
O Dia Nacional do Orgulho LGBTQIAPN+ não é apenas a celebração da diversidade. A data é marcada pela resistência durante um violento episódio policial que ficou conhecido como a Revolta de Stonewall, em 1969, na cidade de Nova York. Centenas de pessoas trans, drag queens e gays, frequentadores do bar Stonewall Inn, enfrentaram a repressão da polícia que os perseguia sistematicamente. O que se comemora em 28 de junho é a recusa ao apagamento dessa data histórica.
No Brasil de 2026, essa recusa continua sendo exigida com urgência.
De acordo com levantamento do Grupo Gay da Bahia, em 2024, foram registradas 291 mortes violentas de pessoas LGBTQIAPN+ no país, um aumento de 13,2% em relação ao ano anterior. O Brasil liderou pelo 16º ano consecutivo os índices globais de assassinatos de pessoas trans e travestis, com 122 casos registrados, sendo 80% das vítimas mulheres trans jovens e negras. São números que não cabem em um arco-íris.
O cenário legislativo é igualmente grave. Desde a Constituição de 1988, o Congresso Nacional não aprovou nenhuma lei específica ou abrangente que tenha como objetivo proteger a população LGBTQIAPN+. As poucas medidas garantidoras de direitos partiram de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), como o reconhecimento da união estável homoafetiva, a possibilidade de retificação de nome e gênero em documentos e a criminalização da homotransfobia.
Mas decisões judiciais são mais frágeis do que leis e os parlamentares nada fazem.
Ao contrário, uma ofensiva legislativa antitrans vem se espalhando pelo país quase simultaneamente, com a apresentação de projetos legislativos que buscam proibir o uso de linguagem neutra, a discussão sobre a identidade de gênero nas escolas, a publicidade envolvendo pessoas trans e a participação de menores em paradas LGBTQIAPN+, mesmo com autorização ou acompanhamento dos responsáveis.
Nas escolas, a insegurança também permeia corredores e salas de aula. Pesquisa com mais de mil estudantes adolescentes brasileiros, que se identificam como LGBTQIAPN+, mostrou que mais de 73% foram agredidos verbalmente, 35% sofreram agressão física e 60% se sentem inseguros no ambiente escolar. Os dados são de uma pesquisa da ABGLT, em parceria com o Grupo Dignidade e a UFPR.
A APUFPR-SSind reafirma, neste 28 de junho, que orgulho e resistência são fundamentais tanto na defesa de uma universidade pública, plural e democrática, como na luta pelos direitos da população LGBTQIAPN+.
Viva o orgulho. Viva a resistência. 🏳️🌈✊





