
A questão ambiental dominou a pauta do Encontro de Aposentados/as da APUFPR-SSind realizado nesta quarta-feira, 26, no auditório da Seção Sindical, em Curitiba. Além de uma palestra sobre o uso abusivo de agrotóxicos no Brasil e os seus efeitos sobre a saúde coletiva, ministrada pelo professor Afonso Takao Murata, também foi aprovada pelo Coletivo de Aposentados/as uma proposição de Texto de Resolução a ser apresentada no 44º Congresso do ANDES-SN pedindo maior ênfase na defesa da causa ambiental nas frentes de lutas da categoria.
“Propomos que o ANDES-SN, junto com suas Seções Sindicais, coloque com mais ênfase em todas as suas frentes de luta a vertente da crise ambiental, da crise do clima e do aquecimento global, considerando que, ao não se tomarem as providências cabíveis com relação à contaminação e à transposição energética, a própria existência da humanidade estará comprometida”, defendeu o professor Antônio Carlos Gondim, formulador da proposição. O Coletivo deverá agora desenvolver um Texto de Apoio para apresentar no 44º Congresso do ANDES-SN, que acontecerá de 2 a 6 de março de 2026, em Salvador, Bahia.
PALESTRA – Em sua palestra, o professor Afonso Takao Murata, diretor da APUFPR-SSind e representante da atual gestão no Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA), disse que um pedido da direção do Setor de Ciências Agrárias ao Instituto Água e Terra (IAT) para a flexibilização do uso de agrotóxicos na Fazenda Experimental do Canguiri colocou a UFPR no centro de uma polêmica a respeito da proteção da APA do Iraí (onde fica a fazenda), que foi instituída em 1996. Desde aquela época, o uso de agrotóxicos tem sido vetado em toda a região, que abrange um dos maiores mananciais de abastecimento de água da Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
A partir da premissa de que a APA do Iraí necessita ser preservada e mantida livre do uso de agrotóxicos, o professor explanou sobre os perigos do uso abusivo desses produtos na agricultura de larga escala. Ele apresentou dados históricos e científicos relacionando a evolução do agronegócio com os interesses econômicos do capital privado e o crescimento do uso de agrotóxicos e fertilizantes.
Dentre outros tópicos, o professor abordou questões de saúde coletiva, como pesquisas comprovando o adoecimento de comunidades inteiras, as graves consequências em mulheres gestantes e o nascimento de crianças com problemas físicos. Para se ter ideia da gravidade do assunto no Brasil, o país é hoje o maior mercado mundial desses produtos, tendo crescido 114% do ano de 2000 para 2014.
Dos 10 produtos mais consumidos no Brasil, seis são terminantemente proibidos nos países da União Europeia. Nas análises de qualidade da água, é comum verificar a presença de 27 produtos agroquímicos – exatamente o número de agrotóxicos pesquisados por essas análises. “Se fôssemos pesquisar mais produtos, certamente seriam também encontrados na água que consumimos”, disse.
Dependendo do agrotóxico, o limite máximo de resíduos permitido na água potável pela legislação brasileira chega a ser assustador em relação aos critérios adotados na União Europeia. O caso mais grave é o do glifosato, cujo limite máximo é 5.000 vezes maior do que o estabelecido em países europeus. Por isso, o professor defendeu uma transição do atual modelo agrícola brasileiro para práticas menos prejudicais ao meio ambiente e à saúde, como a agroecologia. Nesse sentido, disse ser fundamental o papel das universidades, propondo novos modelos e técnicas para o desenvolvimento sustentável do setor agrícola.
