
Com o objetivo de discutir as especificidades, os desafios e a relevância do trabalho docente em regiões de multicampia e fronteira, começa nesta quinta-feira, 13, o II Seminário de Multicampia e Fronteira, em Boa Vista (RR). Com mesas de debates, atividades culturais e visitas de campo, a programação se estenderá até sábado, 15. A APUFPR estará representada no evento pelo professor Leandro Portz, do Departamento de Zootecnia, do Setor Palotina.
Promovido pelo Andes-SN em parceria com a Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Roraima (Sesduf-RR), o seminário contará com quatro mesas de debates e um encontro de sistematização das propostas. No sábado, os participantes poderão conhecer a realidade da luta indígena visitando a Reserva Raposa Serra do Sol ou ter contato com as dificuldades enfrentadas na fronteira com a Guiana, entre os municípios de Bonfim e Lethem.
De acordo com Leandro Portz, os campi localizados nas regiões de fronteira enfrentam diversos problemas em comum, como o alto custo de vida, a fixação de professores e a criminalidade típica dessas áreas. Em sua opinião, é necessária uma mobilização em torno da criação de Leis e normas que estimulem a fixação de docentes nas regiões de fronteira. Uma medida seria o pagamento do adicional de fronteiras, como já ocorre na Polícia Federal, Receita Federal e Ibama.
“No passado, os professores em Palotina recebiam o adicional de fronteiras mas o pagamento foi suspenso pelo governo”, afirmou. Portz destaca ainda a necessidade de se aproximar as unidades da multicampia e de fronteiras com as reitorias e o campus sede. “Em Palotina, estamos a 600 Km de distância da capital e sempre somos colocados à parte, principalmente no que diz respeito aos recursos financeiros e investimentos necessários para a melhoria das condições de trabalho”, disse.
Ele lembrou que o I Seminário de Multicampia e Fronteira ocorreu no Paraná, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, em dezembro de 2022. “Vamos agora atualizar a nossa agenda de lutas e definir as estratégias para novas conquistas”, completou.
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Confira a programação:
13 de março (quinta-feira)
14h às 15h – Mesa de abertura e atividade cultural
15h às 17h40 – Mesa 1: Histórico dos debates de multicampia e fronteira no ANDES-SN e debate
17h40 às 18h30 – Lanche
18h30 às 20h – Mesa 2: Aspectos histórico-legais sobre as questões de multicampia e fronteira relacionados às professoras e aos professores do ensino federal no Brasil
Local: Campus Paricarana – Auditório do Colégio de Aplicação
14 de março (sexta-feira)
9h às 12h – Mesa 3: Condições de trabalho, fixação e orçamento e debate
12h às 13h30 – Intervalo para almoço
Local: Campus Murupu – Auditório da Escola Agrotécnica da UFRR
14h às 15h – Mesa 4: Análise das propostas da Rede Unifronteiras e relação com a política sindical e debate
15h às 17h – Relatos das seções sindicais participantes a partir de diferentes experiências e realidades de multicampia e IES em fronteiras
17h às 17h30 – Lanche
17h30 às 19h – Encaminhamentos para a luta: Sistematização de propostas
19h30 às 20h30 – Apresentação cultural
Local: Campus Cauamé – CCA – UFRR
15 de março (sábado)
O último dia do seminário será dedicado a atividades de campo, proporcionando uma imersão na realidade da multicampia e das regiões de fronteira. A visita abordará questões como a luta dos povos indígenas por demarcação de terras, os processos migratórios e a relação com a fronteira da Guiana.
Local: Comunidade Indígena Raposa Serra do Sol e cidade fronteiriça de Lethem
