1° de maio: direitos não se doam, se conquistam e se defendem 

O Dia das Trabalhadoras e dos Trabalhadores não é feriado para descanso. É data de memória e de combate. Nasceu do massacre de operários em Chicago, em 1886, que exigiam uma jornada de trabalho de 8 horas e foram respondidos com bala. Cada direito trabalhista que existe hoje – salário-mínimo, férias, licenças maternidade e paternidade, aposentadoria, entre outros – tem sangue e luta em sua origem. E pode ser retirado quando a classe trabalhadora baixa a guarda. 

O Brasil de 2026 apresenta, de forma cristalina, as duas faces da disputa trabalhista: uma mão que tenta tomar, outra que tenta conquistar. 

Do lado dos retrocessos, tramita no Congresso a PEC 38/2025. A proposta altera o regime jurídico das carreiras públicas, muda as regras de progressão e elimina direitos históricos como licença-prêmio, anuênios, triênios, adicionais de insalubridade e progressão automática. Sob o discurso de promover eficiência e modernização, o texto introduz supressões significativas de direitos e garantias constitucionais dos servidores federais, estaduais e municipais, abrindo caminho para a privatização progressiva dos serviços públicos. Para as docentes e os docentes das Universidades federais, o impacto é direto e imediato. 

Do lado dos avanços em disputa, a semana que antecedeu o 1° de maio trouxe uma conquista: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados, aprovou a admissibilidade de duas PECs que viabilizam o fim da escala 6×1 e reduzem a jornada de trabalho no país. Parlamentares discutem um consenso em torno de uma jornada de 40 horas semanais com escala 5×2. Paralelamente, o governo Lula enviou ao Congresso um projeto de Lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. 

Com 71% de aprovação popular, segundo pesquisa Datafolha de abril, o fim da escala 6×1 é uma das pautas trabalhistas com maior consenso social dos últimos anos e a pressão popular foi determinante para trazê-la até aqui. Não por acaso, é também a pauta que mais incomoda o setor patronal, que já se mobiliza contra ela no Congresso. 

A APUFPR-SSind reafirma, neste 1° de maio, seu compromisso com a luta pela valorização do trabalho, pela manutenção dos direitos conquistados e pela defesa intransigente do serviço público.  

Nenhum direito a menos. Nenhum passo atrás.

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