
O Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vem a público manifestar apoio e solidariedade à Profa. Dra. Melina Fachin, diretora do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR. A professora sofreu um ataque físico e verbal por parte de um extremista, ao sair do seu local de trabalho no dia 12 de setembro. O ataque está associado aos lamentáveis acontecimentos ocorridos no Prédio Histórico da UFPR na primeira semana de setembro de 2025, envolvendo pessoas que foram convidadas para um evento que havia sido cancelado, estudantes e a Polícia Militar do Paraná.
Há alguns anos, a universidade pública, a pesquisa científica e pesquisadoras e pesquisadores brasileiros sofrem ataques da extrema-direita, notoriamente anticientífica e anti-intelectual. Na UFPR, houve episódios de invasão de extremistas filmando e mesmo agredindo estudantes, como relatado pela imprensa e nas redes sociais. Nós, pesquisadoras e pesquisadores, desempenhamos papel fundamental em defesa da ciência e da sociedade quando da Pandemia da Covid-19, atuando na linha de frente do atendimento público, no ambiente da pesquisa sobre a doença e na produção das vacinas, no combate incansável pela divulgação do conhecimento científico frente ao negacionismo e às mentiras que criminosamente contribuíram para uma elevada mortalidade quando já havia vacinas disponíveis, mas que deliberadamente não foram adquiridas pelo governo federal.
O ataque sofrido pela Profa. Melina Fachin não é um ato isolado de um indivíduo “desequilibrado”. Faz parte de um modo de agir cujo fundamento e expressão é a violência, presente nos discursos, nos gestos, nas intenções e nos atos extremistas. Essa é uma realidade resultante do avanço internacional da extrema-direita, que atua por meio de grupos e redes sociais e nos poderes legislativos, visando destruir a democracia por dentro, enfraquecendo o Estado e as instituições, mas igualmente ameaçando as pessoas que esses grupos identificam como “esquerdistas”, “comunistas”, “anticristãos”. Estamos vivendo perigosamente à beira do abismo.
Não podemos nos calar. O Núcleo de Estudos de Gênero está ao lado da Profa. Melina Fachin, como toda a UFPR deve estar. Trata-se de uma profissional do Direito de reconhecida competência, professora e orientadora responsável pela formação de estudantes de graduação e de Pós-Graduação do Direito; uma pesquisadora comprometida com a produção do conhecimento jurídico a respeito dos direitos das mulheres. O ataque à Profa. Melina é um ataque às professoras da UFPR, pois se trata de mais um ataque contra uma mulher num país cuja violência de gênero é escandalosamente cotidiana. O ato extremista não pode ser interpretado somente como uma “reação” pelos acontecimentos lamentáveis no Prédio Histórico, que ela tentou evitar. Trata-se de um ato de violência política e de gênero, indissociáveis, e não podemos silenciar, como professoras e pesquisadoras do Núcleo de Estudos de Gênero, um grupo de pesquisa interdisciplinar e interinstitucional que tem mais de 30 anos de existência.
Professora Melina Fachin, admiramos sua coragem e por ser uma professora e pesquisadora comprometida com os valores republicanos e democráticos. O ataque que você sofreu é ignominioso e inaceitável e deve ser punido com o rigor da lei que ainda existe e continuará a existir em nosso país.
Estamos com você.
Curitiba, 19 de setembro de 2025
Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Paraná
GT de Gênero da Associação Nacional de História – Seção Paraná
