Orçamento de 2021 corta ainda mais da educação e garante mais verbas para militares

1 de abril de 2021
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Causa consternação e revolta saber quais as prioridades do Governo Federal e dos políticos na votação que aprovou o orçamento para 2021, ocorrida na última semana.

Tirando investimentos da educação e da Previdência, o orçamento turbina emendas parlamentares (o Centrão manda) e é generoso com os militares (para manter o apoio da caserna).

 

Menos para ciência e educação

Na educação, o orçamento vem sofrendo cortes sistemáticos, deixando as Universidades à míngua. O orçamento de custeio será 18% menor do que em relação ao ano passado.

O montante passará de R$ 5,54 bilhões investidos em 2020 para R$ 4,49 bilhões em 2021, o que pode inviabilizar o ensino em muitas universidades, afetando as despesas com água, luz, serviços de limpeza e políticas de permanência estudantil, como pagamento de bolsas.

Desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, o orçamento para Universidades e Institutos Federais já encolheu 25%.

Outra área afetada é a de Ciência e Tecnologia, que sofreu corte de 28,7% em relação a 2020. Um descalabro em meio à pandemia, porque afeta projetos que envolvem, por exemplo, a produção de vacinas nacionais (a área já havia perdido R$ 9 bilhões em janeiro, com o veto do presidente, Jair Bolsonaro, à lei que regulamenta o uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

 

Mais para o centrão e para os militares

Como se não bastasse o descaso com a Educação, ao menos R$ 26,5 bilhões serão retirados do pagamento de seguro-desemprego, abono e previdência e serão destinados para acomodar obras de infraestrutura no orçamento, com objetivo claro de fortalecer os redutos eleitorais dos deputados e senadores em 2022.

É isso que acontece quando um governo sem rumo e sem compromisso com a população fica na mão de um setor político igualmente sem compromisso com a sociedade.

Pior: ao mesmo tempo em que foram feitos cortes em áreas tão essenciais para o país, o orçamento engorda ainda mais o montante destinado ao Ministério da Defesa, pasta loteada para seus apoiadores militares e que, sozinha, ficará com mais de 22% do orçamento da União.

É mais uma demonstração escancarada de que a austeridade fiscal propagandeada pelo governo é seletiva.

 

Cortes reveladores

Outros cortes também confirmam que o orçamento de 2021 é um dos mais vergonhosos de todos os tempos. Mesmo em meio à pandemia, a Saúde perdeu R$ 35 bilhões em relação ao executado em 2020. No meio ambiente, cujo ministério privilegia desmatadores, o valor será de R$ 1,79 bilhão, o menor em 20 anos.

O Censo foi reduzido de R$ 2 bilhões para R$ 240 milhões, uma forma de inviabilizar a pesquisa (e não revelar os dados reais sobre o Brasil atual – permanecendo a referência de 10 anos atrás, quando a situação do país estava muito melhor).

Definitivamente, educação, pesquisa e ciência não estão entre as prioridades do presidente. Mais uma vez, o Governo Federal mostra seu descompasso com os interesses do Brasil e disposição em atender apenas aos interesses de seus apoiadores.

 

 

Fonte: APUFPR


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