Cerca de 4 mil pessoas protestam pelo fim da violência no Complexo da Maré no RJ

Mais de quatro mil pessoas, muitas delas moradoras do Complexo de Favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, participaram, na quarta-feira (24), da Marcha Contra a Violência na Maré, para pedir o fim da violência nas comunidades da região e reivindicar o direito à segurança.  O protesto, organizado pelo Fórum “Basta de Violência! Outra Maré é Possível…”, teve apoio de artistas do Rio e de diversas entidades de movimentos sociais e sindicais, entre elas o ANDES-SN e as seções sindicais do Rio de Janeiro. Uma pesquisa inédita da Organização Não Governamental (ONG) Redes da Maré mostra que 69,2% dos moradores da Maré apontam que não houve aumento de segurança com presença do Exército no complexo.

O ato começou às 13h na Praça do Parque União e outro grupo à Associação de Moradores do Conjunto Esperança e percorreu as ruas de 13 das 16 comunidades que compõem o complexo, passando por escolas e praças. Os manifestantes fizeram intervenções artísticas e poéticas durante o trajeto. Muitos carregavam flores, adesivos no peito e cartazes que pediam paz. Gritos de “Basta violência” e “A Maré resiste” ecoaram pelas vielas. O Complexo da Maré é uma das regiões mais afetadas pela violência no estado fluminense.

Segundo dados de monitoramento do Fórum, que reúne entidades e moradores que combatem a violação de direitos, nos três primeiros meses deste ano, foram realizadas 14 operações das forças de segurança na região, com sete dias de conflitos com grupos armados e que deixaram 13 mortos nas favelas do complexo, além de 11 dias com escolas fechadas e 17 sem atendimento nos postos de saúde. Das 44 escolas que funcionam na comunidade, 34 já fecharam por causa de tiroteios. Pelo menos 13 mil alunos não puderem se quer ir pra aula. Foram 28 dias sem aulas. Em 2016, foram 17 mortos e 16 feridos em 33 ações policiais.

De acordo com Shyrlei Rosendo, pesquisadora e articuladora comunitária da ONG Redes da Maré, a marcha tinha como objetivo dar visibilidade à luta por segurança pública na Maré e, ao mesmo tempo, mobilizar a comunidade a lutar por seus direitos. “A marcha tem como objetivo continuar discutindo como a gente garante direito à segurança pública dos moradores da Maré. Queremos mobilizar o conjunto dos moradores para a apropriação da pauta da segurança pública”, afirma.

“O outro objetivo era dar visibilidade ao fato de que os moradores da Maré não têm direito à segurança pública. Nos primeiros meses do ano, tivemos uma série de operações policiais, que vão culminar em mortes. Em 2016 foram 17 pessoas mortas. Só nos primeiros meses de 2017, já são 13. É importante dar visibilidade ao problema da violência na Maré, mas não colocando como um problema da Maré, e sim como um problema da cidade que se mostra de formas distintas nos diferentes territórios da cidade. O conjunto da cidade também se mobilizar e se incomodar com esses números”, completa Shyrlei.

Sobre o Fórum

O Fórum “Basta de Violência! Outra Maré é Possível…” foi criado a partir da articulação de instituições da sociedade civil, de órgãos públicos, privados e de moradores das 16 favelas da Maré. O objetivo da iniciativa é a mobilização da população da Maré e de outras partes da cidade para que, de forma permanente, pensem em formas criativas e colaborativas de enfrentar as muitas violações que sofrem no cotidiano.

Com informações da Agência Brasil e Blog da ONG Atados

Fonte: ANDES-SN


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