Deputado federal eleito, Renato Freitas vai defender em Brasília a regulamentação das redes sociais e das big techs

Em tom descontraído e com o ambiente lotado, o deputado federal eleito Renato Freitas (PT) protagonizou recentemente uma roda de conversa com docentes da UFPR no Bar Doce Bar, na sede da APUFPR-SSind, em Curitiba, em que apresentou propostas para o futuro mandato em Brasília, relembrou a sua formação escolar e universitária, defendeu a educação como base do desenvolvimento econômico e abordou as influências das tecnologias de informação sobre crianças e adolescentes.

Freitas destacou que, antes das redes sociais, professoras e professores eram figuras respeitadas no meio social, cuja autoridade em sala de aula, com raras exceções, nunca era questionada. Em sua opinião, o desrespeito teve início com a disseminação da ideia de que docentes realizavam “lavagem cerebral” nos estudantes, que passaram a gravar as aulas sem autorização. E, pior, com o assentimento de pais e de parte da comunidade. A partir daí, as agressões às professoras e professores escalaram. “Tudo aquilo que não é espelho passou a ser quebrado”, afirmou.

Para o parlamentar, rapidamente essas cenas passaram a ser comuns também nas universidades, hoje alvo preferencial dos ataques da extrema direita à educação. “De repente, tudo ficou relativizado. Já não importa mais o conhecimento e, sim, a opinião”, completou. Não por menos, segundo ele, as pessoas passaram a “terceirizar o pensamento” para os influencers, que dominam a linguagem das redes sociais “nadando a favor da corrente dos algoritmos”.

Por isso, Freitas fez uma contundente defesa da regulamentação das redes sociais e das plataformas digitais, indicando que este será um dos principais projetos que irá apoiar como deputado federal. Ele citou a Austrália onde o acesso de menores de 16 anos às redes sociais foi proibido em dezembro de 2025 e, em setembro deste ano, foi proposto o desligamento de algoritmos nas plataformas digitais. As medidas, afirmou, visam proteger a saúde mental das crianças e adolescentes e dão maior controle sobre a exibição de conteúdos.

Ele criticou ainda a atuação e o poderio econômico das big techs que têm influenciado diretamente nas eleições de países de todo o mundo, em especial, da América Latina, como do próprio Brasil. Destacou que aproximadamente 30% do “fundão eleitoral” foram destinados a essas corporações na forma de patrocínio direto e impulsionamento de posts. Estima-se que um total de R$ 5 bilhões tenha sido destinado aos partidos políticos via “fundão”.

No início do depoimento, Freitas relembrou a sua infância humilde em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde estudou em escola pública. Apesar das dificuldades, ingressou na UFPR por meio das políticas de ação afirmativa, tendo se posicionado em último lugar das cotas reservadas a pessoas negras no curso de Direito. A oportunidade abriu portas. Com muito esforço e dedicação, conseguiu se formar sem nunca ter reprovado e, em seguida, realizou o mestrado.

A roda de conversa contou com uma sessão de perguntas e respostas em que o parlamentar complementou o seu depoimento com diversos outros posicionamentos e informações sobre a sua carreira pessoal e política.

Fotografia profissional por Alex Sander Fotografia, capturando momentos espontâneos e emoção em Curitiba e região.

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