
Este mês é conhecido como “Setembro Amarelo” e a data de 10 de setembro, como o marco do Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. A campanha, instituída pela OMS em 2003, possui a devida relevância por abordar um tema sensível e cercado por tabus. Mas é preciso aprofundar a discussão e fazer uma reflexão mais crítica a respeito do uso da efeméride com mero intuito comercial ou gerencial, sem o efetivo compromisso com a proteção da saúde nas organizações de trabalho e na vida dos trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.
Mensagens motivadoras em favor do bem-estar somente no plano comunicacional, de marketing ou “responsabilidade social”, apenas camuflam a realidade de um cotidiano de intensificação da exploração do trabalho, precarização de suas condições e relações abusivas institucionalizadas voltadas à “melhora de produtividade” às custas da deterioração da saúde integral, incluindo a saúde mental das pessoas.
Movimentos críticos alertam para a estratégia comercial de “wellbeing washing”, a fim de denunciar a tática de maquiagem da realidade. O termo surgiu no cenário corporativo, para alertar contra o caráter ilusório e antiético de certas práticas empresariais e institucionais que buscam associar “marcas” aos cuidados com a saúde, a felicidade e o bem-estar das pessoas. Mas que, na prática, não enfrentam – ou até contribuem para – as condições que produzem sofrimento e adoecimento em seus ambientes.
Reafirmando uma abordagem crítica e profundamente comprometida com a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, em particular da classe docente, a APUFPR-SSind reforça a importância da conscientização, da prevenção do suicídio e da promoção da saúde mental, mas não apoia campanhas ou datas de “conscientização” baseadas em falsas soluções individuais ou que escamoteiam as raízes dos problemas.
O enfoque individual médico ou alarmista (e não de planejamento organizacional em favor do bem-estar no trabalho) não favorece a conscientização coletiva acerca dos problemas produzidos coletivamente no seio da sociedade. São nas formas de organização da vida cotidiana e do trabalho, em que abundam desigualdades, violências e injustiças, que devem ser buscadas as causas profundas que exigem medidas efetivas e não maquiagem de seus efeitos deletérios.
Mesmo lidando com o fato de que em toda biografia e vida ocorrem situações dolorosas, quando ficamos mais vulneráveis ao sofrimento e aos adoecimentos psicológicos, não podemos negar o peso dos determinantes laborais e socioeconômicos nas atuais taxas crescentes de transtornos psiquiátricos e condutas suicidas (ideações, tentativas e óbitos) na população brasileira como um todo, mas em particular entre algumas categorias, como os profissionais da educação básica e superior.
Mantemos em nosso sindicato serviços de escuta e apoio psicológico, realizamos palestras e seminários, mas também atuamos fortemente nos diálogos com a categoria e com a administração da Universidade, em defesa do efetivo enfrentamento de situações prejudiciais à saúde e ao bem-estar da comunidade universitária.
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Docentes da UFPR podem agendar atendimento no nosso serviço de apoio psicológico pelos fones (41) 3151-9107 ou (41) 99824-0243.
