Tag: luta pela educação

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5 de agosto de 2021

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Como acontece toda vez em que se sente acuado, o presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a fazer ameaças à Democracia e às eleições de 2022. Desta vez, aproveitando-se da audiência de uma emissora de rádio voltada a ouvintes extremistas, ele deu um passo adiante. Não chegou a afirmar que daria um ‘golpe’, mas só faltou usar essa palavra. As intimidações foram claras.

Acuado diante das crescentes provas de corrupção em seu governo, pelo derretimento de sua popularidade, por ter sido incluído no inquérito que investiga a organização criminosa responsável por disseminar fake news contra as instituições democráticas (em especial, contra o Supremo Tribunal Federal) e no inquérito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela disseminação constante de fake news sobre a segurança das eleições e das urnas, Bolsonaro proferiu novas mentiras e aumentou o tom de seus ataques: “o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição”.

Não é pouca coisa quando um presidente diz, em público, que irá agir fora dos limites da Constituição só porque discorda de uma decisão de uma corte superior.

Para o bem do Brasil, as intenções golpistas do presidente devem ser energicamente combatidas por todos os setores da sociedade que possuem compromisso com a Democracia. É o caso da APUFPR.

O artigo 4º do nosso Regimento Geral estabelece que uma de nossas finalidades é ‘amparar e defender as aspirações coletivas que levem à busca e concretização dos ideais democráticos’.

Por isso, a APUFPR se soma às inúmeras vozes vindas dos mais diversos setores da sociedade brasileira para garantir que os pilares da nossa jovem democracia não sejam demolidos por uma figura obscura da política brasileira, cuja única contribuição à sociedade é servir de exemplo daquilo que um ser humano não deve ser.

As declarações e ameaças, proferidas por um chefe de Estado que utiliza os recursos e as estruturas de seu governo para abalar as instituições democráticas, podem ter consequências concretas muito sérias. Frear o golpismo de Bolsonaro não é uma questão ideológica ou partidária, e sim um imperativo na defesa do Estado Democrático de Direito, do exercício da cidadania e do futuro do Brasil.

 

Escalada golpista

Jair Bolsonaro está cercado, acuado. O aumento de seus ataques às instituições e ao sistema eleitoral é reflexo do desespero de alguém que precisa do foro privilegiado e das relações de poder do cargo que ocupa. Sua reação é típica de quem tem medo. Ou medos.

Há motivos de sobra para sua prisão por crimes cometidos antes de sua posse (principalmente pelos esquemas de rachadinhas de salários em seu gabinete e nos de seus filhos – igualmente sob investigação) e durante sua gestão presidencial, seja por causa da condução propositadamente catastrófica da pandemia de Covid-19, que custou a vida de mais de 560 mil brasileiros, ou mesmo porque dentro de seu governo são operados esquemas de corrupção, especialmente envolvendo a compra superfaturada de vacinas. Além das já citadas investigações que correm no STF e no TSE.

Com o derretimento de sua popularidade, veio também a incerteza quanto à vitória nas eleições de 2022. Há meses, pesquisas apontam que ele seria derrotado em diversos cenários. Como um garoto mimado, Bolsonaro iniciou uma campanha para destruir a confiança pública no sistema eleitoral.

Em sua lógica, ou ele tem, de antemão, a garantia de que será reeleito, ou fará de tudo para deslegitimar todo o processo eleitoral, tirando sua validade caso outro candidato seja vitorioso.

Para isso, espalha paranoias, teorias conspiratórias e mentiras sobre a segurança das urnas eletrônicas, sem conseguir apresentar um único indício que confirme suas afirmações.

Ele espera que seus delírios encontrem mentes delirantes – já forjadas em bolhas de informação capazes de criar uma percepção paralela da realidade – e façam de tudo para que ele continue no poder.

Se tudo der errado, ele espera que essas mesmas pessoas rompam com o tecido social e tentem ajudá-lo a tomar o poder à força. Para isso, precisa que as instituições de Estado estejam abaladas e enfraquecidas. Por isso, realiza tantos ataques aos órgãos que costumam tolher seus intentos antidemocráticos e inconstitucionais, como as cortes supremas (como o STF e o TSE) vêm fazendo.

Uma pesquisa recente do Datafolha mostrou que a maioria da população considera Jair Bolsonaro despreparado, desonesto, indeciso, incompetente, falso, pouco inteligente e autoritário. Ele é tudo isso. Mas é também perigoso.

Buscando animar sua base de seguidores, cada vez menor (aos poucos, vão sobrando apenas os mais radicalizados), o presidente passou a afagar até os mais extremistas. Por isso, encontrou-se com uma deputada alemã neonazista.

É uma estratégia idêntica à utilizada por Donald Trump em seus últimos birrentos dias como presidente dos Estados Unidos. Por isso, Bolsonaro aposta no armamento da população, editando normas para facilitar o acesso às armas e munições (em dois anos, ele dobrou a quantidade de armas nas mãos de civis), enquanto reduz os mecanismos de controle e rastreamento.

Ao ser derrotado, Trump questionou o sistema eleitoral de lá (onde o voto é impresso e as eleições demoram dias para chegar a um resultado final), enquanto Bolsonaro finge que faz o inverso por aqui (onde ele foi eleito deputado federal diversas vezes por votações em urnas eletrônicas), porque precisa de qualquer argumento para questionar a validade do resultado, caso seja derrotado.

A escalada golpista nos Estados Unidos levou à tentativa de invasão do Capitólio (equivalente ao nosso Congresso Nacional) em janeiro de 2021, quando 5 extremistas morreram. Posteriormente, quatro policiais envolvidos na resistência se suicidaram por causa dos danos psicológicos daquele dia.

Lá, as Forças Armadas tiveram papel importante para frear o golpe. Já aqui, Bolsonaro afaga militares com proteções, medalhas, enormes aumentos salariais, muitos cargos e benesses, tentando cooptá-los para que sejam seu braço repressor país afora.

 

Basta de ameaças

Os inquéritos do TSE e do STF são necessários e precisam ser levados às últimas consequências: a responsabilização penal do presidente e de todos aqueles que participam de suas articulações inconstitucionais e golpistas, para que não restem dúvidas de que as instituições agem para preservar a Democracia e defender a nossa Constituição.

Mas não são suficientes. Não basta esperarmos sentados pela Justiça, ou que o chamado Centrão deixe de vender sua proteção ao presidente. É urgente que todos os brasileiros comprometidos com a Democracia se unam e atuem em defesa das bases mais importantes do nosso país.

Não é hora de recuar nem diante das ameaças daqueles que, no passado, já ajudaram a sufocar a nossa Democracia.

 

Diretoria da APUFPR

5 de agosto de 2021

 

FONTE: APUFPR

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5 de agosto de 2021

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👹 Se for aprovada, a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) vai jogar o Brasil em um período de trevas!

🔰 O primeiro passo é destruir os servidores públicos, cuja função é salvaguardar os direitos do povo (que são assegurados pelo Estado por meio dos serviços públicos).

🤨 Eliminar os servidores é tirar um “obstáculo” do caminho rumo ao aparelhamento político do Estado.

😰 O segundo passo é transformar os serviços públicos em mercadorias, para que empresários gananciosos lucrem sobre as necessidades da população.

😧 Nosso país já passa por tantas dificuldades, especialmente pela falta de pessoal no serviço público para fazer o atendimento nas áreas essenciais, como saúde, educação e segurança. Mas o governo quer reduzir ainda mais.

Barrar a Reforma Administrativa é proteger os direitos do povo e evitar que o Brasil seja colocado em um novo ciclo de sofrimento.

✋ Por isso, diga NÃO à PEC 32/2020, e SIM ao serviço público! Ele é para todos!

#ServiçoPúblico #ÉPublico #ÉpraTodos #ValorizeOServidor #ReformaAdministrativaNão #PEC32Não

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3 de agosto de 2021

 

👿 O presidente Jair Bolsonaro quer fazer com o país o que fez com membros de seu governo, como o inepto ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que foi humilhado e teve que voltar atrás e negar a compra de vacinas chinesas em outubro de 2020, depois de ter afirmado a governadores que estaria negociando os imunizantes.

“Uma manda e o outro obedece”, afirmou o general.

Esse caso expressa bem duas coisas que a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) quer fazer com o Brasil:

➡ Acabar com a estabilidade dos servidores e transformá-los em “pazuellos” (só que sem proteção), para dar um “calaboca” naqueles que contrariarem os governantes (mesmo que isso coloque em risco a vida da população)

➡ Proteger os apadrinhados políticos sem concurso (que dominarão os serviços públicos), como Pazuello que, depois de sua gestão catastrófica no Ministério (ganhou o cargo quando o Brasil tinha 233 mil casos e 15.633 pela Covid-19, saiu da função com 11,5 milhões de casos e 280 mil mortes), ainda foi premiado com outro cargo no governo (com salários de R$ 16 mil)

🚨 É preciso barrar a Reforma Administrativa agora. Ou, o serviço público não será mais determinado pelo “cumprimento do dever”, mas sim pelas vontades dos “soberanos”.

Valorize o serviço público. É para todos.

#ServiçoPúblico #ÉPublico #ÉpraTodos #ValorizeOServidor #ReformaAdministrativaNão

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3 de agosto de 2021

 

Desde que assumiu a presidência, Jair Bolsonaro já nomeou 19 reitores de universidades federais que não estavam entre os mais votados nas eleições feitas pelas instituições. Cinco desses “interventores”, como são conhecidos por assumirem o cargo mesmo não sendo escolhidos por suas comunidades acadêmicas, anunciaram seu rompimento com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Sob a justificativa de não serem “aceitos e acolhidos” na Andifes por serem defensores do Governo Federal, desligaram-se da associação os reitores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Não se sabe se outros interventores seguirão o mesmo. Quem sabe não planejam criar um clube só de dirigentes golpistas.

O que é a Andifes

Fundada em 1989, a Andifes tem como bandeira principal a defesa da educação pública e da democracia. Além dos cinco agora ex-integrantes, a entidade conta com outros 65 reitores de instituições federais de ensino superior.

Sua função é articular os reitores para implementar as demandas trazidas pelos integrantes de suas universidades. A Andifes permite que haja diálogo entre as pautas das universidades federais e outros grupos atuantes na educação, como os sindicatos de trabalhadores e de professores, as organizações estudantis, os órgãos do governo e a sociedade em geral.

Via de regra, não é uma entidade marcada fortemente pelo ativismo político e nem por posicionamentos mais contundentes em relação ao descaso dos governos. Portanto, a saída dos desertores serve apenas para a criação de um “fato político” para as bases extremistas do governo, afinal, é certo que a contribuição desses falsos dirigentes é mínima para o campo da educação.

O prejuízo não é necessariamente para essas figuras, já que não tiveram um mínimo de respeito com suas próprias comunidades e nem a preocupação em manchar o próprio currículo, sobrepondo a ganância pela posição (ou outras pretensões em relação ao governo Bolsonaro). Também não significa que sua ausência será efetivamente notada, já que sua contribuição ao conjunto das universidades federais beira a zero. Quem sai prejudicada é a instituição comandada por esses membros oportunistas, já que perdem a inserção em um espaço de interlocução com a comunidade universitária de todo o país.

 

Os partidários do “sem partido”

Assim como acontece nos debates dos projetos conhecidos como “Escola sem partido” ao redor do Brasil, que visam cercear a liberdade de ensino, a postura dos reitores-interventores se baseia em questões externas ao debate da educação, tendo apenas motivações políticas e ideológicas (e, novamente, oportunistas).

Acusando tudo de “partidário” ou “ideológico” (termos evocados quando são derrotados na argumentação racional), são os extremistas que politizam as discussões da educação, em vez de priorizar a melhoria e a expansão do ensino superior federal.

A autonomia universitária é uma das premissas da gestão das instituições de ensino, permitindo que elas produzam conhecimento voltado aos interesses do povo, e não ao governo de plantão. Bolsonaro vem tentando destruí-la ao nomear reitores-interventores ambiciosos.

A nossa UFPR correu esse mesmo risco durante o processo de escolha da gestão da reitoria no final de 2020, mas a resistência das entidades representativas e da comunidade acadêmica impediu que esse projeto fosse implementado por aqui.

O que talvez alguns desses interventores não perceba é que o projeto autoritário, truculento e anti-educação do governo atual está ruindo, envolvido em escândalos de corrupção (já notado pela ampla maioria da população), ineficácia e centenas de milhares de mortes evitáveis na pandemia de Covid-19. O presidente enfrenta derretimento de seu apoio popular e agora recorre às ameaças à Democracia, às fake news sobre urnas e ao encontro com políticos estrangeiros neonazistas para manter sua base radical.

Quando tudo isso passar e esses reitores-interventores perderem o cargo que receberam por suas posições extremistas, sem nenhum esforço ou mérito, a história deverá reservar a eles o ostracismo acadêmico (é o mínimo que merecem). Serão párias nas instituições de ensino. Mas o tenebroso e lastimável papel que estão cumprindo neste período triste da história do Brasil e das universidades federais nunca será apagado.

Fonte: APUFPR

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28 de julho de 2021

Insalubridade e periculosidade serão pagosOs adicionais de periculosidade, insalubridade e raio-x durante o trabalho remoto estão sendo, enfim, pagos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) aos docentes, após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) conceder tutela antecipada em uma ação civil pública impetrada pela APUFPR.

As gratificações serão implementadas integralmente na folha de pagamento de agosto. Mas a situação só foi possível a partir da movimentação da APUFPR.

Apesar da decisão ter sido proferida em 11 de junho de 2021, indicando que os valores deveriam ser pagos adiantadamente; e a Advocacia Geral da União (AGU) ter lido a intimação em 21 de junho, a UFPR ainda não havia cumprido a decisão. Os pagamentos seguiam em atraso.

Compreendendo a importância dessa decisão para os docentes, que enfrentam os desafios do ensino remoto em meio à pandemia da Covid-19, a APUFPR reforçou junto à Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe) da Universidade a necessidade da imediata implementação.

Assim, os docentes voltarão a receber adicionais de insalubridade, periculosidade e raio-x de forma integral durante o período de trabalho remoto, bem como o adicional de trabalho noturno, quando comprovada a necessidade de manutenção do serviço no período da noite.

O mérito do recurso ainda será analisado pelo Tribunal.

Fonte: APUFPR

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23 de julho de 2021

Live Panorama das Universidades Federais no contexto das atuais politicas educaionaisConvidamos a comunidade acadêmica a participar da live “Panorama das universidades federais no contexto das atuais políticas educacionais”, que será promovida pela APUFPR na próxima segunda-feira (26).

A conversa será transmitida pelo Youtube e Facebook APUFPR SSind – YouTube, e contará com a presença da professora Maria Beatriz Luce, titular de Política e Administração da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e das professoras Yvelise de Freitas Arco-Verde e Maria Tereza Carneiro Soares, do Departamento de Planejamento e Administração Escolar (Deplae) da UFPR.

A live será mediada pelo professor Ângelo Ricardo de Souza, do Deplae da UFPR, e terá como foco a graduação, a partir do princípio do acesso à Educação Superior como um bem público social, um direito humano e universal, e um dever do Estado.

Maria Beatriz, que compõe a Comissão da Conferência Mundial de Educação Superior, trará o panorama nacional e internacional das universidades, avaliando os impactos da Covid-19 sobre as instituições, e o papel delas na construção de horizonte sustentável, alinhado com os preceitos da Agenda 2030.

Yvelise discutirá sobre Formação Continuada nas licenciaturas, demonstrando a pertinência de fomentar um espaço de diálogo entre a Educação Básica e a Educação Superior.

Já Maria Tereza, que é coordenadora de Políticas de Graduação da PROGRAD, apresentará o panorama dos cursos de graduação na UFPR e os impactos do sucateamento progressivo enfrentado pela universidade, desde 2016, em todas as áreas de conhecimento da instituição, prejudicando os estudantes. Ela também discutirá a questão curricular.

O objetivo da live é refletir sobre o papel das universidades perante os atuais desafios da humanidade e do planeta, a partir do entendimento que o acesso, o uso e a democratização do conhecimento são um bem social, coletivo e estratégico, e que é essencial que as instituições tenham a estrutura básica. Só assim, poderão garantir a construção de uma cidadania plena e a emancipação social dos indivíduos.

Participe de nossa live e divulgue:

LIVE – “Panorama das universidades federais no contexto das atuais políticas educacionais”
Quando: 26/7 (segunda-feira)
Horário: 19h
Onde assistir: No Youtube e no Facebook da APUFPR

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21 de julho de 2021

Na terça-feira (20), o ministro da Educação, Milton Ribeiro (sim, pode parecer surpresa, mas há um ministro titular na pasta), durante pronunciamento em rede nacional, tentou manipular a opinião pública para buscar apoio ao retorno imediato às aulas presenciais.

Segundo Ribeiro, ele não tem poder para determinar o retorno presencial das aulas, caso contrário já o teria feito. Usando tom impositivo, o ministro tenta falar diretamente para a base extremista do governo e para setores empresariais que vêm lhe cobrando medidas mais enérgicas para forçar o retorno às atividades presenciais. Sem apresentar qualquer embasamento científico, ele afirmou que a vacinação de toda a comunidade acadêmica não pode ser condição a reabertura das instituições de ensino. De forma simplista, falou em álcool gel e outras medidas que, todos sabemos, são insuficientes.

Em sua retórica dúbia, ele disse que o MEC forneceu “protocolos sanitários”. Protocolos. Não quer dizer que forneceu as condições materiais e objetivas suficientes para garantir minimamente a segurança das comunidades, seja na educação básica ou na superior.

Como garantir a segurança em salas apertadas que precisam comportar dezenas de estudantes? Como garantir a higienização constante de equipamentos, ambientes sem trabalhadores em quantidades suficientes para isso?
Para ludibriar a opinião pública, Ribeiro usou a tática de citação de outros países, especialmente os europeus, como exemplos de retorno às atividades presenciais. Certamente, ele não citou que em nenhum desses países o governo empenhou esforços significativos para prolongar a crise em vez de combatê-la (acreditando que colheria benefícios futuros) ou que se negou a comprar vacinas por dezenas de vezes ainda no ano passado, para priorizar as negociações de compras superfaturadas de imunizantes. E nem que o seu principal mandatário promove aglomerações com fins políticos, desincentiva o uso de máscaras e o isolamento social, e ainda incentiva que as pessoas não se vacinem ao questionar, quase diariamente, a eficácia da imunização em massa (mesmo que esteja amplamente comprovada).

De forma demagoga, Ribeiro citou a OCDE para afirmar que o “fechamento traz consequências devastadoras”. É óbvio que há e haverá impactos. Mas um governo que trata a educação como inimiga traz consequência ainda mais devastadoras, afinal, a Educação tem o menor orçamento da década e os abusivos cortes ocorridos no ensino superior, com redução em mais de 1/3 das verbas recebidas em relação a 2020 (que já eram insuficientes), colocam em risco o funcionamento das universidades federais.

Ao mesmo tempo, em março deste ano usou R$ 140,9 bilhões do Tesouro para abater juros da dívida pública (recursos do superavit financeiro em operação autorizada pela Emenda Constitucional 109, oriunda da PEC Emergencial). Até agora, o governo destinou R$ 749 bilhões dos R$ 2,2 trilhão para pagamento de refinanciamento e amortização da dívida pública federal.

Em momento algum Ribeiro fez menção aos esforços dos profissionais da educação para garantir o acesso dos estudantes à educação em todos os níveis, apesar da falta de estrutura e do boicote do próprio presidente, que vetou integralmente o projeto que asseguraria internet grátis a alunos e professores da rede pública. Foi novamente derrotado pelo Congresso, que derrubou o veto para garantir os recursos para viabilização do projeto.

Em momento algum citou o papel das universidades públicas que, ao contrário das visões negacionistas, vêm desenvolvendo pesquisas sobre o novo Coronavírus e, principalmente, empenhando esforços para encontrar soluções efetivas para conter a pandemia, com o desenvolvimento de vacinas, testes mais eficazes e inúmeros estudos que orientaram autoridades e a população a adotar procedimentos mais seguros. Também não citou o papel que os hospitais universitários vêm desempenhando, seja na participação nos testes de imunizantes ou como centros de referência no atendimento a pacientes de Covid-19.

“Estamos preparados” afirmou, tentando passar um ar de confiabilidade que sua gestão não tem. Não ministro, as mais de 540 mil mortes por Covid-19 comprovam que o governo não está e nunca esteve preparado para enfrentar a crise sanitária.

Vale lembrar que nenhum país citado por Ribeiro apresenta a mortalidade em virtude da Covid-19 tão alta como aqui no Brasil, onde a pandemia já ceifou mais de 540 mil vidas. O Ministro esqueceu de comentar que nos referidos países a vacinação começou ainda em 2020, e que todos os protocolos de isolamento social e segurança foram adotados para conter a pandemia.

Como se não bastasse, abstraiu completamente a mortalidade de professores, estudantes e outros profissionais que atuam na Educação aqui no Brasil, e que muitos docentes receberam até agora apenas a primeira dose de vacina, sendo que no ensino superior o processo começou apenas em junho de 2020, seguindo o Plano Nacional de Vacinação (ao qual temos severas críticas).

Ainda, esqueceu de mencionar que não há qualquer perspectiva de imunização dos nossos estudantes (com duas doses ou com a vacina de dose única). Segundo o Memorial às vítimas do Coronavírus da UFPR, 36 membros da nossa comunidade morreram em decorrência da doença. Certamente, muitos outros nomes não estão ali e cada falecimento nos traz uma dor imensa. Já na educação básica, constam mais de 240 educadores no Memorial criado pela APP Sindicato (entidade que representa os trabalhadores em educação pública do estado Paraná). E há ainda todos aqueles que faleceram e atuavam nas redes públicas municipais e nas instituições privadas de ensino de todo o país.

Forçar a presença de dezenas de milhões de estudantes e milhões de profissionais da educação em ambientes sanitariamente inseguros, forçando o contato com o restante da população em transportes públicos, só vai contribuir para aumentar a tragédia brasileira.

 

 

Diretoria da APUFPR
21 de julho de 2021

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19 de julho de 2021

ProfMariaBerenice_APUFPR_1A APUFPR lamenta profundamente o falecimento da professora Maria Berenice Reynaud Steffen, no último sábado (17). Mais uma vítima de Covid-19 no Paraná.

A trajetória de Maria Berenice foi entrelaçada com a UFPR. Foi na universidade que se graduou em Biologia, realizou doutorado em Ciências – Bioquímica e pós-doutorado em Sistema de Reparo SOS em Herbaspirillum Seropedicae.

Atualmente, era docente titular do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, no Setor de Ciências Biológicas da UFPR, cargo que ocupava há mais de 25 anos.

Dedicada, orientou 27 mestres, 12 doutores e 8 pós-doutores, além de alunos de iniciação cientifica. Em sua produção intelectual, constam diversos artigos científicos e capítulos de livros, inúmeros trabalhos apresentados em congressos e eventos científicos, e desenvolvimento de patentes.

Sempre foi muito admirada e querida pelos alunos. Na graduação, Maria Berenice ministrava aulas para diferentes cursos no Setor de Ciências Biológicas e, no curso de Medicina, era responsável pela disciplina de Bioquímica I.

Como cientista, participava do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Fixação Biológica de Nitrogênio e era coordenadora local da rede de cooperação acadêmica para o estudo e desenvolvimento de ferramentas para genômica estrutural e funcional e do Convênio Capes/FCT – Brasil/Portugal.

Maria Berenice coordenava o PPG em Ciências – Bioquímica. Também foi chefe do Departamento de Bioquímica, membro do Conselho Universitário (COUN) e Conselho de Planejamento (COPLAD). Auxiliou a fundação do PPG em Bioinformática, em 2008-2009.

Neste momento difícil, a APUFPR manifesta sua solidariedade aos seus familiares e amigos, e guarda com carinho as lembranças dessa estimada colega.

 

Colegas de Setor e Departamento deixam palavras de homenagem:

“A Bere foi um dos seres humanos maravilhosos que eu conheci. Ela amava as pessoas e os animais, era carinhosa, solidária, se preocupava com o próximo e era sempre guerreira. Todos nós (quem conhecia e quem não conhecia) perdemos um ser humano iluminado” (Profa. Rose Adele Monteiro).

“A comunidade acadêmica perde uma profissional de referência no ensino e na pesquisa, e todos nós do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular perdemos uma colega fantástica, sempre conciliadora e disposta a ajudar alunos, professores e servidores técnico-administrativos. A querida professora Bere vai nos fazer muita falta, e nos cabe agora transformar a saudade em estímulo para darmos continuidade ao seu belíssimo trabalho.” (Prof. Rodrigo Vassoler Serrato).

“Tive o privilégio de conviver com a Bere durante mais de 25 anos, desde sua trajetória como estudante da PPG Bioquímica e depois, como docente. Sempre atuou como uma profissional exemplar, ética e extremamente colaborativa em todas as funções que exerceu. Com ela, tivemos exemplos de bem viver, de viver em prol da vida simples, da vida com amorosidade para com o próximo… Nos deixa um vazio e muitas saudades… Para um encontro na Eternidade.” (Profa. Joana Léa Meira Silveira).

“Sempre comprometida e participativa, sabia mobilizar e incentivar os alunos e colegas de trabalho, sem deixar de ser carismática. Por isso, todos nós que trabalhamos com ela, também nos tornamos seus grandes amigos e sempre pudemos contar com sua ajuda, no trabalho e fora dele. Difícil passar pela sala e os laboratórios e não a ver mais…” (Prof. Leonardo Magalhaes Cruz)

“Professora dedicada, incansável, ética, preocupada com a formação de seus alunos e que, ao mesmo tempo, conseguia conquistá-los com sua simpatia. Sua conduta e suas atitudes na vida pessoal e profissional fizeram dela uma inspiração para seus alunos e para todos os que puderam ter o privilégio de conviver com ela. O seu legado e as lembranças irão permanecer dentro de cada um que a conheceu e trabalhou com ela. Uma grande amiga generosa e que fará muita falta. A ela, todo nosso carinho e admiração.” (Profa. Maria Eliane Merlin Rocha).

“Eu poderia preencher folhas e mais folhas para descrever as qualidades da Bere, entretanto, neste momento somente uma palavra parece explicar um pouco o sentimento que acredito, todos nós compartilhamos: Perda. Perda de uma professora/orientadora responsável e dedicada. Perda de uma pesquisadora séria e correta. Perda de uma amiga querida. Mas, principalmente, perda de uma pessoa especial, um ser humano que fazia a diferença e que tornava este um mundo melhor. Saudade, amiga!” (Profa. Leda Chubatsu).

“Tive o prazer de conviver mais de perto com a professora Maria Berenice nos últimos dois anos nas sessões do COUN e COPLAD. Sempre solícita, competente, gentil, doce e amável com todos, representou para mim um exemplo de colega e ser humano fantástico! Deixará imensas saudades no Setor de Ciências Biológicas. Perdemos uma grande cientista e pessoa maravilhosa! Que os anjos a recebam em festa no céu!” (Profa. Andréa E. M. Stinghen).

 

Fonte: APUFPR

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14 de julho de 2021

Cresce investimento em ciência no MundoOs valores direcionados à ciência aumentaram em 19% ao redor do mundo, entre os anos de 2014 e 2018. É o que aponta o novo Relatório de Ciência da Unesco, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar desse aumento acontecer de forma desigual – 63% do investimento é referente somente à China e aos Estados Unidos –, países de diferentes continentes tiveram progressões em relações aos anos anteriores, demonstrando a importância da ciência para o progresso da humanidade.

Além de economias consolidadas, como Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Israel, países emergentes como Egito, África do Sul, Tailândia, Vietnã e Emirados Árabes Unidos se destacam.

Ainda sem dados concretos, o documento também aponta a tendência de crescimento desses números nos anos posteriores à pesquisa, principalmente em virtude dos gastos originados pela emergência da pandemia de Covid-19.

Brasil na contramão

O Brasil, como se tornou padrão nos últimos anos, foi na contramão do movimento: considerando o mesmo período de análise, o país investiu somente 1,26% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisas científicas, enquanto a média mundial é de 1,79%.

É importante destacar que a América Latina, como um todo, reduziu o seu investimento na área: de 0,73%, a porcentagem passou para 0,66%.

O relatório também aponta a disparidade do Brasil em relação ao número de pesquisadores: são somente 888 por milhão de habitantes, enquanto a média mundial é de 1.368.

Só para comparação, no topo do ranking está a Coreia do Sul, com 7.980; a União Europeia concentra 4.069 e a Argentina, nosso país irmão, tem 1.192.

Cenário de catástrofe

É importante considerar que de 2018 (ano da pesquisa) até agora, a situação piorou no nosso país, demonstrando que o Governo Federal não aprendeu nada com as demais nações, e nem mesmo com a pandemia, que escancarou a necessidade do fomento e valorização da ciência e da tecnologia.

Desde 2019, 25% do orçamento das universidades e institutos federais foi cortado, apesar de serem responsáveis por 95% das pesquisas do Brasil.

Em janeiro de 2021, um canetaço do presidente Jair Bolsonaro retirou R$ 9 bilhões da área de ciência e tecnologia, 28,7% em relação ao ano passado e no meio de uma crise sanitária que demanda o desenvolvimento rápido de soluções.

Já em março, o orçamento anual foi aprovado com cortes de 18% no ensino superior brasileiro ainda em 2021, colocando em risco o funcionamento das universidades federais.

O objetivo do governo é mesquinho e cruel: atacar pesquisadores, em virtude do “perigo” que a ciência representa à sua gestão, que se sustenta na base de dados falsos e distorções da realidade.

 

Fonte: APUFPR


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