
Com 3 anos de atividades, o Observatório do Conhecimento tornou-se um importante instrumento de defesa da educação superior pública do país. A Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR), a partir de abril, passa a fazer parte desse importante movimento suprapartidário e independente, que atua majoritariamente nos espaços de produção de conhecimento.
Para celebrar essa data e os desafios que estão por vir, o Observatório do Conhecimento promoveu, nos dias 26 e 27 de abril em Brasília, um encontro que teve como um dos pilares a defesa da ciência. Alvo de cortes e de desprezo por parte do governo de Jair Bolsonaro, mesmo diante do comprometimento e dos resultados apresentados pelos nossos pesquisadores durante a pandemia de Covid-19, a comunidade científica vem sofrendo com o corte de recursos orçamentários.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação, o fomento a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico nacional por meio do CNPq teve R$ 859 mil vetados por Bolsonaro. A Fiocruz, maior instituição de pesquisa biomédica da América Latina e com importante papel na imunização contra a Covid-19, teve um corte de R$ 11 milhões. Esse montante seria destinado a atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação.
Diante desse descaso do governo com a produção científica, a vice-presidente da APUFPR, Andréa Stinghen e outros representantes do Observatório do Conhecimento estiveram com parlamentares no Congresso Nacional, no dia 27, com o objetivo de buscar um diálogo para a construção de formas de amenizar, na medida do possível, esse golpe cruel contra a ciência nacional, sensibilizando os representantes da Câmara e do Senado para que emendas possam garantir recursos ao setor.
Documentário mostra a força das mulheres na ciência
Para reforçar esse debate, a celebração do terceiro aniversário do Observatório do Conhecimento também foi marcada pelo lançamento do documentário “Ciência: Luta de Mulher”. A produção traz as histórias reais de 4 representantes femininas no universo da pesquisa.
As cientistas Isis Abel (bióloga, biomédica e epidemiologista), Helena Padilha (assistente social, socióloga e bacharel em Direito), Maria da Glória Teixeira (médica sanitarista) e Nina da Hora (cientista da computação e hacker antirracista) falam sobre como é fazer e lutar pela ciência no país. Entre os temas abordados pelo quarteto, destacam-se carreira, desigualdades, raça e maternidade.
O curta-metragem revela ainda as trajetórias inspiradoras dessas quatro mulheres. Em breve, a produção estará disponível no canal do Observatório do Conhecimento no YouTube. No fim de maio, a APUFPR promove um evento para o lançamento do filme.
Terceiro aniversário com direito a desafios
Em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, além de assegurar a liberdade acadêmica, o Observatório do Conhecimento tem mobilizado a sua rede, formada por associações e sindicatos de docentes de universidades públicas de diferentes estados brasileiros e parceiros da área da educação, ciência e pesquisa, para enfrentar os cortes de investimentos no orçamento do ensino superior. O grupo também tem a função de monitorar e denunciar políticas e práticas de perseguição ideológica a reitores, professores, alunos e pesquisadores.

Segundo Andréa, um diferencial do Observatório é seu caráter mais amplo, que supera algumas limitações do movimento sindical docente (e suas divisões), atuando majoritariamente nos espaços de produção do conhecimento. Também se articula com outras entidades, como a SBPC e a Academia Brasileira de Ciência.
Como pautas urgentes no seu terceiro ano de atividades, destacam-se a defesa do orçamento voltado ao conhecimento, que vem sendo abocanhado ano a ano, prejudicando e ameaçando o funcionamento das faculdades e institutos federais e de pesquisa e tecnologia; a campanha em torno das cotas raciais; e as eleições de 2022.
Para saber mais detalhes sobre essa iniciativa, acesse o site oficial do Observatório do Conhecimento (https://observatoriodoconhecimento.org.br).
Fonte: APUFPR