Restaurantes Universitários podem entrar em greve nesta segunda (09)

Trabalhadores/as dos restaurantes universitários (RUs) da UFPR podem entrar em greve a partir de segunda feira à tarde por irregularidade nos salários e insuficiência de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Faltam também alimentos para preparar as refeições. Esta situação afeta todos os RUs de Curitiba: o Central, na Reitoria, o do Politécnico, o das Agrárias e o do Botânico. Funcionários/as dizem que “Não vai ter outra opção a não ser fechar”.


Desde que a empresa Restaurante Gourmet assumiu o contrato de licitação com a UFPR, em janeiro de 2025, denúncias têm se acumulado de deterioração nas condições de trabalho e desrespeito aos direitos de funcionários/as. A gestão da Reitoria tem negligenciado a fiscalização do contrato, a despeito de carta denúncia enviada pelo DCE em 3 de maio.


“A gente é um restaurante que não tem alimento”, dizem os/as trabalhadores/as. Há alterações nos cardápios publicizados por carência de insumos para produzir as refeições. “Quando falta no almoço, a gente tira da janta. Falta na janta, a gente tira do almoço do dia seguinte. E assim por diante”. Sobre as condições nesse final de semana, afirmam: “Se não chegar material pra gente trabalhar, segunda feira a gente não vai ter nem leite para servir no café da manhã”. E concluem: “O dinheiro da faculdade está indo para algum lugar, só não aqui para o RU”.


Há mais de duas semanas não há fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). O pessoal terceirizado, em sua maioria mulheres, denuncia: “A gente não tem suporte para poder trabalhar”. No RU do Centro Politécnico, foi preciso usar saco de lixo como avental por falta de EPI. No RU Central, tiveram que manusear água quente sem luvas. As equipes, que eram compostas por 26 funcionários, foram reduzidas para apenas 15 pessoas. Há casos recorrentes de desvio de função e pelo menos dois acidentes de trabalho foram relatados devido à sobrecarga.


Os salários de trabalhadores do RU foram pagos de maneira incompleta (sem horas extras, sem vale transporte, vale alimentação ou adicional de insalubridade) no quinto dia útil do mês apenas para o pessoal do plantão de final de semana do RU Central. A empresa não tem recolhido o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de maneira apropriada, não tem feito o repasse previdenciário, nem garantido acesso aos holerites para verificação dos pagamentos. Graças à organização de trabalhadores/as, os/as demais funcionários/as da empresa foram pagos (de maneira incompleta) na noite de sábado, 7 de junho. Isso causa consternação entre todos: “A gente trabalha para receber no dia certo”.


Em reunião realizada no sábado, o gestor da empresa alegou desconhecimento da irregularidade nos pagamentos, assim como da falta de alimentos e de EPIs, o que os trabalhadores contestam por terem utilizado os canais internos de comunicação. Em ocasião anterior, o gestor alegou que não teria condições de pagar o vale transporte nem o vale alimentação por falta de repasse financeiro por parte da UFPR. No mês de junho, informou aos funcionários que não pagaria as horas extras realizadas em maio por falta de recursos. “Eles usam de artimanhas para tentar ludibriar os funcionários”, dizem os/as trabalhadores/as. Além disso, o gestor fez ameaças de demissão a quem se manifesta contra a falta de insumos e a degradação das condições de trabalho. A empresa tem até segunda feira de manhã para providenciar os EPIs faltantes, caso contrário, funcionários/as entrarão em greve.


O DCE está mobilizado no RU Central em apoio ao pessoal terceirizado. Há um abaixo assinado com seis pontos de reivindicação, incluindo o pedido de “Transparência e abertura das contas da empresa, publicizando o empenho de recursos e divulgação do quadro atual de funcionários, bem como dos pagamentos de salários e benefícios”. O documento está disponível para apoiadores/as na entrada do RU Central. Uma Assembleia Comunitária deverá ser agendada para segunda feira, 9 de junho, às 19h para debater a questão dos RUs.


O contrato anterior de licitação dos RUs, com a empresa Blumenauense, vigente até dezembro de 2024, era de R$ 90 milhões por ano. A nova licitação com a Restaurante Gourmet, realizada no fim de 2024, cujo contrato está válido desde janeiro de 2025, é de R$ 40 milhões. Como não há transparência por parte da empresa, não é possível saber se o recurso é insuficiente, ou se está sendo mal gerido. No contrato com a Restaurante Gourmet há uma cláusula de 300 mil reais/ano destinados ao fornecimento de marmitas. Este serviço não está sendo cumprido.


A administração da universidade precisa, com urgência, abrir um canal de diálogo direto com funcionários/as terceirizados para acolher denúncias de desrespeito aos direitos trabalhistas ou às cláusulas contratuais. Atrasos nos salários e outras irregularidades também são registrados entre funcionários/as de empresas terceirizadas que prestam serviços de transporte e limpeza na UFPR.


Uma reunião está agendada para dia 17 de junho, às 15h, no RU Central, entre trabalhadores terceirizados e a gestão da Restaurante Gourmet, com a presença do DCE e de representantes da UFPR, para verificar a regularização das denúncias. A Reitoria precisa acompanhar as negociações e exigir comprovação de que todo o pessoal recebeu os salários e direitos devidos, assim como precisa fiscalizar a qualidade dos serviços prestados pela empresa contratada.


A APUFPR está acompanhando o processo e se solidariza com as/os trabalhadoras/es terceirizados. Daremos todo apoio necessário ao movimento de reivindicações de pagamento de salários e direitos, bem como à luta por um serviço dos RUs prestado com qualidade.

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