
A diretoria da APUFPR-SSind – Gestão Autonomia e Luta manifesta apoio à aprovação nesta quarta-feira, 01, pelo Conselho Universitário (COUN), da UFPR, da reserva de 3% das vagas nos cursos de graduação para travestis e pessoas trans. A decisão posiciona a UFPR como a 40ª instituição de ensino superior do país a adotar cotas para a população transexual.
De acordo com previsão da própria Reitoria da UFPR, a medida vai assegurar ao menos uma vaga para a população trans em todos os cursos e passará a valer já no próximo processo seletivo. Mesmo assim, é preciso avançar nas ações para a permanência desses/as novos/as estudantes, como assistência e acolhimento institucionais, respeito ao nome social, enfrentamento à transfobia e políticas de inclusão acadêmica.
A iniciativa insere a UFPR em um movimento que vem ganhando força nas universidades públicas brasileiras. Segundo o Observatório Cotas Trans, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), pelo menos 39 universidades federais e estaduais já adotavam políticas de cotas para pessoas trans na graduação até o final de 2025. A primeira foi a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) em 2017, seguida da Universidade Federal do ABC, em 2018.
A aprovação das cotas para pessoas trans e travestis também está em sintonia com a agenda de lutas construída coletivamente pelo ANDES-SN e suas Seções Sindicais. Nos últimos Congressos e CONADs, foram aprovadas resoluções que orientam a defesa e a implementação de políticas de ações afirmativas para pessoas trans.
No 68º CONAD, em julho de 2025, em Manaus (AM), foi aprovada a “Moção de Apoio às Ações Afirmativas para Pessoas Trans nas Instituições de Ensino”, posteriormente encaminhada a todas as instituições públicas do ensino superior. Assim, as Universidades não apenas ampliam as políticas de ações afirmativas, mas também fortalecem a autonomia universitária e o compromisso com a democratização do ensino superior.
A criação das cotas responde a um cenário de profunda exclusão educacional vivido pela população trans brasileira. Levantamentos recentes da ANTRA estimam que a presença de pessoas trans nas universidades públicas gira em torno de 0,3%, índice muito inferior à estimativa de aproximadamente 2% da população brasileira que se identificam como pessoas trans.
Esses números refletem barreiras que se manifestam muito antes do ingresso na universidade. A evasão escolar motivada por discriminação, violência, exclusão familiar e dificuldades de permanência faz com que uma parcela significativa dessa população sequer consiga concluir a educação básica. A reserva de vagas cumpre papel de reparação e de enfrentamento a essas desigualdades históricas.
A aprovação das cotas na UFPR amplia a conquista do ano passado, quando a instituição adotou cotas para pessoas trans nos cursos de pós-graduação, como mestrados e doutorados.
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(Foto: Grupo Dignidade)

Porque eles não podem estudar como todos os alunos? Qual a diferença? Isso mostra ainda mais preconceito, que eles mesmos lutam dizendo que iguais a todos!!! Injusto com alunos que se matam de estudar branco, preto, índio, trans … todos deveriam ter os mesmos direitos.
Ter sim cota social…. Isso é justiça!
Não existe Branco com pouca situação financeira?
Os Trans tem dinheiro para fazer cirurgia para transformar o sexo mas não tem para estudar?????
Então amiga, acho válido trazer a tona que a cota tanto racial quanto para pessoas trans parte de um lugar de tornar a universidade um local que possa ser frequentado por esses grupos.
Essas cotas não dizem respeito a capacidade e sim sobre integrar pessoas de grupos diversos na universidade para que a mesma deixe de ser majoritariamente branca e cis. Porque pessoas trans não deixam de frequentar a universidade por não terem capacidade (inclusive algumas das pessoas mais bem articuladas e inteligentes que conheço são pessoas trans), deixam de frequentar pelo preconceito, ataques e dificuldades sociais que enfrentam por serem pessoas trans.
A ideia de uma cota para essas pessoas vem de inserir elas nesses espaços para que outras pessoas trans possam entender que podem e devem participar do meio universitário.
E quanto a ultima questão, nem toda pessoa trans faz procedimento cirúrgico, a grande maioria na verdade vem de locais de dificuldade financeira e abandono (tendo que recorrer a prostituição por exemplo por não ter respaldo familiar por ser trans).
Espero ter ajudado!