
A Pró-reitora de Graduação e Educação Profissional (PROGRAP), professora Andrea do Rocio Caldas, sugeriu nesta segunda-feira, 18, a criação de um grupo político no âmbito da UFPR para a defesa e manutenção dos 17 cursos de licenciatura da instituição. A proposta surgiu durante os debates da Conversa Aberta sobre Licenciaturas, organizada por decisão de Assembleia Geral da APUFPR, que tratou de recentes medidas administrativas e governamentais que estão afetando esses cursos de uma forma geral.
De acordo com a Pró-reitora, mudanças nas estruturas dos cursos têm sido promovidas como efeito da Resolução 4/2024, do Conselho Nacional de Educação, do Ministério da Educação (CNE-MEC), que estabeleceu normas para os cursos de licenciatura, formação pedagógica para graduados não licenciados e segunda licenciatura. No mesmo sentido, o CNE emitiu o Parecer 5/2025 que aprofundou ainda mais alguns direcionamentos previstos na Resolução original.
“O Parecer estabeleceu alguns entendimentos que não estavam previstos na Resolução”, afirmou a Pró-reitora, referindo-se a medidas que preveem a migração de currículos entre cursos, o fim da Área Básica de Ingresso (ABI), a prática da extensão somente na escola, a liberação de estágio no primeiro semestre, entre outras. “São decisões que complicam a vida nos cursos de licenciatura”, afirmou. De acordo com a professora, caso nada aconteça em sentido contrário, a extinção da ABI, por exemplo, será inevitável.
Andrea Caldas disse que, por isso, há uma grande expectativa pelas respostas do CNE aos questionamentos feitos em maio passado pelo Fórum de Pró-reitores de Graduação (Forgrad). Segundo ela, foram encaminhados pedidos de explicação sobre diversos aspectos da Resolução e do Parecer. Até o momento, porém, não houve nenhum retorno. “Temos conversado, no âmbito do Fórum, para aguardarmos o mês de agosto na expectativa de uma resposta positiva do CNE”, informou.
“Se não houver posicionamento até o início de setembro, vamos ter que trabalhar na direção de seguir essas normativas”, disse. Por isso, ela se dispôs a participar da construção de um movimento político em defesa dos cursos de licenciatura como resposta à reivindicação dos presentes para uma ação mais contundente da comunidade acadêmica. Ela disse ser defensora da manutenção dos cursos de licenciatura, mas tem verificado que não há unanimidade a esse respeito mesmo entre os membros do Forgrad. “Nada impede de iniciarmos o debate”, concluiu.
VESTIBULAR – O coordenador geral do Núcleo de Concursos da UFPR, professor Marco Randi, informou durante a reunião que uma das medidas para tornar o vestibular da UFPR mais atrativo será a sua realização em uma única etapa, com provas de conhecimentos e de produção de textos sendo realizadas num só dia. Atualmente, o concurso acontece em duas etapas. “Felizmente não vi resistência à realização do vestibular em etapa única”, disse Randi. “Está tudo convergindo para isso”.
De acordo com Randi, além da realização em duas etapas, outros fatores contribuem para a queda na procura pelo vestibular da UFPR. Entre eles, o valor da taxa de inscrição, hoje em torno de R$ 200,00. O professor explicou que o NC é um órgão executor e segue decisões tomadas no âmbito dos colegiados superiores da instituição. A taxa de inscrições, por exemplo, é definida pelo Conselho de Planejamento e Administração (Coplad), conforme os custos de realização do vestibular. As inscrições são a única fonte de financiamento do concurso.
Sem aporte de recursos orçamentários da UFPR, o NC recorre à realização de concursos públicos para Prefeituras e demais órgãos públicos, apesar de estar sob pressão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para a redução dos custos da prestação desse serviço. “Estamos fazendo todos os esforços para a reduzir os nossos custos de realização de concursos”, disse. Ele lamentou que, dentre essas medidas, está a redução do quadro de pessoal do NC.
PARTICIPAÇÃO – Durante os debates, diversos professores e professoras fizeram considerações, críticas e perguntas acerca dos temas tratados tanto pela Pró-reitora da Prograp, como pelo coordenador do NC-UFPR. “Estabelecemos um diálogo franco com a administração da Reitoria, em que nossas diferenças ficam claras, no entanto, com a possibilidade de permanecermos na luta, uma vez que os nossos objetivos são os mesmos”, disse a presidente da APUFPR, professora Claudia Mendes Campos.
A Conversa Aberta sobre Licenciaturas foi um evento realizado por deliberação da Assembleia Geral da APUFPR, em maio passado, quando o assunto da ABI foi discutido entre os/as docentes presentes. “Esta foi uma atividade bastante especial porque foi a primeira desta gestão provocada por uma demanda que surgiu da realidade vivida pela própria categoria”, avaliou a presidente. “Isso mostra a capacidade de mobilização e a força da nossa Seção Sindical”.







