Vacina: ciência derrota o negacionismo do governo brasileiro

20 de janeiro de 2021
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Os negacionistas sofreram duas importantes derrotas aqui no Brasil neste domingo (17). A Anvisa aprovou para uso emergencial duas vacinas: a CoronaVac (parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac) e a Astrazeneca-Oxford (parceria da Fiocruz com o consórcio britânico que leva o mesmo nome).

A segunda vitória: a vacinação começou. No domingo, cem profissionais de saúde receberam as primeiras doses. A primeira brasileira vacinada em nosso país foi a enfermeira Mônica Calazans, servidora da saúde pública, que atua na linha de frente no combate à Covid-19. Ela havia participado dos testes da fase 3 da Coronavac.

A Anvisa justificou a decisão pela eficácia e a segurança das duas vacinas. Além disso, segundo a agência e todas as instituições internacionais sérias, não há terapias alternativas no enfrentamento da Covid. Argumento científico repele o chamado “tratamento precoce” que governantes, políticos governistas e setores que espalham fake news tentaram impor aos pacientes, baseado no uso de cloroquina e vermífugos, comprovadamente ineficazes.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, principal personagem da luta contra a vacina, transformou a situação em um circo internacional, desacreditando cada vez mais nosso país no cenário geopolítico. Em nome de seu projeto pessoal de poder, desprezou um dos mais eficientes sistemas de imunização em massa do mundo, organizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apostou na anticiência, no movimento antivacinas e no ‘cabo de guerra’ com o governo de São Paulo. Uma briga política que contribuiu para a morte de milhares de brasileiros.

Em tempos estranhos, de ‘elogio à ignorância’, os cientistas foram capazes de desenvolver imunizantes em tempo recorde. É a ciência que nos dará a perspectiva de voltarmos, aos poucos, à normalidade. O Butantan e a Fio Cruz (instituições públicas) merecem todos os aplausos.

Como tem ocorrido desde o começo de seu mandato, agora o governo nega o seu próprio negacionismo e tenta capitalizar para si os louros da vacinação. Mas a maior parte da população tem clareza sobre o papel que o presidente e sua claque (inclusive o ministro “general de logística” que nada entende de Saúde, e nem de logística) desempenharam nesse processo.

Em relação às vacinas, o governo foi vergonhosamente derrotado, mas nesse caminho inúmeras vidas foram desnecessariamente perdidas e muitas outras serão, já que a irresponsabilidade do governo deixou o Brasil para trás em relação a dezenas de outros países.

 

Vitória da ciência

Não só o Butantan (que completa 120 anos em 2021 e é hoje um centro de pesquisa reconhecido mundialmente, principalmente porque lá são fabricadas boa parte das vacinas disponíveis no SUS) e a FioCruz, mas diversas outras instituições públicas vêm desempenhando papel importantíssimo na produção científica para o combate ao novo Coronavírus, inclusive a nossa UFPR.

Inúmeras pesquisas vêm sendo desenvolvidas na nossa instituição desde o início da pandemia. Entre os vários estudos desenvolvidos, pesquisadores da UFPR identificaram os dois primeiros casos de contaminação da Covid-19 em cachorros no Brasil. O Hospital das Clínicas da UFPR também teve papel fundamental durante os testes de vacinação e participa de estudo de um novo medicamento para tratamento da Covid-19.

Além disso, embora não conte (nem de longe) com os recursos equiparáveis aos das gigantes farmacêuticas privadas, uma vacina para Covid-19 desenvolvida na UFPR induz produção maior de anticorpos que a de Oxford em fase pré-clínica. O estudo é promissor, e com os recursos necessários poderia conferir ao nosso país papel de destaque no futuro (já que o vírus vai permanecer e, possivelmente, sofrer novas mutações).

“Mesmo com a acentuada queda nos investimentos e desprezo do governo pelo seu trabalho nestes últimos anos, os cientistas brasileiros jamais deixaram de acreditar que a ciência é um dos mais fortes motores de desenvolvimento da nossa sociedade, nas mais diversas áreas. Para o país voltar a crescer, acreditar e investir em desenvolvimento científico é fundamental”, afirma o presidente da APUFPR, Paulo Vieira Neto.

 

Fonte: Apufpr


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