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12 de janeiro de 2022

Nota conjunta pelo passaporte vacinal na UFPR

O Brasil está vivendo, desde o começo de 2020, este que pode ser o momento mais dramático de sua história. A pandemia de Covid-19 custou ao nosso país mais de 620 mil vidas.

A imensa maioria dessas perdas poderiam ter sido evitadas se nosso país tivesse seguido preceitos científicos e epidemiológicos básicos, baseados em diversos estudos amparados por conceitos teóricos e práticos reconhecidos internacionalmente.

Apesar dos avanços significativos no enfrentamento à crise sanitária, decorrentes do esforço daqueles que apostaram na ciência e na valorização da vida acima de tudo, o surgimento de novas variantes do novo Coronavírus e o negacionismo, usado como arma política pelo Governo Federal e por setores extremistas da sociedade que o apoiam, continuam mantendo o quadro alarmante, que exige de todos nós precaução e, acima de tudo, responsabilidade.

Por isso, as entidades que assinam essa nota vêm a público manifestar seu apoio à proposta de implementação do ‘passaporte vacinal’ em todos os espaços da Universidade Federal do Paraná.

A exigência da comprovação do esquema vacinal completo (salvo para aqueles que não podem se vacinar por motivo de força maior) vai trazer segurança a toda a comunidade acadêmica, incluindo docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes, trabalhadores terceirizados, além de suas famílias e todo o conjunto da sociedade.

O enfrentamento a uma crise com essa magnitude não pode se basear em decisões individuais. Requer um compromisso coletivo, e a vacinação em massa, neste momento, é a principal expressão desse compromisso, especialmente para proteger os grupos mais vulneráveis e aqueles mais suscetíveis ao desenvolvimento das formas mais graves da doença (cujas causas ainda não foram completamente desvendadas pela comunidade científica internacional).

Essa deliberação também estaria amparada legalmente pela decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que garantiu a autonomia das instituições federais de ensino para exigir o passaporte vacinal como condicionante para retorno às atividades presenciais, suspendendo o despacho do Ministério da Educação que proibia a exigência dos comprovantes de vacinação em universidades.

Mesmo que a vacinação em massa ainda não seja suficiente para erradicar definitivamente a circulação do vírus neste momento (pelos motivos expostos anteriormente), ela é o principal fator para a redução da letalidade de uma doença altamente contagiosa, cuja variante Ômicron, que já se tornou predominante no Brasil, se multiplica 70 vezes mais rápido nas vias aéreas (conforme estudos da Universidade de Hong Kong). Outro estudo, do Imperial College de Londres, mostrou que ela tem 5,4 vezes mais chances de causar infecção do que a variante Delta.

Na capital paranaense, Curitiba, onde a vacinação estava contribuindo para a redução da quantidade de pessoas contaminadas – que atingiram em 22 de dezembro o menor patamar desde março de 2020, com 720 casos ativos -, voltou a superar a casa dos 8 mil casos ativos na última terça-feira (11).

Há ainda que considerar a epidemia do vírus H3N2, variante do vírus influenza, que tem causado séria preocupação na comunidade científica, principalmente porque pode agravar o quadro de pessoas contaminadas pela Covid-19.

Parabenizamos todas as comunidades universitárias das instituições de ensino superior do país que tiveram a responsabilidade (e também a coragem) de implementar a exigência de passaportes vacinais, porque colocaram a vida das pessoas em primeiro lugar.

Nenhum direito pode se sobrepor ao direito à vida.

Desde já, expressamos nosso compromisso em tomar medidas que possam vir para ferir a autonomia universitária, princípio este garantido pela Constituição Federal, e esperamos que todas as esferas de poder e demais instituições tenham a mesma compreensão sobre a necessidade de decisões que venham para proteger a vida das pessoas.

A exigência da vacinação completa e atualizada é um compromisso social e coletivo com a saúde pública, com a ciência, com a educação, e com esta e as próximas gerações.

Assinam esta nota:
Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR)

Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Paraná (Sinditest-PR)

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Paraná (DCE-UFPR)

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2 de dezembro de 2021

MULHERES PELO FORA BOLSONARO | BOLSONARO NUNCA MAIS!

A APUFPR, a Frente Feminista de Curitiba e RMC convida todas, todos e todes a estarem nas ruas conosco dia 04/12, compondo o ato Bolsonaro Nunca Mais!

No cenário de mais de 600 mil mortes devido à pandemia do covid-19, mulheres trabalhadoras (e, em especial, mulheres pretas trabalhadoras) são as que mais sofreram e sofrem com o aumento da fome, do preço dos alimentos básicos, do gás de cozinha, da gasolina e da violência policial que acompanha nosso dia-a-dia.

O cenário de miséria que temos vivenciado gerou, em todo país, uma série de mobilizações populares pela derrubada do governo Bolsonaro-Mourão.

Venha compor a luta conosco!

Fora Bolsonaro e Mourão!

 

Fonte: APUFPR

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22 de novembro de 2021

No sábado (20), o Dia da Consciência Negra foi marcado por manifestações em mais de 100 cidades em todas as regiões do país, que uniram as demandas da luta antirracista e da valorização da cultura negra com a campanha Fora Bolsonaro, que vem ocupando as ruas do Brasil há alguns meses.

Confira aqui a galeria de fotos

Em Curitiba, o ato ocupou as ruínas São Francisco, no setor histórico do Largo da Ordem, com música, faixas e bandeiras, e contou com a participação da APUFPR.

Além da resistência negra, as pautas do ato também incluíam o impeachment de Bolsonaro, a defesa da educação defesa dos servidores e dos serviços públicos, e vacina para todos.

Confira o vídeo produzido pela APUFPR:

 

Fonte: APUFPR

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19 de novembro de 2021

APUFPR apresentou ao CEPE e à Administração documento com condicionantes para o retorno às atividades presenciais

Cumprindo com o compromisso assumido na Assembleia Geral Extraordinária realizada de forma emergencial ontem (18), a diretoria da APUFPR levou à Administração da UFPR e ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) o documento contendo o rol de condicionantes dos docentes da Universidade para o retorno às atividades presenciais na instituição.

O encontro com o reitor, Ricardo Marcelo Fonseca, ocorreu no começo da tarde. Na ocasião, ele se comprometeu em abrir espaço para que a APUFPR pudesse se pronunciar e apresentar o documento na íntegra aos conselheiros do CEPE.

Na sequência, a APUFPR participou da sessão do CEPE e fez a leitura ponto a ponto. A sessão continuou e estamos aguardando o resultado dos debates e deliberações.

Confira aqui o documento entregue à Universidade.

Fonte: APUFPR

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19 de novembro de 2021

APUFPR é parceira do Natal sem Fome em Curitiba. Nossa meta é superar o ano passado. Participe!

A APUFPR é parceira na construção de mais uma edição do Natal Sem Fome em Curitiba. Em pareceria com a ONG Ação da Cidadania, desenvolvemos essa iniciativa para estimular a solidariedade e o compromisso social entre a comunidade curitibana, com a arrecadação de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade social que vivem na capital paranaense.

No ano passado, a APUFPR – a partir de intensa mobilização dos seus filiados – arrecadou R$ 4.830,00 e 12 cestas físicas em sua campanha. Com os recursos financeiros, foram adquiridas 69 cestas de Natal junto ao Movimento Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O montante arrecadado (81 cestas) foi entregue diretamente à direção da ONG Ação da Cidadania. Ao todo, 300 famílias foram atendidas.

Em 2021, nosso objetivo é ampliar ainda mais este número, principalmente por considerarmos o avanço da fome no Brasil, em virtude do avanço da inflação e da crise política e social causada pelo governo de Jair Bolsonaro.

Atualmente, 19 milhões de brasileiros se encontram em situação de insegurança alimentar grave, segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

Neste sentido, a APUFPR e a ONG Ação da Cidadania compartilham o entendimento de que garantir a segurança alimentar à população é um requisito na construção de uma sociedade mais justa, e que as mobilizações para alcançarmos esse patamar são indissociáveis de um forte envolvimento político.

 

ONG Ação Cidadania

Fundada em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a ONG Ação da Cidadania é responsável por promover o “Natal Sem Fome” em todas as regiões do Brasil, a maior campanha contra a fome na América Latina. Ao todo, 32 milhões de pessoas já foram assistidas com doações e a oportunidade de um Natal mais digno.

A expectativa é que a campanha de 2021 seja a maior campanha da história da ONG. O objetivo é arrecadar em todo o território nacional pelo menos R$ 30 milhões, para conseguir levar alimentos para as famílias em situação de vulnerabilidade em todo o país. Por isso, a APUFPR convoca todos os seus filiados e filiadas a se engajarem neste movimento, contribuindo com doações e convidando mais pessoas a participar.

Lutamos para construir uma sociedade com menos desigualdade, mas acreditamos que, ao mesmo tempo, temos o dever de contribuir também para reduzir de imediato o sofrimento de quem tem necessidades imediatas.

 

Como fazer doações

Neste ano, a arrecadação de contribuições financeiras e/ou cestas básicas acontecerá de 17 de novembro até 14 de dezembro.

Os alimentos podem ser entregues diretamente na sede da APUFPR (R. Doutor Alcides Vieira Arcoverde, 1193 – Jardim das Américas, Curitiba/PR) nas quartas-feiras, das 9h às 18h, e nas sextas-feiras, das 13h às 18h.

Já as contribuições financeiras podem ser de qualquer valor, e devem ser feitas por transferência bancária ou PIX (dados abaixo). Pedimos que após a transação, envie o seu comprovante para o e-mail [email protected] ou pelo WhatsApp (41) 99503-7963. No fim da campanha informaremos o número de cestas doadas bem como valor de recursos arrecadado.

 

TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA

Banco do Brasil

3262-X

C/C 10886-3

CNPJ 76.709.096/0001-23

Associação dos Professores da UFPR

PIX

CNPJ 76.709.096/0001-23

 

Fonte: APUFPR

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18 de novembro de 2021

Bolsonaro confirma interferência no Enem: “começa a ter a cara do governo”

Em declarações dadas à imprensa em Dubai – Emirado Árabe escolhido pelo governo brasileiro para ampliar sua vergonha mundial – o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o conteúdo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começa “a ter a cara do governo”, admitindo explicitamente que há intervenção ideológica na elaboração de provas que deveriam ser baseadas em critérios técnicos e pedagógicos.

Além de cometer um ‘sincericídio’, Bolsonaro acabou “acertando” na análise. Afinal, o Enem tem sim cada vez mais a cara de seu governo: cada vez mais desorganizado, desigual e pautado por interesses alheios à educação e ao interesse público.

Quem sabe o próximo passo do governo de Jair Bolsonaro para o seu Enem seja a inclusão de questões com bases vindos de Olavo de Carvalho e de Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Na cabeça do governo, essa interferência no conteúdo do Enem poderia servir para fazer uma “triagem” prévia dos futuros estudantes universitários.

 

Revolta de servidores no Inep

Prevista para os dias 21 e 28 de novembro, a edição de 2021 do Enem teve inúmeros problemas desde sua elaboração, marcada por problemas de organização, intervenções ideológicas e intimidação de servidores.

A censura a conteúdos pedagógicos por parte do Governo Federal tornou-se pública no começo de novembro, quando 35 servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo conteúdo do Enem, pediram demissão em protesto.

Em entrevistas posteriormente concedidas sob anonimato, os servidores confirmaram que o conteúdo da prova foi censurado pelo Governo Federal, que interveio em mais de 20 questões da primeira versão da prova elaborada.

Não por acaso, a censura tinha como alvo questões com conteúdo histórico e socioeconômico: para Bolsonaro, a boa educação é aquela que ensina a obedecer e aceitar, não a pensar e transformar.

As questões do Enem são elaboradas por professores escolhidos por edital. Após sua produção, são enviadas a um banco de dados, sendo filtradas posteriormente por técnicos do Inep com base na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nas competências exigidas para o ensino superior.

O processo todo sempre foi conduzido em sigilo, para garantir que o conteúdo não vaze antes da realização da prova. Com as interferências de Bolsonaro, no entanto, esse processo tem sido cada vez menos seguro e organizado.

Segundo os servidores que se demitiram, houve diversas pressões do Executivo, que aumentou muito o número de pessoas com acesso à prova e chegou a enviar um policial federal para pressionar os técnicos.

 

Enem mais desigual da história

Da mesma forma como ocorre em outras áreas de seu governo, o presidente Bolsonaro atua e se pronuncia neste caso com olhos voltados à sua base de apoiadores mais extremistas, sobretudo nas redes sociais.

Buscando sempre mantê-los mobilizados e coesos, o governo e seu “gabinete do ódio” utilizam-se das polêmicas vazias das chamadas “guerras culturais” para desviar o foco de um país que a cada dia está mais em crise social e econômica.

Com isso, o Enem está mais excludente e desigual. A edição deste ano teve o menor número de inscrições dos últimos 14 anos, com apenas 3,1 milhões – o número já foi de 8,7 milhões.

Segundo dados do Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior), 11,7% dos inscritos são pretos, sendo a menor proporção desde 2009, quando o índice era de 6,3%. O exame chegou a ter cerca de 1,1 milhão de inscritos pretos em 2016; em 2021, serão apenas 362,3 mil.

42,2% dos inscritos declararam-se pardos. É o menor percentual desde 2012, quando foram 41,4% do total.

Entre os inscritos com isenção da taxa por declaração de carência houve redução de 77% em relação à última prova. Só 26,5% das inscrições conseguiram a abstenção da taxa por situação de vulnerabilidade financeira.

 Fonte: APUFPR

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17 de novembro de 2021

Assembleia online no dia 17 debaterá a curricularização da extensãoA APUFPR convoca todos os docentes para participarem da Assembleia Geral Extraordinária, que ocorrerá no dia 17, às 15h, para debater sobre a curricularização da extensão (processo de inclusão de atividades de extensão no currículo dos cursos).

Em virtude das necessidades de isolamento social, os docentes poderão participar da atividade em plataforma online fechada.

 

Como funcionará a assembleia?

A atividade será realizada pela plataforma Zoom, com inscrição prévia no link Clique aqui.

Você receberá a confirmação por e-mail, enviado diretamente pelo Zoom.

Quem não receber o link de acesso por e-mail imediatamente ou tiver alguma dúvida ou dificuldade para participar na reunião deve entrar em contato pelo WhatsApp (41) 98780-4845.

A primeira chamada será às 15h, com a presença de metade dos docentes, e a segunda chamada às 15h30, com qualquer quórum.

 

Assembleia Geral Extraordinária Virtual

Data: 17/11/2021 (quarta-feira)

Horário:

Primeira chamada: 15h, com metade dos docentes;

Segunda chamada: 15h30, com qualquer quórum

Endereço: A atividade será pela plataforma ZOOM, com inscrição prévia no link https://us02web.zoom.us/meeting/register/tZcpcOCrpjIoGNfhpfvoYzBmkAH1HqfGn9vl

 

Ordem do Dia:

1) Informes;

2) Curricularização da Extensão;

3) Assuntos gerais.

 

Fonte: APUFPR

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16 de novembro de 2021

Dez motivos para ir às ruas no 20 de novembro

1 – É o Dia nacional da consciência negra, momento que rememoramos os feitos de Zumbi dos Palmares e a luta do povo negro contra a escravidão, o racismo e a marginalização social, econômica e política.

2 – Estos sob o cerco de um governo de feições nazifascista. O fascismo são faces odiosas do racismo.

3 – É inerente da luta contra o racismo combater governos com o caráter como o de Jair Bolsonaro.

4 – Bolsonaro estimula o ódio, a violência, especialmente entre os profissionais de segurança pública e privada.

5 – Bolsonaro é responsável pela fúria que a pandemia assumiu no Brasil. Foram mais de 600 mil vidas perdidas, a maioria vidas negras, moradores de favelas, comunidades e periferias.

6 – Bolsonaro é responsável pelo retorno da fome ao Brasil, fator que atinge em cheio a população negra, pobre e periférica.

7 – O governo Bolsonaro tem como marca a liquidação de empregos e direitos.

8 – Bolsonaro é o responsável pelo fim da aposentadoria para a maioria da população negra brasileira.

9 – Bolsonaro atacou todas as políticas de igualdade racial. Além disso, humilhou a população negra ao colocar Sérgio Camargo na Fundação Palmares.

10 – Sob o governo Bolsonaro, a titulação de territórios quilombolas atingiu o menor nível da história.

20/11 todas e todos nas ruas
Curitiba
Ruínas de São Francisco às 15 horas

Fonte: APUFPR

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10 de novembro de 2021

Solidariedade aos cientistas que recusaram condecoração do governo Bolsonaro

Desde o começo da epidemia de Covid-19, ainda no ano passado, o Brasil vem convivendo com o negacionismo científico do governo de Jair Bolsonaro que transita entre o charlatanismo e ameaça à saúde pública de toda a população.

Entre cortes de recursos para esvaziar a pesquisa nacional (inclusive de vacinas contra o novo Coronavírus) e a falta de rumo de um setor comandando por um ministro ex-astronauta (Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia) classificado como burro por outro ministro, o ‘posto Ipiranga’ (Paulo Guedes, da Economia), o Brasil segue vivendo uma chanchada comandada por gente caricata (que parece saído de um filme dos anos 80) e, ao mesmo tempo, perigosa.

Por isso, muitos cientistas renomados que foram elencados para receber a medalha de Ordem do Mérito Científico das mãos do governo de Jair Bolsonaro estão recusando a condecoração justamente por considerar que não é lá muito mérito ser lembrado por um governo que trata a ciência como sua inimiga.

 

Para piorar, o autoritarismo corriqueiro

Diferentemente das democracias, onde premiações e condecorações são usadas para valorizar pessoas que desempenharam algum papel de destaque, governos inclinados à tirania (categoria na qual se enquadra o governo de Jair Bolsonaro) usam essas distinções principalmente para massagear o ego de apoiadores, garantindo uma sobrevida à fidelidade, especialmente diante de atos cruéis e desumanos (4 em cada 5 das 600 mil mortes por Covid-19 é suficiente para se encaixar nisso).

Não à toa, o governo atual distribui comendas, medalhas e honrarias aos membros do próprio governo e a pessoas do seu círculo fiel, incluindo políticos, esposas, youtubers, disseminadores de fake news, empresários investigados etc. Uma farra para massagear egos e manter olhos fechados de quem não quer enxergar a realidade.

Ao mesmo tempo, um governo tirano veta politicamente pessoas que poderiam ser condecoradas por mérito, mas não são alinhadas – ou são críticas – ao governante.

É justamente isso que ficou comprovado em um novo arroubo autoritário do presidente Bolsonaro, que resolveu revogar a concessão das medalhas de Ordem do Mérito Científico ao médico infectologista Marcos Vinícius Larceda, da Fiocruz, e à diretora do Instituto Leônidas & Maria Deane da Fiocruz, Adele Schwartz Benzaken, dois dias depois de publicar os nomes no Diário Oficial da União.

Evidentemente que não faltavam atributos a ambos pela valorosa contribuição ao desenvolvimento da ciência brasileira. Só que seus estudos são exemplos dos motivos pelos quais Bolsonaro odeia a ciência: revelam os crimes do governo e provam fatos que não podem ser refutadas por memes de internet ou fake news.

Lacerda foi um dos responsáveis pela pesquisa, no Amazonas, que apresentou evidências sobre a ineficácia do uso da cloroquina no tratamento de pacientes graves com Covid-19. Uma das descobertas é de que altas doses do medicamento em casos graves podem ter contribuído para acelerar a morte de pacientes. Já Adele Benzaken deu relevantes contribuições na formulação de políticas públicas para o Controle de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), HIV e Hepatites Virais (lembrando que Bolsonaro tentou espalhar uma mentira sobre a ligação entre a vacinação e a AIDS, causada pelo HIV).

“Fica evidente que o governo federal fez a cassação depois de saber que os dois cientistas renomados conduziam pesquisas cujos resultados contrariavam interesses de políticas governamentais, agindo como censor da pesquisa, sem o devido respeito à verdade científica e à diversidade”, afirmou a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que compõe o comitê científico que escolhe a lista de condecorados junto com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e o Governo Federal.

 

Postura ética na atual conjuntura, isso sim merece valorização

Até agora, mais de 20 cientistas renunciaram às medalhas da Ordem do Mérito Científico, tanto por não considerarem condizentes com suas trajetórias como em solidariedade aos cientistas destituídos da honraria e perseguidos por Bolsonaro e seus apoiadores.

Um grupo desses cientistas que seriam homenageados publicaram uma nota com as justificativas que os levaram a recusar a condecoração. Um dos que assinaram a nota coletiva é o professor Aldo José Gorgatti Zarbin, da UFPR, que estará presente na nossa reunião de pesquisadores contra os cortes no dia 18.

Nada mais justo que, no futuro, esses mesmos cientistas sejam novamente elencados para receber a honraria das mãos de um outro governo que apoie a ciência.

A Ordem foi instituída por decreto em 1993 para prestigiar brasileiros e estrangeiros que ganharam destaque por suas contribuições na área da ciência ou tecnologia. Mesmo com alterações posteriores, manteve a prerrogativa de o presidente da República ser sempre o Grão-Mestre da Ordem, e o ministro da Ciência e Tecnologia sempre o Chanceler. Há duas classes de condecoração: a da Grã-Cruz, que tem 500 vagas, e a de Comendador, com 800 vagas. A lista de nomes publicados (28 para a primeira classe e dez para a segunda) foi estabelecida em 2019, mas o governo estava segurando (justamente para não valorizar os cientistas). Agora, muito convenientemente, resolveu liberar as honrarias bem no momento em que é extremamente criticado por seu negacionismo científico.

 

Mas vejam só

Mesmo cometendo todo tipo de ataque à ciência, Jair Bolsonaro condecorou a si mesmo com o mais alto título da Ordem Nacional do Mérito Científico: o grão-mestre. Muitos ficaram chocados com a notícia (já que soa como uma gigante hipocrisia), mas, nesse caso a honraria é quase ‘automática’, Bolsonaro apenas seguiu uma regra que já vale há quase de três décadas (além disso, ser hipócrita é algo que não incomoda o presidente).

Talvez ele se satisfaça com mais essa auto-honraria para massagear o próprio ego junto a tantas outras, especialmente porque não pretende ser coerente o suficiente para abrir mão de algo que ele mesmo sabe que não tem mérito algum para receber (como dissemos anteriormente, isso não incomoda essa gente).

 O que ele poderia fazer para não envergonhar ainda mais a ciência nacional (embora tenhamos a sensação de que passar vergonha é um hobby para ele – Freud explica), era recusar o prêmio a si mesmo. A irônica ‘antipremiação’ de “fóssil do dia” (que existe desde 1999), dada durante a COP26 (conferência climáticas da ONU) por ativistas ambientais internacionais ao presidente brasileiro por seu tratamento “horrível e inaceitável aos povos indígenas” representa a realidade com muito mais fidelidade.

Diretoria da APUFPR

8 de novembro de 2021


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