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8 de março de 2022

Dia da Mulher: ela pode ser e estar onde quiser?

Desde que o 8 de março foi consolidado como Dia Internacional da Mulher, em 1975, há um grande esforço, especialmente por parte dos movimentos feministas, para que a data não seja marcada apenas por homenagens, doces e presentes, mas que predomine a reflexão sobre as lutas que não cessam e se reinventam a cada contexto.

Direito ao voto, ao trabalho, à educação são alguns já conquistados, mas ainda há muito a avançar.

Então, atualmente, o que almejam grande parte das mulheres que não flores, presentes e homenagens? Sem dúvida alguma, o respeito em todas as áreas: igualdade salarial, valorização profissional, direito à vida, apoio no combate a todos os tipos de violência, acesso à saúde digna e, principalmente, os direitos de ser o que quiser sem que barreiras lhes sejam impostas por questões de gênero.

Se olharmos para o exemplo das mulheres no ensino superior, fazer parte deste cenário lhes custa muito mais esforço e dedicação do que aos homens. A trajetória acadêmica e profissional delas implica em conquistar espaço (que lhes é devido) em um ambiente regido por valores e padrões masculinos que restringem, dificultam e direcionam a participação das mulheres na academia, seja no ensino, na ciência e até mesmo na gestão universitária.

Nessa perspectiva, é muito mais difícil para a mulher seguir uma carreira científica em um universo ainda de caráter patriarcal, em que mecanismos que garantam igualdade de oportunidades ainda são uma aspiração a conquistar.

Conseguir desenvolver uma carreira na ciência ainda é um imenso desafio para as mulheres. Se hoje elas são maioria nas universidades brasileiras – 57,2% de estudantes em cursos de graduação, segundo o Censo do Ensino Superior de 2018 do Inep –, essa vantagem não se traduz nas posições mais avançadas da academia.  No mesmo levantamento foi constatado que o perfil típico de docentes, tanto em instituições públicas quanto privadas, ainda é masculino: de 384 mil docentes da Educação Superior, 45,5% são mulheres, mesma porcentagem constatada no Censo de 2011.

Portanto, é preciso refletirmos com frequência sobre os ambientes que integramos, assim como é necessário incorporar uma consciência crítica de gênero na formação básica de jovens cientistas e no mundo rotineiro da academia.

É preciso problematizar o pressuposto de que a ciência é neutra com relação às questões de gênero, revelando que os valores e as características socialmente atribuídos às mulheres são desvalorizados na produção do conhecimento, e que perpassam o campo científico, por exemplo, no que se refere à sub-representação feminina em determinadas áreas da ciência, a ocupação de cargos de direção e as dificuldades para o recebimento de bolsas PQ do CNPq, entre outros aspectos.

Olhando para trás, podemos comemorar tantos desafios superados. Olhando para o futuro, avistamos um caminho de luta e, principalmente, de coragem para mudar o status quo, desmontando as barreiras de um universo de oportunidades desiguais.

 

Fonte: APUFPR


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