Professores da UFPR aprovam greve

16 de março de 2024
Assembleia - greve 15-3

Era para ser um espaço de debates sobre o futuro das universidades federais, sobre a carreira docente e as lutas por reajuste salarial. Mas o grupo que foi derrotado nas eleições da APUFPR em 2023 e nas anteriores (autointitulado Coletivo de Docentes/Autonomia e Luta) transformou a Assembleia desta sexta-feira (15) em um vergonhoso palco de intolerância, agressividade, machismo e misoginia, tudo isso para tentar impedir a participação dos quase 350 docentes que compareceram de forma telePRESENCIAL, ao longo de mais de 3 horas de duração da reunião, para deliberar sobre a construção da greve do ANDES ainda no primeiro semestre de 2024.

Aquele grupo radical, composto por cerca de 40 pessoas que estavam na sede de Curitiba, tentou a todo momento impedir a continuidade da Assembleia, para impor como único modelo de participação a presença física, desqualificando, de forma ofensiva e, muitas vezes, debochada, todos os demais professores que, por motivos diversos, optaram por outras formas de presença.

 

Antidemocráticos

Após perderem a votação pela continuidade da Assembleia (a imensa maioria votou pelo prosseguimento), os radicais tentaram uma manobra rasteira para esvaziar a reunião, inscrevendo-se em bloco para fazer “declarações de voto” individuais (seriam aproximadamente 30 de até 3 minutos), sabendo que isso atrasaria a Assembleia em mais de uma hora e meia. Obviamente, a intenção era cansar os participantes para sobrar apenas o grupo deles na hora da votação.

Por sinal, esvaziar Assembleias é uma tática recorrente desse grupo, para que apenas eles estejam presentes na hora das votações importantes. Por isso, atacaram os 350 docentes que participaram telepresencialmente e tentaram, com truculência, impor o modelo mais restritivo de Assembleia.

Em defesa do conjunto da categoria, a direção da APUFPR foi firme e impediu essa manobra, deixando as “declarações de voto” para o final da reunião. Como a tática daquele grupo não havia prosperado, tentaram novamente tumultuar a Assembleia.

Em dado momento, de forma infantil, chegaram a fazer barulho com palmas para impedir que centenas de docentes que participavam da reunião conseguissem ouvir a mesa diretora e os encaminhamentos. Lamentável.

Mais de um vez, uma militante do grupo radical interferiu na câmera que fazia a transmissão.

Com muita tranquilidade, a direção da APUFPR seguiu tentando conduzir a Assembleia, para que o conjunto da categoria pudesse expressar seus diferentes pontos de vista sobre o principal ponto da pauta (construção da greve), cujo resultado deverá ser levado para a reunião do setor das federais do ANDES.

 

E a greve?

Diante de todas essas manobras do grupo de oposição para atrasar o andamento da Assembleia, o tema principal (greve), que deveria ter sido o foco de debates, reflexões e análises mais profundas, teve menos espaço.

A truculência daquele grupo foi tanta que chegou a constranger o conjunto dos docentes que participava da Assembleia. No fundo, esse era o objetivo daquele grupo, já que, assim, eles puderam se inscrever em bloco para repetir as mesmas argumentações.

No final, a maioria dos participantes aprovou a proposta de Construção da greve do ANDES e da educação no primeiro semestre de 2024. O resultado será levado para a próxima reunião das federais do ANDES, onde serão colhidos os resultados das demais universidades, para que o conjunto do movimento nacional decida os próximos passos, inclusive prazos, mobilizações etc.

 

Tentativa de fraude

No final da Assembleia, em uma manobra para tentar deslegitimar a Assembleia, o grupo radical usou um estudante, calouro de Economia na UFPR, que havia tentado se inscrever na Assembleia, para criar um factoide e tumultuar o final da reunião. Após ser avisado que essa tentativa de fraude não era apenas antiética, mas poderia configurar crime (incluindo os mandantes da estratégia), o aluno foi embora.

A direção da APUFPR tomará providências para que aqueles que tentaram fraudar a Assembleia sejam responsabilizados.

 

Machismo

Durante a Assembleia, membros do grupo de oposição agrediram a presidente da APUFPR com ataques machistas e tentativas de intimidação física. Não é a primeira vez que membros daquele grupo usam esse tipo de prática contra mulheres (inclusive da equipe de funcionários) na sede do sindicato.

A direção do APUFPR repudia essas atitudes, que não cabem em um espaço construído democraticamente ao longo de décadas de luta dos docentes da UFPR, especialmente diante dos inúmeros desafios que temos para avançar na igualdade de gênero no ambiente acadêmico.

 

Deboches e ofensas contra centenas de docentes

Não bastassem as ações truculentas e antidemocráticas para impedir a continuidade da Assembleia, membros do “coletivo” de oposição ainda debocharam, por diversas vezes, dos mais de 350 docentes que participaram dessa Assembleia, e também daqueles que participaram das Assembleias anteriores.

Foram falas arrogantes, no sentido de que apenas os que estavam na sede tinham “coragem” de participar do debate. Essa mesma fala já havia sido proferida por uma diretora do ANDES em reunião do CRAPUFPR no ano passado.

Um membro do grupo deles chegou a dizer que os docentes ficam de bermuda em casa enquanto participam da Assembleia. Eles também publicaram chacotas no chat contra o conjunto dos docentes. Houve também tentativas de gerar desconfiança contra os docentes que estavam telepresencialmente, em uma evidente manobra para intimidar os participantes.

A direção da APUFPR repudia veementemente todas essas falas prepotentes e presunçosas com que o grupo de oposição vem tratando reiteradamente o conjunto da categoria docente que vem participando ativamente das Assembleias. É inadmissível que um grupo político use de deboche e desdém contra outros colegas para tentar impor sua vontade de voltar a ter reuniões esvaziadas.

A APUFPR vem defendendo as formas mais democráticas e participativas, que garantem que muito mais professoras e professores estejam presentes nas reuniões coletivas, de acordo com suas possibilidades e dinâmicas individuais.

Seguiremos implementando mecanismos que garantam ainda mais segurança e dinamicidade às nossas Assembleias.

 

Falta de sensibilidade

Ao debochar dos docentes que optam pela participação telepresencial, os radicais deixam evidente que não são capazes de enxergar a realidade de grande parte do nosso coletivo docente.

Boa parte dos que participaram telepresencialmente talvez gostariam de poder ter a oportunidade de estar fisicamente ao lado dos colegas, se encontrando, conversando e dividindo um café.

Mas grande parte do nosso coletivo docente são mães e pais que se deslocam para buscar os filhos. Muitos são mães ou pais solteiros e não têm com quem dividir responsabilidades.

Boa parte está em casa numa terceira jornada de trabalho, cuidando da família enquanto escuta, responde e fala na assembleia. Outros tantos têm pessoas dependentes aos seus cuidados, como familiares idosos e pessoas com deficiência.

Muitos dos que consegue estar fisicamente presente nas sedes da APUFPR talvez comunguem dessas condições, mas tais funções são deixadas aos cuidados de companheiras e companheiros.

E há vários docentes que estão presentes nas Assembleias enquanto estão participando de eventos acadêmicos (inclusive, fora da cidade), muitos estão viajando para participar de bancas de avaliação ou outras atividades ligadas à docência, à pesquisa ou à extensão, ou estão fora do país para mestrado, doutorado ou pós-doc e, nem por isso, deixam de fazer parte da categoria docente da UFPR.

Descartar a participação dos colegas que não podem estar fisicamente lado a lado, não combina com uma categoria que trabalha intelectualmente, capaz de reflexão e que diz querer somar pontos de vista. Na verdade, demonstram que seu desejo é dividir a categoria e minimizar a participação, para que seja restrita a eles próprios. Além disso, é profundamente incoerente, quando parte de pessoas que se dizem revolucionárias.

 

Autonomia e PRESENÇA

A direção da APUFPR vem lutando para ampliar a participação dos docentes nos espaços decisórios da categoria, especialmente nas Assembleias. Entendemos que a decisão sobre as formas de participação dos docentes da UFPR é uma escolha baseada na autonomia política, organizativa e sindical, que é uma prerrogativa da nossa entidade, mesmo que ela faça parte da base do ANDES.

Essa mesma autonomia garante que aqui na UFPR os docentes possam tomar decisões que, eventualmente, divirjam do conjunto do movimento nacional, como ocorreu em outras greves que ocorreram somente aqui ou naquelas em que os professores da nossa universidade optaram por não aderir à greve nacional.

Isso significa que o movimento se organiza nacionalmente em relação ao governo (empregador), mas cada localidade tem autonomia política para se escolher a forma de se organizar, e isso inclui como sua diretoria é composta, ou até a qual central sindical se filiar (que não precisa ser a mesma do ANDES). Por isso, não aceitamos as tentativas de imposição da direção do ANDES e do grupo radical ligado a eles aqui na UFPR para que as Assembleias voltem a ocorrer apenas fisicamente, para que sejam mais esvaziadas do que as atuais.

Além disso, consideramos que a participação telePRESENCIAL está de acordo com o estatuto do ANDES (veja aqui dois pareceres jurídicos), afinal, os docentes que comparecem às nossas Assembleias estão presentes no momento e só podem votar estando na reunião. O estatuto do Sindicato Nacional não diz que a presença deve ser física. Inclusive, o próprio ANDES, na eleição para sua diretoria em 2020, usou esse mesmo termo (telepresencial) para se referir à participação dos docentes no processo, considerado que, para votar, era necessário estar presente na tela, assim como acontece em nossas Assembleias.

Criar fake news, dizendo que o resultado da Assembleia poderia ser invalidado, é apenas mais uma tática dos radicais para enganar nossa categoria. Somadas à truculência que usaram para tentar impedir o andamento da Assembleia, essas tentativas de golpe confirmam aquilo que já dissemos há tempos atras: o bolsonarismo de esquerda é tão radical que se assemelha em muitos aspectos ao bolsonarismo original.


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