
O desmonte das políticas públicas e a suspensão da demarcação de terras destinadas aos povos indígenas durante o governo Bolsonaro continuam produzindo graves conflitos com fazendeiros e proprietários rurais, resultando em violência armada, mortes e feridos e o confinamento de aldeias inteiras.
Este é o caso da Terra Indígena Guassu Guavirá, dos povos Avá Guarani, nos municípios de Altônia, Guaíra e Terra Roxa, no Oeste do Paraná, que perderam terra com a formação do lago de Itaipu, na década de 1980. Desde 2023, com o acirramento do conflito, doze indígenas, incluindo duas crianças, já foram alvejados em ataques de pistoleiros.
No último dia 25 de março, a Itaipu Binacional assinou um acordo para a aquisição de 3 mil dos 24 mil hectares que aguardam a demarcação definitiva pelo governo federal. O total da área está identificada e delimitada pela Funai desde 2018, mas está sobreposta a 165 propriedades, o que vem impedindo na Justiça a demarcação definitiva da TI, além de situações de extrema violência.
O confinamento dos indígenas, cercados pelos produtores rurais, tem motivado inclusive conflitos internos devido à insegurança alimentar e o alto consumo de bebidas alcoólicas. O caso mais recente e grave foi a decapitação de um indígena por outros moradores da TI, dias antes da assinatura do acordo com a Itaipu.
A APUFPR aponta a situação dos Avá Guarani como um caso emblemático para despertarmos neste Dia dos Povos Indígenas a atenção da população pela necessidade da urgente reconstrução das políticas públicas e retomada das demarcações das Terras Indígenas para que possamos pacificar as quase 900 áreas de conflito em todo o país.
