Dia da Consciência Negra: luta sindical na educação deve assumir perspectiva antirracista

Neste 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, a diretoria da APUFPR-SSind – Gestão Autonomia e Luta saúda a todos/as os/as docentes e demais trabalhadores/as pretos e pretas da UFPR.  

Esta data, instituída em 7 de julho de 1978 em Salvador, pelo Movimento Negro Unificado em homenagem ao assassinato do líder negro quilombola Zumbi do Palmares, ocorrido em 1665, simboliza a sobrevivência e a resistência de negras e negros brasileiros/as, em meio a sucessivas formas de violência e opressão.  

Violência e opressão que persistem nos dias de hoje. Seja no olhar do segurança de um shopping, seja pela pessoa que esconde a bolsa ao avistar um/a negro/a na rua. Óbvio, isso não parece nada quando vemos crianças e jovens negros/as serem assassinados/as pela polícia. O cenário é bem mais sério e, infelizmente, tem sido uma prática comum nas periferias das grandes cidades. 

Na universidade, docentes pretos e pretas representam menos de 1% dos nossos quadros. Com relação aos/às estudantes pretos/as e pardos/as, são apenas 22%, apesar da política de cotas raciais instituída na UFPR. Essas desigualdades, com raízes históricas, precisam ser superadas mais rapidamente. A luta sindical na educação, classista, deve assumir, portanto uma perspectiva antirracista. Esses dados nos mostram que ainda há muito o que fazer, seja na política de acesso de professores/as, técnicos/as e estudantes negros/as à universidade, seja nas políticas de permanência desses grupos na nossa instituição. Uma educação de qualidade passa também pelo reconhecimento e compromisso com aqueles e aquelas que há quatro séculos vivem sob a violência moral e física cotidiana. 

Ora, diante desses e de outros fatos, a APUFPR-SSind reafirma e toma para si o compromisso político, social e racial em prol de políticas e ações que contribuam dentro e fora da universidade, para uma sociedade livre de discriminação e de violências, veladas ou não, contra as pessoas pretas.    

Nesta data, comemoramos não a liberdade, mas a tomada de consciência do nosso povo sobre o seu valor e contribuição histórica a este país.  

Viva o Dia da Consciência Negra, viva o povo brasileiro.

Saravá! 

#APUFPR 

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