
Sebastião Salgado, falecido nesta sexta-feira, 23, aos 81 anos de idade, foi um dos profissionais da fotografia de maior reconhecimento do mundo nas últimas décadas. O conjunto de sua obra, majoritariamente composto por imagens de dramas humanitários e tragédias ambientais, vai muito além do conceito de fotojornalismo. A fotografia de Salgado é um verdadeiro registro histórico das transformações vividas pela humanidade na virada do século 20 para o 21: um grito das urgências mundiais na forma de imagens.
Além de fotógrafo, Sebastião Salgado foi também premiado ativista ambiental e defensor da agroecologia, tendo vinculado o seu nome a diversos projetos em todo o planeta. Em 1998, fundou o Instituto Terra junto com a sua esposa Lélia, cujo principal trabalho era a restauração ecológica de uma imensa área degradada no município de Aimorés, em Minas Gerais. Nesse contexto, Sebastião e Lélia trabalharam pelo reconhecimento da agroecologia como um modelo de produção agrícola que respeita a natureza e promove a sustentabilidade.
O seu talento como fotógrafo já era reconhecido pela imprensa internacional nos anos de 1970. Mas foi a partir da década seguinte, com projetos editoriais ousados de caráter humanitário, que extrapolou a sua área profissional. A série de fotografias do garimpo de Serra Pelada, no Pará, tornou-se um ícone das denúncias sobre a destruição da natureza. Pela importância de sua luta como profissional e ambientalista, a APUFPR manifesta profundo pesar pela passagem desse cidadão iluminado.
Sebastião Salgado, presente!
