
O Conselho de Representantes da APUFPR (CRAPUFPR) realizou nesta terça-feira, 07, dois importantes debates que trataram sobre medidas da atual gestão da Reitoria que estão impactando fortemente a vida da comunidade acadêmica na UFPR. O primeiro tema foram as mudanças na progressão da carreira docente provocadas pelas Resoluções 12/2025 e 13/2025. O segundo assunto se referiu às novas formas de ingresso na Universidade, como o vestibular em fase única e a adoção do Aprova Paraná Universidades, que utiliza a nota da Prova Paraná Mais aplicada pelo governo estadual.
Em ambos os debates, houve intensa participação dos conselheiros que fizeram análises sobre diversos aspectos das medidas, destacando críticas e expondo polêmicas. Para falar sobre as Resoluções que alteraram a progressão docente, foram convidados o professor Guilherme Sippel Machado e a professora Dayani Cris de Aquino. Embora sejam respectivamente presidente e vice da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD), ambos estiveram presentes como membros da comissão de revisão das Resoluções 12/2025 e 13/2025, criada em outubro passado no âmbito do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).
De acordo com o professor Guilherme, a comissão de revisão foi criada diante das diversas críticas às Resoluções aprovadas pelo CEPE em abril de 2025. Ele confirmou que é “ponto pacífico” a questão dos 30 pontos de atividades administrativas no processo do titular. “Eles têm que voltar ao que era antes”, afirmou, referindo-se às Resoluções 10/2014 e 14/2014, que anteriormente regiam a progressão docente na UFPR. Nesse sentido, voltará a valer a contabilização de pontos em até 40 diferentes campos de atuação da administração acadêmica, e não mais em apenas 21 campos como propunham as duas Resoluções recentes.
A partir dessa premissa, Guilherme e Dayani abriram a palavra aos presentes que passaram a relatar diversos impactos e situações adversas sofridas pelos/as docentes em função das recentes medidas. Um dos principais questionamentos foi em relação à progressão automática, ainda não aplicada na UFPR. “Nós temos o trabalho de registrar tudo dentro dos diversos sistemas da Universidade e, chega na hora da progressão, você tem que ficar juntando todo esse material de novo para encaminhar para algum lugar”, afirmou o professor Afonso Takao Murata, diretor da APUFPR-SSind – Gestão Autonomia e Luta.
“Quando ingressei na carreira em Mato Grosso, o servidor me falou assim: professor, quando você for progredir, nós só vamos avisar, você vai escolher se vai progredir ou não”, lembrou o docente. Em função desse relato, o professor Jomar Camarinha, um dos conselheiros pelo Setor de Ciências Exatas, disse ter participado de audiência com o reitor Marcos Sunye para tratarem exatamente sobre a progressão automática. Na conversa, teria sido discutida a criação de uma comissão para analisar a implantação da medida.
INGRESSO NA UFPR – O segundo debate promovido pelo CRAPUFPR sobre novidades nas formas de ingresso na UFPR contou com a participação do professor Marco Antonio Ferreira Randi, coordenador geral do Núcleo de Concursos, da UFPR, e da professora Maria Izabel Bordini, do Departamento de Literatura e Linguística (Dellin), como palestrante e debatedora, respectivamente. Em sua explanação, Randi apresentou os diversos aspectos da realização do vestibular em fase única e a adoção da Prova Paraná Mais como forma de seleção de novos estudantes da UFPR.
Os conselheiros dirigiram diversas críticas às mudanças promovidas por ambas as formas de ingresso. Mas o que mais chamou a atenção foi a falta de diálogo com a comunidade acadêmica. Em relação à realização do vestibular em fase única, os principais questionamentos foram relativos aos critérios técnicos adotados para a definição do novo formato de seleção, cujas provas foram reduzidas para 80 questões objetivas e duas dissertativas. Além disso, também se questionou o valor da inscrição que caiu apenas de R$ 195,00 para R$ 180,00.
A principal polêmica, porém, foi a implantação na UFPR do programa Aprova Paraná Universidades, que utiliza como método de seleção a Prova Paraná Mais, aplicada aos alunos do ensino médio da rede estadual de ensino. Para os/as conselheiros/as e docentes presentes, o modelo adotado segue uma política altamente questionável de plataformização da educação. “A gente está fazendo com isso uma valorização política de uma política de precarização”, ressaltou a presidente da APUFPR-SSind, professora Claudia Mendes Campos.
Ao final do debate, o próprio professor Randi admitiu a falta de debate com a comunidade acadêmica para a implantação desses novos modelos de ingresso na UFPR. “Eu reconheço que a atitude que o Núcleo de Concursos e a Prograp tomaram foi uma atitude de pouca consulta. Foi um erro da gente fazer essa pouca consulta para tomar essas decisões. Eu estou assumindo aqui esse erro para vocês”, afirmou. Ele deixou aberta a possibilidade de se ampliar o debate após a realização dessas novas experiências em 2026 nas formas de ingresso na UFPR.
COMISSÃO FINANCEIRA – Como última pauta da reunião mensal do CRAPUFPR, foi eleita a Comissão Financeira que irá avaliar as contas de 2025 da APUFPR-SSind, cujo relatório deverá ser apresentado no próximo mês de junho. Foram escolhidos para compor a comissão a professora Margarete Araujo Teles e os professores Bruno Peixoto Carvalho, Tomaz Longhi Santos e Talal Suleiman Mahmoud.
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