A democracia venceu nas ruas, nas redes e nas urnas

A Diretoria da APUFPR-SSind saúda a vitória da democracia no segundo turno da eleição presidencial, concluído no domingo, 25 de outubro de 2026. O resultado reverteu a desvantagem do primeiro turno e foi construído voto a voto, nas ruas e nas redes sociais, por um povo que decidiu não assistir calado ao avanço da extrema direita. Esta foi, antes de tudo, uma vitória da organização popular.

Esta vitória tem muitas mãos. A classe trabalhadora compreendeu que os seus direitos, adquiridos ao longo de décadas, em muitas lutas, estavam em risco. As conquistas de igualdade de gênero, da população negra, da comunidade LGBTI+, de indígenas, quilombolas, sem-terra, estavam sendo questionadas. Todas, todes e todos estiveram na linha de frente da defesa de direitos e da própria democracia. E não há como não mencionar as pessoas idosas, que se não foram numericamente expressivas nas ruas, foram emblemáticas: sua presença mostrou que a resistência popular contra a extrema direita atravessa gerações e não se dobra.

Queremos destacar, em especial, a mobilização estudantil. Logo após o primeiro turno, estudantes da Universidade Federal Fluminense saíram do campus do Gragoatá e tomaram as ruas de Niterói contra o avanço da extrema direita. O gesto se multiplicou: em poucos dias, atos massivos impulsionados por estudantes se espalharam pelo país e ocuparam o centro das principais cidades. Em Curitiba, estudantes secundaristas e da UFPR, assim como das demais instituições públicas de ensino superior, foram protagonistas nas mobilizações de rua e nas redes sociais.

Em contrapartida, o período eleitoral também expôs, mais uma vez, a hostilidade da extrema direita contra as universidades públicas e os institutos federais. Estudantes, docentes, servidoras e servidores receberam ameaças pelas redes, inclusive de ataque a suas estruturas físicas. Tentaram associar esses espaços como estruturas de campanha. Mas a comunidade acadêmica de todo o Brasil seguiu mobilizada, mostrando que as universidades públicas e os institutos federais são lugares de pensamento crítico e de participação democrática e nunca podem ser vistos como alvos de suspeita.

Houve também várias tentativas de imobilizar o movimento sindical por meio de processos judiciais. Ações levadas à Justiça Eleitoral pediram restrições à manifestação de sindicatos, de dirigentes e de entidades estudantis, e chegaram a interromper a circulação de publicações sindicais. Trata-se de um desrespeito à liberdade sindical e à liberdade de expressão, asseguradas pela Constituição Federal.

A APUFPR enquanto entidade e duas pessoas dirigentes foram alvo de processos judiciais diretos que limitaram nossas ações. Mesmo assim, estivemos presentes em todos os atos e mobilizações e sempre estaremos presentes, incentivando a comunidade docente nas lutas pela universidade pública, gratuita, de qualidade, socialmente referenciada, laica, com liberdade de cátedra, inclusiva e com políticas afirmativas, e por uma sociedade justa e igualitária. E seguiremos firmes na defesa do direito de organização e de manifestação da categoria docente. Sem omissão!

Foi isso que fizemos neste processo eleitoral. Estavam em disputa dois projetos: um de retrocesso social e outro que se compromete a ampliar a presença da universidade pública no país e a aumentar o ingresso de jovens das camadas populares. Debater esses projetos com a categoria é parte do nosso papel sindical, e dele não abrimos mão.

Por tudo isso, celebramos mais uma vez a vitória do projeto popular. Ela é fruto da organização coletiva e pertence a quem foi às ruas, às redes e às urnas.

Mas nenhuma vitória eleitoral se sustenta sozinha. Direitos se garantem com luta permanente. A mobilização social, incluindo a da comunidade acadêmica, deve se manter ativa para assegurar que esses direitos sejam respeitados e ampliados pelas instituições políticas democráticas.

Seguiremos atentas, atentos, organizadas, organizados e em luta.

Viva a democracia! Em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade!

Curitiba, 27 de outubro de 2026.

Diretoria da APUFPR-SSind – Gestão Autonomia e Luta
Seção Sindical do ANDES-SN

Leave a Comment

Scroll to Top