoveu apenas uma publicação paga sobre vacinação nas redes sociais. Isso mesmo, só uma postagem foi considerada importante o suficiente para que a pasta investisse recursos para alcançar mais pessoas.

Por outro lado, o governo gastou milhares de reais para comprar uma imagem, em um banco de dados (espera-se que tenha agido na legalidade), de um caçador armado para produzir uma postagem em “homenagem” ao Dia do Agricultor (peça que, vergonhosamente, ficou conhecida como Dia do Jagunço, e que depois foi apagada).

 

Dia do Jagunço - Dia do Agricultor - Bolsonaro
Imagem produzida pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal

 

Tratamento ineficaz teve mais postagens  

O Ministério da Saúde fez mais de 4.800 publicações no período da pandemia, iniciado em março de 2020 aqui no Brasil. Destas, 85 foram promovidas, ou seja, receberam investimentos. Algumas até falavam de vacinas, mas não daquelas para o combate à Covid-19, e a maioria tratava de doenças como gripe, sarampo e febre amarela.

Nesse período, também houve duas postagens pagas sobre tratamentos ineficazes (os tais medicamentos propagandeados como um tipo de “elixir” milagroso). Para Bolsonaro e sua turma, essas questões eram mais urgentes do que as médias diárias que, em alguns momentos, superavam três mil mortes.

Uma análise dos termos utilizados em todas as postagens feitas durante a pandemia também demonstra que, inacreditavelmente, os termos “Coronavírus”, “Covid” ou “pandemia” não estão entre os mais utilizados. Um país que rapidamente chegou à segunda posição em quantidade de mortes não deveria tratar o tema como prioridade nos canais de comunicação do Ministério da Saúde?

Não foi isso que os governos de outros países fizeram?

O que o Brasil descobriu nos dois últimos meses é que a prioridade do governo de Jair Bolsonaro era outra: esquemas para compras superfaturadas de vacinas e outros itens.

 

Sem estratégia ou com estratégia de morte?

Como tem provado a CPI da Covid-19 no Senado e outras investigações, a posição do Governo Federal contra vacinas não era apenas uma postura ideológica com base no negacionismo charlatão (certamente, a maioria dos membros do governo não acreditam nas próprias mentiras), mas uma oportunidade de corrupção nas negociações dos imunizantes e de outros itens, como máscaras, que estão sendo investigadas.

O negacionismo, que tanto levantou dúvidas durante a pandemia, revelou-se apenas uma estratégia para prolongar a crise sanitária e manter uma base de apoio extremista constantemente radicalizada, alimentada por fake news, teorias conspiratórias e muitas paranoias.

Mas essa estratégia não poupou nem seguidores mais fanáticos, já que muitos morreram por acreditar nas mentiras do governo e de seus seguidores. Estudos indicam que, dependendo da proporção de votos que Bolsonaro teve para presidente, morar em algumas cidades representava riscos até 500% maiores de morte na pandemia, já que havia maior propensão da população local a seguir as ideias negacionistas e, com isso, adotar comportamentos que ajudaram a disseminar o vírus com mais rapidez.

 

Poderia ser diferente

É inegável a importância de boas estratégias de comunicação em políticas de saúde, como as campanhas de imunização sempre tiveram após a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), com a Constituição de 1988. O Brasil, inclusive, tem larga experiência com iniciativas no caso de outras doenças, como sarampo, gripe e dengue, e já chegou a ser, em 2012, um dos países com maior parte da população vacinada, atingindo uma média de até 95% em algumas vacinas infantis.

Há muito tempo não se questionava a necessidade da vacinação em massa. Por isso, conseguimos erradicar a maioria das doenças infectocontagiosas.

Já na atual gestão a situação é tão absurda que levou a Justiça Federal do Rio Grande do Sul a proferir uma sentença obrigando o governo Bolsonaro a elaborar um plano de comunicação para combate à Covid-19.

Diferentemente das mentiras do presidente, que tenta jogar para o STF a culpa da inação de seu próprio governo, nesse caso vemos o contrário: o poder Judiciário tendo que “avisar” o governo de suas obrigações mais óbvias.

Se Bolsonaro e sua equipe tivessem se esforçado para cumprir essas obrigações, certamente o Brasil não estaria próximo de chegar às 600 mil mortes por Covid-19.

 

Fonte: APUFPR

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5 de agosto de 2021

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Como acontece toda vez em que se sente acuado, o presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a fazer ameaças à Democracia e às eleições de 2022. Desta vez, aproveitando-se da audiência de uma emissora de rádio voltada a ouvintes extremistas, ele deu um passo adiante. Não chegou a afirmar que daria um ‘golpe’, mas só faltou usar essa palavra. As intimidações foram claras.

Acuado diante das crescentes provas de corrupção em seu governo, pelo derretimento de sua popularidade, por ter sido incluído no inquérito que investiga a organização criminosa responsável por disseminar fake news contra as instituições democráticas (em especial, contra o Supremo Tribunal Federal) e no inquérito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela disseminação constante de fake news sobre a segurança das eleições e das urnas, Bolsonaro proferiu novas mentiras e aumentou o tom de seus ataques: “o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição”.

Não é pouca coisa quando um presidente diz, em público, que irá agir fora dos limites da Constituição só porque discorda de uma decisão de uma corte superior.

Para o bem do Brasil, as intenções golpistas do presidente devem ser energicamente combatidas por todos os setores da sociedade que possuem compromisso com a Democracia. É o caso da APUFPR.

O artigo 4º do nosso Regimento Geral estabelece que uma de nossas finalidades é ‘amparar e defender as aspirações coletivas que levem à busca e concretização dos ideais democráticos’.

Por isso, a APUFPR se soma às inúmeras vozes vindas dos mais diversos setores da sociedade brasileira para garantir que os pilares da nossa jovem democracia não sejam demolidos por uma figura obscura da política brasileira, cuja única contribuição à sociedade é servir de exemplo daquilo que um ser humano não deve ser.

As declarações e ameaças, proferidas por um chefe de Estado que utiliza os recursos e as estruturas de seu governo para abalar as instituições democráticas, podem ter consequências concretas muito sérias. Frear o golpismo de Bolsonaro não é uma questão ideológica ou partidária, e sim um imperativo na defesa do Estado Democrático de Direito, do exercício da cidadania e do futuro do Brasil.

 

Escalada golpista

Jair Bolsonaro está cercado, acuado. O aumento de seus ataques às instituições e ao sistema eleitoral é reflexo do desespero de alguém que precisa do foro privilegiado e das relações de poder do cargo que ocupa. Sua reação é típica de quem tem medo. Ou medos.

Há motivos de sobra para sua prisão por crimes cometidos antes de sua posse (principalmente pelos esquemas de rachadinhas de salários em seu gabinete e nos de seus filhos – igualmente sob investigação) e durante sua gestão presidencial, seja por causa da condução propositadamente catastrófica da pandemia de Covid-19, que custou a vida de mais de 560 mil brasileiros, ou mesmo porque dentro de seu governo são operados esquemas de corrupção, especialmente envolvendo a compra superfaturada de vacinas. Além das já citadas investigações que correm no STF e no TSE.

Com o derretimento de sua popularidade, veio também a incerteza quanto à vitória nas eleições de 2022. Há meses, pesquisas apontam que ele seria derrotado em diversos cenários. Como um garoto mimado, Bolsonaro iniciou uma campanha para destruir a confiança pública no sistema eleitoral.

Em sua lógica, ou ele tem, de antemão, a garantia de que será reeleito, ou fará de tudo para deslegitimar todo o processo eleitoral, tirando sua validade caso outro candidato seja vitorioso.

Para isso, espalha paranoias, teorias conspiratórias e mentiras sobre a segurança das urnas eletrônicas, sem conseguir apresentar um único indício que confirme suas afirmações.

Ele espera que seus delírios encontrem mentes delirantes – já forjadas em bolhas de informação capazes de criar uma percepção paralela da realidade – e façam de tudo para que ele continue no poder.

Se tudo der errado, ele espera que essas mesmas pessoas rompam com o tecido social e tentem ajudá-lo a tomar o poder à força. Para isso, precisa que as instituições de Estado estejam abaladas e enfraquecidas. Por isso, realiza tantos ataques aos órgãos que costumam tolher seus intentos antidemocráticos e inconstitucionais, como as cortes supremas (como o STF e o TSE) vêm fazendo.

Uma pesquisa recente do Datafolha mostrou que a maioria da população considera Jair Bolsonaro despreparado, desonesto, indeciso, incompetente, falso, pouco inteligente e autoritário. Ele é tudo isso. Mas é também perigoso.

Buscando animar sua base de seguidores, cada vez menor (aos poucos, vão sobrando apenas os mais radicalizados), o presidente passou a afagar até os mais extremistas. Por isso, encontrou-se com uma deputada alemã neonazista.

É uma estratégia idêntica à utilizada por Donald Trump em seus últimos birrentos dias como presidente dos Estados Unidos. Por isso, Bolsonaro aposta no armamento da população, editando normas para facilitar o acesso às armas e munições (em dois anos, ele dobrou a quantidade de armas nas mãos de civis), enquanto reduz os mecanismos de controle e rastreamento.

Ao ser derrotado, Trump questionou o sistema eleitoral de lá (onde o voto é impresso e as eleições demoram dias para chegar a um resultado final), enquanto Bolsonaro finge que faz o inverso por aqui (onde ele foi eleito deputado federal diversas vezes por votações em urnas eletrônicas), porque precisa de qualquer argumento para questionar a validade do resultado, caso seja derrotado.

A escalada golpista nos Estados Unidos levou à tentativa de invasão do Capitólio (equivalente ao nosso Congresso Nacional) em janeiro de 2021, quando 5 extremistas morreram. Posteriormente, quatro policiais envolvidos na resistência se suicidaram por causa dos danos psicológicos daquele dia.

Lá, as Forças Armadas tiveram papel importante para frear o golpe. Já aqui, Bolsonaro afaga militares com proteções, medalhas, enormes aumentos salariais, muitos cargos e benesses, tentando cooptá-los para que sejam seu braço repressor país afora.

 

Basta de ameaças

Os inquéritos do TSE e do STF são necessários e precisam ser levados às últimas consequências: a responsabilização penal do presidente e de todos aqueles que participam de suas articulações inconstitucionais e golpistas, para que não restem dúvidas de que as instituições agem para preservar a Democracia e defender a nossa Constituição.

Mas não são suficientes. Não basta esperarmos sentados pela Justiça, ou que o chamado Centrão deixe de vender sua proteção ao presidente. É urgente que todos os brasileiros comprometidos com a Democracia se unam e atuem em defesa das bases mais importantes do nosso país.

Não é hora de recuar nem diante das ameaças daqueles que, no passado, já ajudaram a sufocar a nossa Democracia.

 

Diretoria da APUFPR

5 de agosto de 2021

 

FONTE: APUFPR

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3 de agosto de 2021

 

👿 O presidente Jair Bolsonaro quer fazer com o país o que fez com membros de seu governo, como o inepto ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que foi humilhado e teve que voltar atrás e negar a compra de vacinas chinesas em outubro de 2020, depois de ter afirmado a governadores que estaria negociando os imunizantes.

“Uma manda e o outro obedece”, afirmou o general.

Esse caso expressa bem duas coisas que a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) quer fazer com o Brasil:

➡ Acabar com a estabilidade dos servidores e transformá-los em “pazuellos” (só que sem proteção), para dar um “calaboca” naqueles que contrariarem os governantes (mesmo que isso coloque em risco a vida da população)

➡ Proteger os apadrinhados políticos sem concurso (que dominarão os serviços públicos), como Pazuello que, depois de sua gestão catastrófica no Ministério (ganhou o cargo quando o Brasil tinha 233 mil casos e 15.633 pela Covid-19, saiu da função com 11,5 milhões de casos e 280 mil mortes), ainda foi premiado com outro cargo no governo (com salários de R$ 16 mil)

🚨 É preciso barrar a Reforma Administrativa agora. Ou, o serviço público não será mais determinado pelo “cumprimento do dever”, mas sim pelas vontades dos “soberanos”.

Valorize o serviço público. É para todos.

#ServiçoPúblico #ÉPublico #ÉpraTodos #ValorizeOServidor #ReformaAdministrativaNão

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3 de agosto de 2021

 

Desde que assumiu a presidência, Jair Bolsonaro já nomeou 19 reitores de universidades federais que não estavam entre os mais votados nas eleições feitas pelas instituições. Cinco desses “interventores”, como são conhecidos por assumirem o cargo mesmo não sendo escolhidos por suas comunidades acadêmicas, anunciaram seu rompimento com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Sob a justificativa de não serem “aceitos e acolhidos” na Andifes por serem defensores do Governo Federal, desligaram-se da associação os reitores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Não se sabe se outros interventores seguirão o mesmo. Quem sabe não planejam criar um clube só de dirigentes golpistas.

O que é a Andifes

Fundada em 1989, a Andifes tem como bandeira principal a defesa da educação pública e da democracia. Além dos cinco agora ex-integrantes, a entidade conta com outros 65 reitores de instituições federais de ensino superior.

Sua função é articular os reitores para implementar as demandas trazidas pelos integrantes de suas universidades. A Andifes permite que haja diálogo entre as pautas das universidades federais e outros grupos atuantes na educação, como os sindicatos de trabalhadores e de professores, as organizações estudantis, os órgãos do governo e a sociedade em geral.

Via de regra, não é uma entidade marcada fortemente pelo ativismo político e nem por posicionamentos mais contundentes em relação ao descaso dos governos. Portanto, a saída dos desertores serve apenas para a criação de um “fato político” para as bases extremistas do governo, afinal, é certo que a contribuição desses falsos dirigentes é mínima para o campo da educação.

O prejuízo não é necessariamente para essas figuras, já que não tiveram um mínimo de respeito com suas próprias comunidades e nem a preocupação em manchar o próprio currículo, sobrepondo a ganância pela posição (ou outras pretensões em relação ao governo Bolsonaro). Também não significa que sua ausência será efetivamente notada, já que sua contribuição ao conjunto das universidades federais beira a zero. Quem sai prejudicada é a instituição comandada por esses membros oportunistas, já que perdem a inserção em um espaço de interlocução com a comunidade universitária de todo o país.

 

Os partidários do “sem partido”

Assim como acontece nos debates dos projetos conhecidos como “Escola sem partido” ao redor do Brasil, que visam cercear a liberdade de ensino, a postura dos reitores-interventores se baseia em questões externas ao debate da educação, tendo apenas motivações políticas e ideológicas (e, novamente, oportunistas).

Acusando tudo de “partidário” ou “ideológico” (termos evocados quando são derrotados na argumentação racional), são os extremistas que politizam as discussões da educação, em vez de priorizar a melhoria e a expansão do ensino superior federal.

A autonomia universitária é uma das premissas da gestão das instituições de ensino, permitindo que elas produzam conhecimento voltado aos interesses do povo, e não ao governo de plantão. Bolsonaro vem tentando destruí-la ao nomear reitores-interventores ambiciosos.

A nossa UFPR correu esse mesmo risco durante o processo de escolha da gestão da reitoria no final de 2020, mas a resistência das entidades representativas e da comunidade acadêmica impediu que esse projeto fosse implementado por aqui.

O que talvez alguns desses interventores não perceba é que o projeto autoritário, truculento e anti-educação do governo atual está ruindo, envolvido em escândalos de corrupção (já notado pela ampla maioria da população), ineficácia e centenas de milhares de mortes evitáveis na pandemia de Covid-19. O presidente enfrenta derretimento de seu apoio popular e agora recorre às ameaças à Democracia, às fake news sobre urnas e ao encontro com políticos estrangeiros neonazistas para manter sua base radical.

Quando tudo isso passar e esses reitores-interventores perderem o cargo que receberam por suas posições extremistas, sem nenhum esforço ou mérito, a história deverá reservar a eles o ostracismo acadêmico (é o mínimo que merecem). Serão párias nas instituições de ensino. Mas o tenebroso e lastimável papel que estão cumprindo neste período triste da história do Brasil e das universidades federais nunca será apagado.

Fonte: APUFPR

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30 de julho de 2021

 

Em uma ação comprometida com os docentes da UFPR, a APUFPR entregará as carteirinhas do plano de saúde Unimed diretamente em suas casas, a partir de agosto.

Em uma ação comprometida com os docentes da UFPR, a APUFPR entregará as carteirinhas do plano de saúde Unimed diretamente em suas casas, a partir de agosto.

Por causa da pandemia da Covid-19, o sindicato vinha realizando plantões em sua sede para a entrega presencial dos documentos, respeitando os protocolos de segurança contra a disseminação do vírus. Porém, a retirada estava baixa.

Mesmo assim, o sindicato manterá os plantões para quem ainda desejar retirar as carteirinhas em sua sede.

A mudança foi pensada para facilitar e dar mais segurança aos filiados. A nossa diretoria compreende a importância e a necessidade de que todos tenham acesso ao documento, afinal, ele agiliza na hora do atendimento médico.

Por isso, a partir de agora, tanto as novas carteirinhas como as já confeccionadas serão entregues diretamente à cada docente, sem a necessidade de que ele se exponha na rua. O atendimento será realizado seguindo as orientações de distanciamento, segurança sanitária e uso de máscara.

Professores que residem em cidades do interior continuarão recebendo as suas carteirinhas pelos Correios.

Em caso de dúvidas, entre em contato a recepção pelo telefone (41) 99956-7818.

Os professores que necessitam atualizar os endereços podem encaminhar para [email protected]

ATENÇÃO: é muito importante que os seus dados cadastrais estejam atualizados para que a sua carteirinha seja entregue no endereço correto.

 

Fonte: APUFPR

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28 de julho de 2021

Insalubridade e periculosidade serão pagosOs adicionais de periculosidade, insalubridade e raio-x durante o trabalho remoto estão sendo, enfim, pagos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) aos docentes, após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) conceder tutela antecipada em uma ação civil pública impetrada pela APUFPR.

As gratificações serão implementadas integralmente na folha de pagamento de agosto. Mas a situação só foi possível a partir da movimentação da APUFPR.

Apesar da decisão ter sido proferida em 11 de junho de 2021, indicando que os valores deveriam ser pagos adiantadamente; e a Advocacia Geral da União (AGU) ter lido a intimação em 21 de junho, a UFPR ainda não havia cumprido a decisão. Os pagamentos seguiam em atraso.

Compreendendo a importância dessa decisão para os docentes, que enfrentam os desafios do ensino remoto em meio à pandemia da Covid-19, a APUFPR reforçou junto à Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe) da Universidade a necessidade da imediata implementação.

Assim, os docentes voltarão a receber adicionais de insalubridade, periculosidade e raio-x de forma integral durante o período de trabalho remoto, bem como o adicional de trabalho noturno, quando comprovada a necessidade de manutenção do serviço no período da noite.

O mérito do recurso ainda será analisado pelo Tribunal.

Fonte: APUFPR

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27 de julho de 2021
Ministro Marcos Pontes posa ao lado de politica neta de nazista
Foto: Ministério da Ciência e Tecnologia

“Se um nazista se senta à mesa com 10 pessoas e ninguém se levanta, então há 11 nazistas”. Apesar das dúvidas sobre a origem da frase (se é ou não um ditado alemão), a verdade é que a imensa maioria dos alemães concordaria com ela. Já os membros do governo de Jair Bolsonaro preferem ser o 11º a sentar-se na mesa.

Enquanto o principal banco de dados acadêmico do Brasil, a Plataforma Lattes, está offline (“fora do ar”) há dias, causando tensão entre pesquisadores e cientistas, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes (é verdade, essa pasta ainda é ocupada pelo ex-astrounauta e ex-vendedor de travesseiros), se reunia com uma deputada alemã neonazista.

A Plataforma Lattes é gerida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência federal de pesquisa subordinada ao ministério comandado por Pontes. Ela reúne dados e currículos de todos os pesquisadores do país: sem o Lattes, é difícil fazer pesquisa no Brasil. Cerca de 84 mil pesquisadores são financiados diretamente com recursos do CNPq.

Ministério e CNPq não explicaram os motivos da queda do sistema, nem garantiram que ela não resultará em atrasos nos pagamentos de bolsas e auxílios ou em outros problemas para as pesquisas atualmente em curso. O CNPq sequer informou se há um “backup” das informações que estão inacessíveis.

Os extremistas ainda acham ruim quando as pessoas falam que eles odeiam a ciência…

Não foi um encontro qualquer?

É tão lamentável (mas também simbólico) ver quais são as prioridades do governo Bolsonaro. Em 22 de julho, dia em que os problemas na plataforma Lattes começaram, Marcos Pontes recebia em seu gabinete a deputada alemã Beatrix von Storch para um cafezinho, com direito a foto orgulhosamente publicada nas redes sociais.

Não consta que von Storch seja especialista em ciência, tecnologia ou inovação, supostas atribuições do ministro. O que se sabe, no entanto, é que ela é vice-líder do partido AfD (Alternativa para a Alemanha, na sigla em alemão), uma organização antissemita que cultiva ideais anti-imigração, racistas e sexistas.

Além disso, Beatrix, que já foi investigada por incitar ódio contra muçulmanos, é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças de Adolf Hitler na Alemanha nazista. Krosigk não era uma figura marginal nesse que foi um dos regimes mais cruéis e abomináveis da história da humanidade: foi ministro entre 1932 e 1945, e, após a morte de Hitler, foi chanceler substituto do governo nazista antes que soviéticos, ingleses e estadunidenses acabassem de vez com o pesadelo. Foi condenado pelo Tribunal de Nuremberg por crimes de guerra. Se outro avô teve carreira mais “modesta” no regime: foi membro da SA, uma milícia paramilitar.

Krosigk era, portanto, do círculo íntimo de Hitler e homem de confiança (afinal, para ter as chaves do cofre é preciso ter muita proximidade). Deixou como herança para o mundo alguém para perpetuar seus ideais e, de quebra, fazer com que governos extremistas passem vergonha mundial, como é o caso do brasileiro.

Bolsonaro também recebeu deputada

Bolsonaro ao lado de deputada alemã de extrema direita Beatrix von Storch
Foto: Reprodução/Instagram

Além de Pontes, Beatrix von Storch também se reuniu com a deputada federal extremista Bia Kicis e com o presidente Bolsonaro, em atividade fora da agenda.

Isso quer dizer que o presidente, chamado de genocida pela condução propositadamente catastrófica da pandemia, recebe com pompas e alegorias alguém ligado diretamente à história do genocídio judeu. Simplesmente revelador.

O partido de Beatrix von Storch é o primeiro a ser colocado sob vigilância desde o fim do regime nazista, pelo serviço de inteligência alemão, por suspeitas de tentar minar a Constituição democrática da Alemanha. Seus membros só são recebidos por párias da política mundial, mas, pela primeira vez, são recebidos por um chefe de Estado.

Os extremistas brasileiros (como o certo colunista de um ex-jornal igualmente extremista aqui do Paraná) logo saíram em defesa do presidente para lembrar que ele visitou o Muro das Lamentações em Jerusalém ao lado do ex-premiê israelense Benjamin Netanyahu e, por isso, não teria inclinação neonazista. Mas aí convém lembrar que Bolsonaro tenta fazer as pessoas pensarem que ele segue diferentes vertentes religiosas e ainda veste a camisa de todos os clubes de futebol. Ou seja, em busca desesperada de apoio, ele “reza para todos os santos”, como diz o jargão popular.

É claro que sempre há dúvidas se as ações do governo são marcadas pela incompetência, descuido com as informações (o presidente costuma receber pessoas fora da agenda sem saber seu histórico?) ou, mais provavelmente, pela vontade expressa de passar um recado para setores ainda mais radicais de suas bases, diante do derretimento de sua popularidade.

O governo brasileiro vem implementando medidas para fazer com que armas possam ser adquiridas e circulem com mais facilidade (a quantidade duplicou em seu governo, e os casos de homicídios aumentaram quase 5% em 2020). Agora, faz um agrado aos setores neonazistas, potencialmente ainda mais perigosos, enquanto alimenta a paranoia infantilizada de que haverá fraude nas eleições de 2022. Essa combinação tem tudo para não acabar bem para o Brasil.

Bolsonaro tem gastado milhões de reais dos cofres públicos em suas férias em Santa Catarina, estado com a maior presença de células neonazistas no Brasil. Mera coincidência…

Já Marcos Pontes, que depois cinicamente apagou as fotos com a deputada neonazista alemã, mostrou mais uma vez não estar à altura do cargo que ocupa ao cumprir cegamente as determinações de seu chefe (apesar de quase invisível, Pontes é corresponsável pelo desmantelamento da ciência no país). Ou será que ele, cuja presença no Ministério ninguém lembra, também não sabia do passado da parlamentar? Difícil acreditar nisso.

O que talvez Bolsonaro não tenha medido é que esse tipo de encontro pode aproximá-lo mais ainda do Tribunal de Haia, que julga os crimes contra a humanidade. Um caminho que o deixaria próximo, novamente, do passado da deputada Beatrix von Storch.

Fonte: APUFPR

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26 de julho de 2021

🤝 Em memória dos mais de 550 mil mortos por Covid-19 no Brasil; e pela valorização da ciência, da educação e da vida, a APUFPR se uniu a milhares de pessoas nas ruas de Curitiba e de Matinhos, no último sábado (24), durante a mobilização nacional “Fora Bolsonaro” e “Vacina para todos”.

Protestos foram realizados em centenas de cidades no Brasil e no exterior.

👉 Organizado por diversos setores da sociedade, o ato pedia celeridade na campanha de vacinação (atrasada propositadamente pelo governo, que deu preferência a esquemas para superfaturamento na compra de imunizantes) e cobrou a responsabilização do presidente da República sobre a morte dos brasileiros, tanto pela postura negacionista adotada para prolongar a pandemia de Covid-19 como pelas denúncias de corrupção que envolvem sua gestão na administração da crise epidemiológica.

⚖️ O secretário-geral da APUFPR, Paulo Opuska, destacou a importância da mobilização popular para defender a Democracia no Brasil. “Mais uma vez, a APUFPR está participando dos atos Fora Bolsonaro, da defesa do Estado de Direito, da defesa da República e da defesa da Democracia, que está em risco, inclusive, com a possibilidade de um golpe militar”, ressaltou.

✊ Junto com a categoria docente, a APUFPR também protestou contra a Reforma Administrativa e os cortes que o atual governo vem aplicando à educação e à ciência.

 

Fonte: APUFPR

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23 de julho de 2021

Live Panorama das Universidades Federais no contexto das atuais politicas educaionaisConvidamos a comunidade acadêmica a participar da live “Panorama das universidades federais no contexto das atuais políticas educacionais”, que será promovida pela APUFPR na próxima segunda-feira (26).

A conversa será transmitida pelo Youtube e Facebook APUFPR SSind – YouTube, e contará com a presença da professora Maria Beatriz Luce, titular de Política e Administração da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e das professoras Yvelise de Freitas Arco-Verde e Maria Tereza Carneiro Soares, do Departamento de Planejamento e Administração Escolar (Deplae) da UFPR.

A live será mediada pelo professor Ângelo Ricardo de Souza, do Deplae da UFPR, e terá como foco a graduação, a partir do princípio do acesso à Educação Superior como um bem público social, um direito humano e universal, e um dever do Estado.

Maria Beatriz, que compõe a Comissão da Conferência Mundial de Educação Superior, trará o panorama nacional e internacional das universidades, avaliando os impactos da Covid-19 sobre as instituições, e o papel delas na construção de horizonte sustentável, alinhado com os preceitos da Agenda 2030.

Yvelise discutirá sobre Formação Continuada nas licenciaturas, demonstrando a pertinência de fomentar um espaço de diálogo entre a Educação Básica e a Educação Superior.

Já Maria Tereza, que é coordenadora de Políticas de Graduação da PROGRAD, apresentará o panorama dos cursos de graduação na UFPR e os impactos do sucateamento progressivo enfrentado pela universidade, desde 2016, em todas as áreas de conhecimento da instituição, prejudicando os estudantes. Ela também discutirá a questão curricular.

O objetivo da live é refletir sobre o papel das universidades perante os atuais desafios da humanidade e do planeta, a partir do entendimento que o acesso, o uso e a democratização do conhecimento são um bem social, coletivo e estratégico, e que é essencial que as instituições tenham a estrutura básica. Só assim, poderão garantir a construção de uma cidadania plena e a emancipação social dos indivíduos.

Participe de nossa live e divulgue:

LIVE – “Panorama das universidades federais no contexto das atuais políticas educacionais”
Quando: 26/7 (segunda-feira)
Horário: 19h
Onde assistir: No Youtube e no Facebook da APUFPR


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