
Neste 17 de abril, o Brasil lembra. Mas lembrar não basta, é preciso reconhecer que a ferida permanece aberta.
Essa data foi instituída em memória ao Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, quando 21 trabalhadores rurais sem-terra foram mortos pela polícia durante uma manifestação que reivindicava a desapropriação de terras improdutivas. A história mostra que esse episódio ocorrido em 1996, não foi apenas uma tragédia, foi a expressão mais brutal de uma estrutura agrária que o Brasil carrega desde a colonização e que o poder econômico e político insiste em preservar.
Três décadas depois, os números não deixam dúvidas: a concentração fundiária segue sendo uma das mais graves desigualdades estruturais do país. Apenas 1% das propriedades rurais ocupa 47,5% das terras destinadas para a produção agropecuária, sendo que mais de 40% desse total são consideradas improdutivas e não cumprem a sua função social.
Do outro lado dessa equação, estão famílias que dependem da terra para comer, trabalhar, existir e que encontram como resposta do estado, historicamente, o silêncio, o desmonte de políticas públicas ou, no pior dos casos, a violência armada. Os trabalhadores e trabalhadoras rurais foram abandonados no curso do desenvolvimento brasileiro. A CLT, de 1943, não os incluiu.
Os direitos do campo chegaram a conta-gotas, resultado direto da pressão dos movimentos sociais e só em 1988 houve equiparação formal com os trabalhadores urbanos. Mesmo assim, a realidade do campo ainda é marcada por vulnerabilidade social profunda e violações sistemáticas de direitos humanos.
A agricultura familiar é o berço das iniciativas agroecológicas, utilizando técnicas que interagem com o meio ambiente de forma sustentável, enquanto o agronegócio hegemônico dos latifúndios promove a mecanização pesada, o uso intenso de agrotóxicos e a destruição de ecossistemas, como o Cerrado e a floresta amazônica.
A APUFPR-SSind reafirma, neste dia, sua solidariedade às trabalhadoras e trabalhadores rurais e aos movimentos que seguem na luta. A reforma agrária não é pauta de um setor isolado da sociedade, é condição para um projeto de país que coloque a vida humana acima do lucro e da especulação fundiária. O 17 de abril precisa ser reafirmado como um dia de unidade entre as lutas de todos os povos, símbolo de resistência frente ao avanço do capital sobre os territórios e a natureza.
Quem defende a universidade pública, a educação e os direitos das trabalhadoras e trabalhadores não pode ficar em silêncio diante da questão agrária. As lutas se conectam.
Pela terra, pela vida, pela reforma agrária popular. ✊
