Tag: ForaBolsonaro

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22 de setembro de 2021

Professores do ensino superior já estão tomando 2ª dose em Curitiba

Professores e profissionais do ensino superior estão finalmente completando sua imunização em Curitiba. É o caso da docente Ednéia Cavalieri, filiada da APUFPR, que seguiu à risca a data prevista para a sua segunda dose.

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba imunizou, até 15/9, 1.397.902 pessoas com a primeira dose da vacina contra Covid-19 ou com o imun

izante de dose única, o que corresponde a 96,1 % da população adulta.

Entre os 1.359.916 curitibanos que receberam a primeira dose, 42.596 são professores e trabalhadores da educação básica e do ensino superior.

No Brasil, apesar de todo o empenho do governo de Jair Bolsonaro para atrasar a vacinação da população (acelerada apenas depois da instalação da CPI da Covid-19, que investiga os crimes do governo na condução a pandemia), os reflexos já são sentidos com a queda da média móvel diária de mortes pela doença.

Professores do ensino superior já estão tomando 2ª dose em CuritibaO avanço é fruto do reconhecimento do papel da ciência e do enfraquecimento da base de apoio do governo Bolsonaro, diante da falência social e econômica do país, e da avalanche de mortes que beira 600 mil vidas perdidas (sendo que centenas de milhares poderia ter sido poupadas caso o governo tivesse tomado medidas para barrar a pandemia, em vez de contribuir para sua proliferação acelerada).

No Paraná, contrariando seu ‘padrinho’ Bolsonaro, o governador Ratinho Jr anunciou que deve começar a vacinas adolescentes acima de 12 sem comorbidades com a primeira dose na semana que vem.

Apesar da lentidão, o avanço da vacinação começa a apontar uma perspectiva de saída da pandemia. Mas ainda é cedo. Até lá, é bom que nossas autoridades e as instituições continuem acreditando na ciência, porque ela vem cumprindo um papel essencial nessa luta diária para preservar vidas.

 

Fonte: APUFPR

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20 de setembro de 2021

APUFPR convoca docentes para intensificar a pressão contra a PEC 32

Diante das declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que afirmou a intenção de levar a PEC 32/2020 para votação na Comissão Especial amanhã (21) a diretoria da APUFPR convoca toda a categoria para intensificar a campanha contra a Reforma Administrativa e enviar mensagens aos parlamentares, para que votem contra a proposta que desmonta o serviço público brasileiro.

As mensagens podem ser enviadas nas plataformas Na Pressão e no Observatório da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, que são sites que também concentram informações sobre a proposta de do governo Bolsonaro, notas técnicas sobre as consequências da aprovação desta PEC, além do levantamento sobre o posicionamento dos deputados que compõem a Comissão Especial da Câmara dos Deputados, onde tramita o projeto antes da votação no plenário.

As ferramentas permitem aos servidores enviar mensagens aos deputados por e-mail, Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp.

A diretoria da APUFPR reforça o chamado a toda a categoria para lotar os meios de comunicação dos parlamentares com mensagens contra a PEC 32.

 

Site na pressão
https://napressao.org.br/campanha/diga-nao-a-reforma-administrativa

 

Observatório da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público

http://frenteparlamentardoservicopublico.org/observatorio-pec-32-2020

 

Recuo

Tanto o governo Bolsonaro como os parlamentares que apoiam a Reforma não têm certeza de que possuem os 308 votos de deputados federais necessários para aprovação da proposta e, por isso, a votação na Comissão Especial foi adiada

A pressão dos servidores e de diversos setores da sociedade civil está fazendo com que muitos deputados não se comprometam com a aprovação da PEC 32.

Além disso, o relator, deputado Arthur Oliveira Maia (DEM-BA), chegou apresentar uma segunda versão de sua proposta, que não contemplou nem a situação e nem a oposição. Por isso, é provável que seja votada a proposta apresentada anteriormente. Embora altere muitos aspectos do texto original construído pelo governo, ela ainda contém inúmeras ameaças e precisa ser derrubada.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o PSOL apresentaram voto em separado para aprovação de textos alternativos. O substitutivo apresentado pelo PT possui diversos mecanismos para proteger os servidores e o serviço público:

– assegura direitos dos servidores e empregados públicos;

– evita abusos remuneratórios;

– retira benefícios concedidos aos membros de Poderes e aos militares;

– garante a participação da sociedade na gestão dos serviços públicos e sobre os atos da administração;

– oferece meios mais democráticos de gestão de pessoal e mediação de conflitos nas relações de trabalho no setor público;

– coíbe a discriminação e apadrinhamento político nas relações de trabalho no setor público;

– impede a ocupação excessiva de cargos civis por militares.

Fonte: APUFPR, com informações da Agência Câmara de Notícias

Nota-de-esclarecimento-a-comunidade-academica-incorporadas-assinaturas-e-complementacoes.jpg
20 de setembro de 2021

Nota de esclarecimento à comunidade acadêmica incorporadas assinaturas e complementações

Esta nota, debatida e construída por diversos ex-coordenadores de área da CAPES, membros titulares no Conselho Técnico Científico da Educação Superior (CTC-ES) e coordenadores da gestão atual, ex-titulares do CTC-ES recém extinto, acompanha a CARTA ABERTA do CTC-ES de 14/09/2021 e esclarece alguns pontos e discorre sobre as últimas Portarias CAPES e seus desdobramentos no processo da Avaliação Quadrienal 2021 e na manutenção da qualidade no Sistema Nacional de Pós-Graduação.

Ela se tornou necessária pela dificuldade de entendimento, compreensível, das repercussões das diversas Portarias publicadas pela Presidência CAPES que possuem forte impacto na Avaliação Quadrienal 2021 e que tiveram restrita participação do CTC-ES. 1-Sobre a Portaria N. 146, de 15 de setembro de 2021.

Esta Portaria possui o objetivo de determinar a regularização da composição do Conselho Técnico- Cientifico da Educação Superior, nos termos do Estatuto da CAPES. Este ato, legal, parece ser amplamente inócuo já que os atos decisórios praticados pelo CTC-ES possivelmente ilegítimos apenas por força da formalidade enquanto vigorou sua composição anterior devem ser objeto de análise, pelo colegiado recomposto, para fins de convalidação.

Essa condição permitirá que todos os atos sejam convalidados de acordo com o artigo 3º desta Portaria. No entanto, em seu parágrafo único, este artigo 3º indica que todas “as decisões de convalidação ou de negativa de convalidação dos atos referidos no caput devem determinar a intimação dos interessados, possibilitando-lhes a interposição de recurso administrativo”. Isto permite que, por exemplo, todas as propostas de cursos novos (APCN) negadas nas Áreas de Avaliação e no CTC-ES (objeto de reconsideração ou não) poderão interpor recurso à Presidência da CAPES, sendo que todas já tiveram esta oportunidade após a negativa de reconsideração no CTC-ES.

2-Sobre a Portaria N. 145 de 10 de setembro de 2021 (Qualis) Há nesta Portaria diversos aspectos não discutidos nas Áreas de Avaliação e que não foram em nenhum momento propostos pelo CTC-ES. Alguns exemplos que impactam seu uso:

a) O artigo 9º sobre violação das boas práticas editoriais possui baixa aplicabilidade e pode ensejar recurso de editoras/periódicos de baixa qualidade no que se refere a sua classificação. Cabe reforçar que o compromisso das áreas é o de manter a qualidade na avaliação o que pode ser comprometido por este artigo. Esta crítica acompanha o Manifesto da Associação Brasileira de Editores Científicos contra esta Portaria divulgado no dia de hoje.

b) O artigo 19º parágrafo segundo permite que áreas usem classificações de periódicos anteriormente reconhecidas em documentos anteriores da CAPES. Aqui há problemas de estrutura, pois o Qualis único proposto na Portaria segue uma organização de 8 estratos não compatível com os estratos utilizados anteriormente (7), apenas para citar um aspecto e mesmo sem falar em procedimentos de classificação.

c) O artigo 20º cria uma situação de forte insegurança e de falta de isonomia entre as Áreas de Avaliação. Este artigo indica que é facultativo o uso da Portaria para classificação dos periódicos pelas Áreas de Avaliação. Ora, o Qualis único com procedimentos discutidos entre os pares garante um mínimo de comparabilidade entre as classificações das áreas; se algumas áreas não seguirem a Portaria que critérios elas seguirão? Por outro lado, foi alertado pela Procuradoria Federal que só classificações ou critérios anteriores ao início do Quadriênio estariam numa situação de garantia legal do aspecto de anterioridade da
avaliação (ainda que seja difícil de entender como só no Qualis Periódicos isso seria necessário e não em todos os procedimentos e critérios de avaliação como as Fichas).

É importante alertar que é facultado aos Coordenadores a escolha pela Portaria ou seguir modelos anteriores. Claramente isso coloca sob a responsabilidade dos Coordenadores de Área a escolha de alterar o Qualis ao longo do quadriênio (ferindo o princípio legal de anterioridade e permitindo que estes Coordenadores sejam objeto de processos/recursos de resultados da avaliação), ou rejeitar os 3 anos de trabalho coletivo (trabalho este apresentado e discutido junto aos Coordenadores de Programas de Pós-Graduação durante os Seminários de Meio-Termo em 2019) e assumir eo ônus de refazer toda a classificação voltando, por exemplo, para os critérios usados na Avaliação Quadrienal 2017.

d) Finalmente, sobre esta Portaria, o artigo 21º rejeita qualquer transparência no processo de avaliação no que diz respeito ao uso do Qualis periódicos, pois prevê que “a divulgação dos resultados do Qualis Periódicos só ocorrerá após a divulgação dos resultados dos julgamentos dos pedidos de reconsideração” impedindo as IES e PPG de verificar a adequada aplicação do Qualis as seus dados. 3-Sobre a Portaria N. 122 de 05 de agosto de 2021 (Regulamento da Quadrienal) Gostaríamos de destacar aqui o artigo 34º que prevê que “para cada programa avaliado, serão designados, mediante sorteio eletrônico aleatório conduzido pela CECOL, dois Relatores”.

Há dois métodos básicos de avaliação, por metas estabelecidas a priori, o que requer que estas tivessem sido estabelecidas com anterioridade ao início do Quadriênio e incorrendo no risco de serem estas metas pouco adequadas na sua aplicação [quem poderia prever em 2016 a Pandemia COVID-19 e seus impactos na produtividade ou formação dos PPGs? Ou ainda, quem poderia prever a enorme redução de recursos financeiros aplicados na pesquisa científica ao longo deste últimos anos (recomendamos aqui a leitura do ótimo texto de Herton Escobar https://jornal.usp.br/universidade/politicas-cientificas/orcamento-2021-coloca-cienciabrasileira-em-estado-vegetativo/)?] ou por avaliação comparativa de resultados entre Programas de Pós-Graduação (metodologia empregue nos últimos anos/décadas pela CAPES).

Neste último sistema, o sorteio de relatores para cada PPG retira a capacidade de avaliar comparativamente os PPGs de uma dada Área já que um relator poderá receber um ou poucos PPGs da maioria das áreas. Além disso, há um aumento na dificuldade do processo de relatoria (cada relator terá que, eventualmente, ler e apreender os documentos e relatórios das outras 48 Áreas para efetuar seu relato). Nas duas situações isto pode permitir a não detecção de equívocos/erros no processo de avaliação dos PPGs por parte das Áreas (que é o objeto de revisão/relatoria). Essa condição, mais uma vez, fere o compromisso de qualidade consolidado entre as Áreas de Avaliação.

A avaliação por pares é a única com legitimidade no âmbito acadêmico sendo esta uma das características primordiais e inalienáveis do fazer científico amplamente reconhecida por todos que se dedicam a esta atividade.

Ex-coordenadores das Áreas de Avaliação no CTC-ES
Alberto Cáudio Habert – UFRJ – Interdisciplinar – (2002 – 2004)
Álvaro Toubes Prata – UFSC – ex-presidente do FOPROP
André Luiz Felix Rodacki -UFPR – Educação Física (2011-2017)
Antônia Pereira-UFBA – Artes (2014-2017)
Armando da Silva Cunha Junior – UFMG – Farmácia (2014-2017)
Augusto Schrank UFRGS – Ciências Biológicas II (2011-2017)
Carlos Alberto Cioce Sampaio – FURB – Ciências Ambientais (2014-2017)
Carlos Alberto de Almeida – Prof. titular aposentado da PUC/RJ – Engenharia III – (1999-2001)
Carlos Fico – UFRJ- História (2011-2017)
Carlos Jose Soares – UFU – Odontologia (2014-2017)
Carmen Gracinda Silvan Scochi USP – Enfermagem (2014-2017)
Dermeval da Hora Oliveira – UFPB – Linguística e Literatura (2011-2017)
Eduardo Cleto Pires USP São Carlos – Engenharia 1 (2014-2017)
Emmanuel Burdmann – USP – Medicina 1 (2000-2008)
Eustogio Dantas – UFC – Geografia (2014-2017)
Guilherme Werneck – UERJ/UFRJ – Saúde Coletiva (2014-2017)
Helcio Orlande -UFRJ – Engenharia 3 (2014-2017)
Jairton Dupont – UFRGS – Química (2005-2010)
José Antonio Rocha Gontijo- Unicamp – Medicina 1 (2011-2017)
José Roberto Lapa – UFRJ medicina 1 (2008-2011)
Luiz Carlos Dias – Unicamp – Química (2010-2013)
Lydia Masako Ferreira – Unifesp – Medicina III (2014-2017)
Maria do Carmo Sobral UFPE – Ciências Ambientais (2011-2016)
Maria Lúcia Garcia – UFES – Serviço Social (2014-2018)
Murilo Romero -USP São Carlos – Engenharia IV (2014-2017)
Nei Yoshihiro Soma – Prof. titular aposentado do ITA – Engenharia III – (2008-2014)
Nelson Maculan – Prof. emérito UFRJ – Ciência da Computação – (1999-2001)
Pedro Pascutti – Carlos Chagas, RJ – Interdisciplinar (2010-2014)
Rita de Cássia Barradas Barata – Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo –
Saúde Coletiva (2008-2014)
Romualdo Luiz Portela de Oliveira – USP – Educação – (2014-2018)
Tânia Araújo Jorge – FioCruz – Ensino (2014-2017)
Valder Stefen Junior – Prof. titular da UFU – Engenharia III – (1995-1998)
Virgílio Bastos – UFBA – Psicologia (2014-2017)
Wilson Gomes – UFBA – Comunicação e Informação (2001-2004)
Atuais coordenadores das Áreas de Avaliação e membros do recém extinto CTC-ES.
Adelaide Faljoni Alário – UFABC, Interdisciplinar
Adriano Lisboa Monteiro – UFRGS, Química
André Pereira Reinert Tokarski – PUC-SP, ANPG
Altair Antoninha Del Bel Cury – UNICAMP, Odontologia
Antonio Eduardo Martinelli – UFRN, Materiais
Bernardo Lessa Horta – UFPEL, Saúde Coletiva
Carlos Henrique de Carvalho – FOPROP
Denise de Freitas – UNIFESP, Medicina III
Edson Fernando D’Almonte – UFBA, Comunicação e Informação
Flávio Augusto Senra Ribeiro – PUC/MG, Ciências da Religião e Teologia
Germana Maria Araújo Sales – UFPA, Linguística e literatura
José Roberto Mineo – UFU, Ciências Biológicas III
Luiz Carlos Federizzi – UFRGS, Ciências agrárias I
Paulo Jorge Parreira dos Santos – UFPE, Biodiversidade
Reinaldo Giudici – USP, Engenharias II
Robert Evan Verhine – UFBA, Educação
Rômulo Dante Orrico Filho – UFRJ, Engenharias I
Ronaldo Lopes Oliveira – UFBA, Zootecnia/ Recursos Pesqueiros
Tercio Ambrizzi – USP, Geociências

 

Fonte: APUFPR

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14 de setembro de 2021

MP das fake news: Bolsonaro quer blindar ódio e crimes na internet

Conforme explicamos detalhadamente em nosso artigo sobre as paranoias infantilizadas que são usadas como armas políticas, as mentiras são os principais instrumentos do governo de Jair Bolsonaro e de seus apoiadores extremistas para manter um público fiel, amedrontado e raivoso.

E não é que Bolsonaro editou uma Medida Provisória (MP) para tentar blindar as milícias digitais que o apoiam?

Com a falsa justificativa de garantir a “liberdade de expressão”, o presidente editou a MP 1.068/2021, que altera o Marco Civil da Internet para proibir que provedores e empresas de redes sociais possam retirar conteúdos ofensivos ou criminosos de suas plataformas – como já ocorreu no caso do próprio Bolsonaro, que teve dezenas de conteúdos removidos por conter informações falsas sobre a Covid-19.

Criticada massivamente por pessoas e instituições das mais diversas posições políticas, a medida passou a ser conhecida como “MP das fake news”, tamanho seu descaramento em atuar explicitamente para proteger as facções que o apoiam, justamente no momento em que a CPI das Fake News avança e bate à porta dos Bolsonaros (Carlos, o filho vereador, é considerado o principal responsável pelo chamado “Gabinete do Ódio”, que seria a organização criminosas responsável por coordenar a extensa redes de mentiras governistas).

Com o STF avançando nas investigações das chamadas milícias digitais, financiadas com dinheiro público, e o TSE também investigando as mentiras difundidas virtualmente nas eleições de 2018, Bolsonaro tenta uma saída para que ele, seus apoiadores e filhos não sejam enquadrados em diversos tipos de crimes.

Ao editar a MP pensando em sua sobrevivência política, Bolsonaro dá margem para que outros tipos de criminosos possam disseminar não apenas ódio (muitas vezes com consequência na vida “real”), mas espalhar conteúdos como pedofilia, assédio sexual ou vazamento de imagens íntimas, ou mesmo que estupradores possam espalhar fotos de suas vítimas.

Hipocritamente, os governistas dizem que caberia às autoridades investigar e punir quem, porventura, fizer mal uso da internet. Mas na prática, quando esses conteúdos se espalharem, seria impossível investigar, processar e punir todas as pessoas que apoiarem ou ajudarem a disseminar os materiais, inclusive porque a maioria das pessoas usaria (obviamente) perfis falsos para isso.

 

PGR pede ao STF a suspensão da MP

A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da Medida Provisória. Apesar de raramente cumprir com sua função e atuar quase exclusivamente para proteger Bolsonaro, o procurador-geral, Augusto Aras, desta vez se posicionou contra o governo.

Se bem que pode ter sido uma decisão calculada, que estaria vinculada ao resultado dos acontecimentos do dia 7 de setembro (que explicamos a seguir).

 

Presidente do Senado pode rejeitar a MP

Uma Medida Provisória é um decreto emitido pelo presidente da República, e que, mesmo sendo temporária, como o nome diz, pode entrar em vigor imediatamente após sua publicação.

A partir de então cabe ao Congresso decidir se aceita a medida, transformando-a lei, ou se a derruba.

Como foi editada às vésperas das manifestações golpistas organizadas pelo presidente em 7 de setembro, a MP também pode ser interpretada como uma tentativa de Bolsonaro emitir um “salvo conduto” para seus seguidores extremistas atacarem o STF e a Democracia, alvos do protesto.

Como o tamanho e a radicalidade das manifestações foram pequenos e insuficientes para garantir o golpe que Bolsonaro buscava, o “tiro saiu pela culatra”, com o presidente perdendo ainda mais apoio entre políticos e empresários.

Com isso, a expectativa é de que o presidente do Senado rejeite a MP sem sequer levá-la à votação, argumentando que não há urgência na matéria que justifique uma medida atropelada como essa.

Isso seria muito conveniente para Bolsonaro, na hipótese (nem tão improvável assim) que a MP tenha servido apenas como parte da fracassada tentativa de golpe do dia 7.

 

O que diz a MP

O texto da MP 1.068/2021 visa sobretudo impedir que redes sociais como Twitter, Instagram, Facebook e YouTube apaguem conteúdos mentirosos ou bloqueiem contas, exceto por “justa causa”, que seriam definidas sobretudo no âmbito judicial.

A MP impede que os provedores de redes sociais adotem “critérios de moderação ou limitação do alcance da divulgação de conteúdo que impliquem censura de ordem política, ideológica, científica, artística ou religiosa”.

Caso não seja derrubada, dificultará o combate às fake news criadas e financiadas por Bolsonaro e seus aliados, muitas vezes com dinheiro público.

Diante da evidente falta de embasamento jurídico da proposta de Bolsonaro, nos dias seguintes ao decreto presidencial foram abertas seis ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) no STF questionam a legalidade da MP.

Por mais que seja improvável a manutenção da medida editada pelo Governo Federal, apenas sua proposição já demonstra o quão longe Bolsonaro está disposto a ir para atacar a democracia e se perpetuar no poder, única alternativa para que ele e sua família escapem da cadeia.

Fonte: APUFPR

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1 de setembro de 2021

Prefeitos querem usar pandemia para não aplicar recursos na Educação

Em debate no Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 13/2021 pode ser mais um golpe na educação pública brasileira.
De autoria do senador Marcos Rogério (DEM-RO), a proposta desobriga União, estados e municípios a utilizarem o percentual mínimo de suas receitas na Educação: a justificativa seria o “desequilíbrio fiscal” supostamente causado pela pandemia.
Na verdade, isso é apenas um subterfúgio para que apliquem os recursos em outras áreas.
Em seu artigo 212, a Constituição estabelece que a União tem como obrigação aplicar na Educação, anualmente, no mínimo 18% da receita resultante de impostos. Já no caso estados e municípios, o mínimo estabelecido é de 25%.
Os senadores querem que, com a PEC 13/2021, essa obrigação não precise ser cumprida em relação ao ano de 2021.

 

Argumentos capiciosos
Segundo o texto da PEC, a mudança seria necessária porque, durante a pandemia, a arrecadação teria diminuído, com municípios, estados e União aumentando muito seus gastos com saúde.
O argumento é capicioso. Evidentemente houve aumento de gastos em saúde, e também queda de arrecadação em determinados contextos, por conta da retração da economia com a pandemia e a crise econômica que o país já vivia antes dela graças à Bolsonaro e Paulo Guedes.
No entanto, essa queda não ocorreu em todo o país. Na cidade de São Paulo, por exemplo, no primeiro semestre de 2020 houve crescimento real de 8,6% na arrecadação.
Além disso, e mais importante: a Constituição não estabelece valores mínimos de investimento na Educação, e sim percentuais mínimos (18% e 25%). Ou seja, nos casos em que a arrecadação diminui, o limite mínimo de investimento automaticamente também diminui.
Outro argumento falacioso citado no texto da PEC é que, com o ensino à distância, não haveria necessidade de alguns gastos, como transporte escolar.
Novamente, a argumentação é rasa: se é óbvio que houve menos circulação no transporte, isso não significa que não havia inúmeros outros investimentos que deveriam ter sido feitos para manter as aulas à distância.

 

PEC demonstra incompetência de gestores sem compromisso
Senadores defensores da PEC dizem que alguns gestores não conseguiram usar os recursos da Educação durante a pandemia. Isso, na verdade, depõe contra esses gestores, pois tinham como garantir melhores condições aos professores e estudantes e, mesmo com dinheiro, não o fizeram.
A imensa maioria dos professores das redes públicas colocaram dinheiro do próprio bolso para garantir que o ensino continuasse com qualidade à distância.
Segundo estudos do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil, 95% das escolas públicas estaduais e 93% das municipais relataram a falta de equipamentos para alunos acompanharem as aulas no ano passado.
Além disso, os gestores tiveram todo o ano de 2020 para planejar como os recursos seriam aplicados (já que até o final do ano não havia nenhum indício de que a pandemia seria freada e o governo ainda não havia comprado vacinas).
Além disso, foram implementados congelamentos salariais e cortes de direitos de servidores, e isso ajudou a elevar o caixa das administrações municipais.
A discussão sobre a suposta falta de dinheiro esconde, na verdade, os interesses de políticos e empresários que estão sempre à espreita aguardando algum motivo para abocanhar (ainda mais) os recursos garantidos pela Constituição.
Caso aprovada, a PEC 13/2021 teria impactos desastrosos na já difícil situação da educação pública no Brasil, beneficiando apenas os que defendem e querem um Estado à serviço das elites, e não das necessidades de sua população.

Fonte: APUFPR

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30 de agosto de 2021

Brasil terá pesquisa inédita para mapear o perfil sócio-demográfico das lébicas e sapatão

A pesquisa vai levantar informações sobre a realidade e as condições de vida dessa população em todo o país

Com o objetivo de recolher informações e subsidiar a formulação de políticas públicas específicas para a população de lésbicas e sapatão, o I LesboCenso Nacional terá seu lançamento para a mesma data em que se comemora o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, 29 de agosto.

A data foi escolhida para marcar e dar visibilidade para este que é o primeiro mapeamento nacional de lésbicas e sapatão do Brasil. O questionário pretende coletar informações sobre trabalho, educação, saúde, relacionamentos, relações familiares e redes de apoio que as lésbicas e sapatão possuem nas diversas regiões do país. As voluntárias também poderão escolher participar da segunda etapa da pesquisa, composta por uma entrevista online com as pesquisadoras.

A iniciativa busca alterar o cenário de subnotificações de crimes, violação de direitos e da falta de políticas públicas específicas para lésbicas e sapatão. Segundo dados publicados no Dossiê do Lesbocídio, foram mapeados 126 assassinatos de lésbicas, entre os anos de 2014 a 2017, motivadas pela lesbofobia, mas pode haver subnotificação. O lesbocídio é a morte de lésbicas e sapatão por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica. Com esse mapeamento, será possível estimar a prevalência das violências e da lesbofobia em relação a esse segmento da população.

O I LesboCenso Nacional é produzido por integrantes da Liga Brasileira de Lésbicas – LBL e da Associação Lésbica Feminista de Brasília – Coturno de Vênus. Em 2018/2019, a Coturno de Vênus realizou um mapeamento de lésbicas no Distrito Federal, iniciativa também inédita. O formulário com as questões estará disponível online a partir do dia 29/08/21 pelo site: www.lesbocenso.com.br e é aberto para resposta de todas as lésbicas e sapatão, maiores de 18 anos, residentes no Brasil. As interessadas em contribuir com a pesquisa podem fazê-lo até o final do mês de março de 2022.

O Lançamento oficial do I° LesboCenso Nacional será dia 29/08/21 às 15h
pelo YouTube do LesboCenso:

Serviço:
I LesboCenso Nacional – Mapeamento de Lésbicas
Data de lançamento do questionário: 29 de agosto de 2021.
Email: [email protected]
Instagram: @lesbocenso

Contato:
Léo Ribas – 41 996588612
Lelia de Castro – 61 – 982543699

 

Fonte: APUFPR

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25 de agosto de 2021

Neste segundo episódio da nossa série sobre a Reforma Administrativa, mostramos que o governo mente sobre suas intenções, e que ela beneficiará apenas corruptos e oportunistas.

Conheça a série aqui:

 

Fonte: APUFPR

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23 de agosto de 2021

Como a paranoia infantilizada da “ameaça comunista” ainda é usada para enganar a população?

Segundo uma das definições mais aceitas no campo da psiquiatria, a paranoia é uma doença crônica caracterizada por um fluxo de distúrbios na personalidade e de delírios e alucinações. Entre estes, incluem-se os delírios persecutórios (de perseguição) e de grandeza, e a hipocondria (consumo excessivo de medicamentos).

Apresentar sinais de paranoia não é nenhuma vergonha, é uma condição que requer acolhimento e tratamento adequados. O problema surge quando grupos políticos usam o medo e estimulam paranoias como armas políticas para chegar ao poder e permanecer nele (ganhando algo no meio do caminho).

É o que vivemos hoje com o governo Bolsonaro e sua base extremista, que ressuscitaram “o fantasma do comunismo” dos tempos da Guerra Fria, de forma descabida e até infantilizada, para fazer valer seus interesses mesquinhos e prejudiciais à maioria da sociedade.

Espalhar o medo de uma “ameaça comunista” é como fazer crianças menores acreditarem que o bicho-papão vai sair do armário, que o homem-do-saco leva embora crianças malcriadas ou que um filho não é bom menino porque faz xixi na cama. Não é racional, mas ainda engana muita gente por aí.

 

Paranoia anticomunista é o novo ‘Cavalo de Troia’

No universo das paranoias anticomunistas, existem dois grupos envolvidos: os que criam e espalham as mentiras, e os que consomem e acreditam nelas. É preciso ter em mente, já de início, que as pessoas que criam paranoias anticomunistas e as usam como arma política, geralmente, não acreditam nessas mentiras que elas mesmas elaboram (guarde essa informação, falaremos sobre isso mais adiante neste texto).

É um subterfúgio. Você conhece a mitologia grega sobre o Cavalo de Troia, aquele gigante feito de madeira que os gregos teriam dado para os troianos como “símbolo da vitória” na guerra entre os dois povos? No final, era uma enganação, porque aquele falso monumento foi colocado para dentro das muralhas fortificadas da cidade-Estado de Troia, mas no interior do cavalo estava o exército grego que, dessa forma, conseguiu entrar e derrotar os troianos ‘por dentro’.

Pois bem. A paranoia anticomunista é o Cavalo de Troia dos tempos atuais. É engodo, tapeação, cilada, charlatanismo, arapuca, armadilha. Enfim, uma enganação.

Por quê?

Bem, primeiramente, espalhar essas mentiras esconde as intenções das camadas mais ricas da sociedade (as tais “elites”), a quem interessa acumular riquezas e, quando possível, poder político (visando, novamente, acumular ainda mais riquezas).

Eles sabem que a imensa maioria das pessoas não pretende, espontaneamente, dar dinheiro e poder a quem já tem muito. Sabem também que, geralmente, a população não concordaria com projetos que retiram direitos (trabalhistas, civis e sociais), reduzem salários e impedem que as pessoas tenham acesso a uma vida mais digna. Muito menos com a entrega do patrimônio brasileiro a preço de banana para mãos estrangeiras.

Por isso, aqueles setores ‘poderosos’ entram na política ou financiam políticos, blogueiros, youtubers, pseudojornalistas, comentaristas, marketeiros, milícias digitais, sites de fake news, agrupamentos radicais, líderes religiosos, influencers, facções extremistas e até emissoras de rádio e televisão para defender suas pautas “custe o que custar”.

Mas, como dissemos, não é tão fácil assim conseguir apoio da população a propostas que só beneficiam os mais ricos. Por isso, eles precisam esconder seus reais interesses. É aí que entram com o ‘Cavalo de Troia’ na vida das pessoas, tratando de temas variados e que, muitas vezes, são sensíveis para as pessoas.

 

O “pulo do gato”

Para ganhar seguidores ou votos, os oportunistas precisam se “conectar” às pessoas de certos segmentos da sociedade que são mais propensos a acreditar com facilidade em teorias conspiratórias sem refletir muito. Por isso, focam seu discurso em questões polêmicas e, geralmente, cercadas de tabus, medos e preocupações exageradas.

Misturam religião, família, questões sexuais, morais e de gênero num mesmo balaio, e fazem as pessoas acreditarem que terríveis ameaças pairam sobre esses temas. Novamente, o medo é impulsionador de comportamentos fora “do normal”, e isso cai muito bem no jogo político deles.

Por medo, pessoas abrem mão de princípios básicos de civilidade e acabam ficando suscetíveis a outras pautas que são – essas sim – as que realmente interessam às elites que patrocinam as paranoias.

Veja, não é coincidência que essas mesmas pessoas apoiam ou, no caso de políticos, votam em projetos que prejudicam a população ou que basicamente direcionam recursos e benefícios para aquelas camadas mais ricas e já privilegiadas.

Mas é preciso dar uma cara a tudo isso, afinal, é difícil fazer as pessoas acreditarem que precisam enfrentar algo abstrato. E é aí que eles resgatam as velhas paranoias da tal “ameaça comunista”.

O passo seguinte é juntar todas as questões sensíveis para aqueles setores da população e resumir como “comunismo”, fazendo com que a expressão pareça um xingamento.

Depois que as pessoas acreditam que essa é a “maior ameaça” que pode existir (sem nem fazer ideia do que se trata), elas se tornam simpatizantes daqueles oportunistas que dizem que são os únicos que podem protegê-las desse ‘perigo’ (que, na verdade, não existe). Assim, passam a apoiar qualquer pauta que eles defendem.

E é aí que se finaliza o “pulo do gato”: depois de conquistar uma audiência fiel que acredita na falsa mensagem de salvação, esses oportunistas passam a convencê-los das pautas econômicas, que são aquelas que realmente lhes interessam (e a quem os patrocina).

No final, a imensa maioria dos eloquentes defensores de pautas moralistas não passa de charlatões demagogos e hipócritas. Só que eles descobriram como enganar milhões de pessoas.

Como diria a expressão em inglês: it´s all about money (é tudo sobre dinheiro).

 

Mas e o tal comunismo?

Na verdade, a imensa maioria das pessoas que têm ‘medo do comunismo’ nem faz ideia do que se trata. E nem que não existe uma só concepção. São muitas visões porque é um conceito teórico, e não uma receita de bolo.

Portanto, nosso objetivo não é explicá-las e, muito menos, apresentar qualquer tipo de defesa. Apenas mostrar que as polêmicas só existem porque servem para enganar uma parcela da população.

Então, de forma resumida (mas muito resumida mesmo), as concepções estão geralmente ligadas a ideia de ausência da divisão de classes e da propriedade privada dos meios de produção. Portanto, são concepções de bases mais econômicas do que ‘morais’.

Todas as demais questões que recebem críticas dos radicais são construções históricas e sociais que vão sendo elaboradas ou alteradas de acordo com o tempo, a conjuntura e a realidade do momento.

Por exemplo, direitos (humanos, civis, trabalhistas e sociais) que estão consolidados há muito tempo em certos países ‘mais desenvolvidos’, mesmo naqueles que são administrados por governos conservadores, por aqui são chamados de “coisa de comunista” (novamente, como se fosse um xingamento).

Para os radicais, igualdade, fraternidade, solidariedade, empatia e sororidade também são “coisa de comunista”, assim como o combate ao racismo e a luta contra desigualdades.

Mas o que importa para as “elites” daqui é impedir o avanço de concepções que possam ameaçar a estrutura de mundo que é benéfica somente a elas. Afinal, para quem está “no topo” da sociedade, é muito melhor que tudo permaneça como está.

Por isso, elas misturam todas as pautas sociais, econômicas, políticas, humanitárias e até a luta por direitos e igualdade, e fazem parecer que essas questões são uma ameaça à sociedade. Aí o toque final é personificá-las de forma simplista, resgatando a velha paranoia das “ameaças comunistas”.

 

Mas isso cola fácil?

De início, as pessoas não tendem a acreditar em fantasmas ou inimigos invisíveis, assim como crianças não acreditam em bicho-papão logo de cara.

Isso só acontece se as mentiras forem reafirmadas muitas e muitas vezes. É preciso implementar um método de convencimento, e isso os extremistas aprenderam a fazer.

De tanto receberem inúmeras postagens falando a mesma coisa, além de uma infinidade de fake news estridentes e mirabolantes, aquelas pessoas que foram atraídas pelo discurso demagogo dos oportunistas acabam acreditando que a tal ‘ameaça comunista’ (que nem existe) é um perigo muito maior para o país do que qualquer atrocidade que os próprios extremistas aprovem no mundo político ou espalhem em suas redes sociais.

Assim como os troianos foram derrotados com essa manobra, os brasileiros vão perdendo direitos, vendo sua vida piorar, e o país vai naufragando, mas aqueles que criam e espalham as mentiras faturam alto (politicamente ou financeiramente) com tudo isso. O que vale, no final do dia, é fazer seus apoiadores alcançarem uma falsa sensação do tipo “pelo menos livrei meu país dos ‘comunas’” (sem saber que foram enganados e envolvidos em um jogo político e financeiro mesquinho).

 

“Uma mentira contada mil vezes…”

Assim como no caso de outros expoentes internacionais de facções extremistas, os membros do governo Bolsonaro e seus aliados utilizam a paranoia anticomunista para esconder seus verdadeiros interesses: aproveitar-se dos cargos que ocupam para lotear a política, se apropriar dos recursos do país, vender o patrimônio nacional para agradar grupos econômicos (que lhes darão algo em troca), implantar esquemas de corrupção e, se possível, permanecer mais tempo no cargo para continuar fazendo tudo isso.

Ou seja, essa conversa sobre “comunismo” tem muito mais a ver com interesses mesquinhos do que com ideologia política (novamente, eles mesmos não acreditam que exista algum tipo de ameaça). Vamos lembrar que, no passado, Jair Bolsonaro se declarou fã do então presidente venezuelano Hugo Chaves.

Mas ele não é o único a mentir sobre isso ou mudar de posição conforme a conveniência do momento. A maioria dos membros de seu governo, políticos do entornou ou pessoas da sua base radical de apoio nunca se preocuparam com essa questão do ‘comunismo’ porque sabem que não existe qualquer ameaça ou perigo ao país. Só que, de repente, de uns anos para cá, isso virou “a” principal pauta deles. Puro oportunismo.

Na realidade, a maioria deles adotou essa pauta quando viu que “a onda do momento” era retomar os discursos extremistas, ou quando viram que espalhar ódio e violência dava mais votos e, se possível, muito dinheiro, atraindo pessoas com muito mais facilidade.

Para eles, é mais vantajoso convencer as pessoas de que eles são o caminho da salvação do que apresentar propostas reais para a economia, geração de emprego e renda, redução da miséria ou melhoria da qualidade de vida da população. Basta criar uma conta no Youtube e nas redes sociais e gravar vídeos espalhando teorias conspiratórias, paranoias ou mentiras (muitos extremistas criaram novas carreiras política fazendo exatamente isso). “O Brasil se afunda em fome, desemprego, violência crescente e corrupção, mas o importante é que pensem que nós estamos combatendo o comunismo”.

 

Custa caro manter a máquina de fake news

Como as ideias extremistas não são ‘naturais’ em uma sociedade minimamente saudável, é preciso construir uma gigantesca máquina de mentiras para alimentar medos infundados e paranoias infantis. Para isso, investem pesadamente em uma estrutura para disseminar fake news, em um esforço permanente de propagandas difamatórias, baseadas no conflito e no ódio.

Eles aplicam os conceitos cunhados pelo então ministro da Propaganda na Alemanha nazista, Joseph Goebbels: “mentiras repetidas à exaustão tornam-se verdades”.  A jogada é fazer com que esses conteúdos cheguem massivamente para pessoas que reproduzem ideias sem muita reflexão. Essa estratégia foi muito bem assimilada pelos militantes extremistas da atualidade.

Importante lembrar que muitos membros do governo Bolsonaro já demonstraram simpatia por ideias nazistas, como um ex-secretário de Cultura que caiu porque imitou a estética e o conteúdo nazista em um pronunciamento, um secretário especial que foi flagrado fazendo gestos “white power” (supremacista), e até o próprio presidente da República e pessoas do seu entorno, que se encontraram sorridentemente com uma deputada alemã neonazista em agosto de 2021.

Muito dinheiro é empregado para construir e sustentar grandes redes de “milícias digitais”, muitas vezes irrigadas com recursos públicos e que espalham conteúdos absurdos e descabidos, mas que, bombardeados à exaustão, acabam tendo poder de convencimento e se espalham com facilidade.

Como chegam até pessoas previamente amedrontadas e que já passaram a enxergar a realidade de forma distorcida, é fácil convencê-las a compartilhar e disseminar as mensagens.

Uma das práticas mais comuns dessas milícias é atacar a reputação e a credibilidade de jornalistas, artistas, intelectuais, cientistas, professores e outros produtores de conhecimento que desmontam as mentiras do governo. Qual a solução que encontram para isso? Exato: chamá-los de comunistas (novamente, como isso representasse ‘todo o mal da sociedade’).

Para atender aos interesses das ‘elites’, fazem o mesmo contra quem luta por direitos, como entidades sindicais e ativistas (de qualquer causa, inclusive do meio ambiente, que incomodam desmatadores e vendedores de madeira ilegal, por exemplo).

Além de tudo isso, a paranoia é um elemento essencial para que a base extremista do governo Bolsonaro permaneça fiel mesmo diante da brutalidade, da desqualificação e da vergonha mundial que o país se tornou nos últimos tempos, de todos os índices fracassados na economia, do número absurdo de mortes na pandemia de Covid-19, dos casos de corrupção, entre tantos problemas que contribuem para levar o Brasil para o abismo.

Só com a criação de um universo paralelo, distante da realidade, é possível convencer pessoas a sustentar esse governo.

É claro que nem sempre essa tática dá certo, porque de vez em quando alguém resolve investigar atividades suspeitas e descobre esquemas como rachadinhas de salários, tentativas de aquisições superfaturadas de vacinas ou orçamentos paralelos para comprar apoio de parlamentares.

Aí, quando esses esquemas são revelados, a saída dos extremistas é acionar as redes de fake news para criar novas paranoias e desviar o foco sobre os problemas e crimes do governo ou de seus apoiadores (inclusive daqueles que lucram muito produzindo esses conteúdos de ódio e mentiras).

 

Diga-me com quem andas…

Um dos principais formuladores de estratégias para espalhar pensamentos extremistas na atualidade é o norte-americano Steve Banon. Ele, que chegou a assessorar Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018, foi preso por desviar recursos nos Estados Unidos, numa espécie de ‘rachadinha’ com o dinheiro do muro que o ex-presidente Donald Trump (a quem também serviu de estrategista-chefe) construía na fronteira com o México.

 

Truque antigo  

A “ameaça comunista” era muito propalada pelo governo dos Estados Unidos durante a Guerra Fria (que vigorou entre o final dos anos 1940 e o começo dos anos 1990), quando a polarização entre americanos e soviéticos envolvia grandes esforços de propaganda.

Nos anos 1950, o então senador Joseph McCarthy iniciou um movimento para perseguir qualquer um que discordasse de sua visão política: o macarthismo. Durou cerca de três anos, fez inúmeras pessoas perderem empregos, serem presas ou terem suas vidas destruídas. No final, o país entendeu que tudo não passava de uma farsa e o senador caiu em completo descrédito. Até hoje, isso ainda causa mal-estar social por lá (para a maioria dos norte-americanos é um tipo de vergonha na história nacional).

Então, convenhamos, a paranoia anticomunista no Brasil está 70 anos atrasada.

Nas décadas seguintes, esses mesmos discursos ajudaram a intensificar a intervenção norte-americana nos processos políticos da América Latina. O resultado foi uma série de golpes militares que também tinham como mote o combate a esse fantasma inexistente da ‘ameaça comunista’, inclusive no Brasil.

O ex-presidente norte-americano Donald Trump até tentou reviver um pouco disso, mas em uma escala muito menor, adotando os métodos ensinados por Steve Bannon. A tática de Trump não colou e ele foi derrotado em 2020 por Joe Biden.

 

Ameaças fantasmas de ontem e de hoje

Se o uso do “fantasma do comunismo” já era “forçar a barra” nos anos 1950 e 1960, hoje em dia é um completo delírio, ainda mais no Brasil atual, onde os anticomunistas sequer sabem dizer contra o quê ou a favor do quê eles lutam.

Sem conhecer absolutamente nada do termo (seja do ponto de vista conceitual ou histórico), alimentam a ideia de que existe um perigo invisível e constante, que seria combatido pelos (falsos) salvadores da pátria, mesmo que sejam liderados por um ex-deputado que, por décadas, nunca trouxe qualquer contribuição ao país e ainda implementou esquemas de rachadinhas de salários em seu gabinete e no dos filhos que ele colocou na política.

A ideia é resgatar as paranoias da Guerra Fria e criar um tipo de xingamento infantilizado que se resume no “comunismo”.

A tática não é nova. Os nazistas iniciaram a Segunda Guerra Mundial espalhando mentiras sobre a “ameaça” dos poloneses, mas antes já haviam criado leis para segregar os judeus por causa da “ameaça” de contaminação da raça ariana (outra invenção).

O medo previamente espalhado fez essa segregação se tornar aceitável na sociedade alemã, inclusive quando começaram a enviar os judeus para guetos. Depois, veio o extermínio em campos de concentração, que resultou na morte de mais de 6 milhões de judeus e outras minorias (por sinal, extremistas no Brasil também têm ódio de minorias).

Por aqui, quando as pessoas gritam “vai pra Cuba”, na verdade estão reproduzindo a mesma ideia. Querem expulsar os “diferentes”. Dependendo do grau da paranoia, muitos desejariam trocar “Cuba” por “campos de extermínio” naquela frase. Como mostramos anteriormente, o medo elevado a níveis tóxicos faz as pessoas abrirem mão de sua própria civilidade.

Mas essas paranoias criam também outros tipos de infantilidades, como o jargão “minha bandeira jamais será vermelha”, repetido por simpatizantes do extremismo como um mantra, como se houvesse qualquer intenção de alguém mudar a cor da bandeira brasileira. Elas esquecem que a maioria dos países do mundo têm vermelho em sua bandeira, inclusive 13 dos 15 considerados mais desenvolvidos.

Como o extremismo faz as pessoas enxergarem a realidade distorcida, surgem situações vexatórias, como o já clássico caso da militante radical que xingou uma bandeira do Japão como se fosse um símbolo de que o “comunismo estava tomando conta do Brasil” (as duas bandeiras têm um círculo no meio). Passou vergonha e se tornou instantaneamente um meme na internet, onde seu vexame está eternizado.

Por que o medo?

Mas se nem mesmo os extremistas acreditam nas próprias mentiras, por que eles escolheram essa tática de espalhar medos e paranoias para chegar ao poder e se manter nele?

Porque o projeto de poder deles se resume à exploração do país e de seus recursos no menor espaço de tempo possível. Não há um projeto de desenvolvimento, garantia de bem-estar e ampliação dos direitos.

Basta ver o esforço para destinar o máximo de dinheiro para o sistema financeiro (que consome quase metade do orçamento federal), aprovar projetos que retiram direitos dos trabalhadores ou que beneficiam apenas determinadas camadas da sociedade que já são privilegiadas (como grandes empresários), ou privatizar tudo o que for possível a preço de banana (mesmo que represente prejuízos gigantescos ao país).

Não é coincidência que colocaram no comando do Ministério do Meio Ambiente alguém favorável ao desmatamento (que bateu recordes em sua gestão) e que deu a ideia de se aproveitar da pandemia para “passar a boiada”, reduzindo as proteções ambientais. Ele só pediu para sair porque foi pego em um escândalo envolvendo a venda milionária de madeiras ilegais e tinha medo de ser preso ainda no cargo (o que representaria um vexame ainda maior para o governo).

Tudo isso mostra que, enquanto muitos seguidores são levados a acreditar que estão fazendo parte de um combate do “bem x mal”, na verdade, são manipulados por interesses políticos e financeiros das pessoas que criam, divulgam e propagam mentiras sobre as ameaças que não existem.

Sem distribuir essas paranoias com tanta frequência, o governo e seus apoiadores radicais teriam muito menos seguidores, votos e dinheiro.

Afinal, é difícil imaginar que parcelas consideráveis da população seriam naturalmente favoráveis ao desmatamento e ao fim de seus próprios direitos. Mas entre apoiadores fervorosos do governo, inúmeros desdenham das necessidades de proteção ambiental e apoiam projetos que acabam com direitos.

Como uma parte da população seria contrária às vacinas ou iria preferir usar medicamentos sem eficácia comprovada? Se isso tivesse acontecido no passado ainda teríamos que enfrentar doenças como poliomielite, sarampo, difteria e rubéola. Mas durante a pandemia, o governo conseguiu convencer muitas pessoas a comprarem remédios ineficazes, enquanto laboratórios que ganharam muito dinheiro com tudo isso patrocinavam entidades ‘médicas’ de fachadas para reforçar as mentiras governistas (é tudo sobre dinheiro, lembra?).

Se não fossem as bolhas de ódio, não haveria tantas pessoas atacando a educação, a ciência, as artes, a cultura, a literatura, as universidades públicas, os professores, os cientistas, os direitos humanos, civis e trabalhistas, e nem perseguindo ambientalistas e ONGs ou tentando acabar com a liberdade de imprensa, de pensamento, ou com a própria liberdade de escolha.

A história nos mostrou o quanto é temeroso um governo que persegue educadores, pesquisadores e cientistas. Na Alemanha nazista, livros eram queimados em grandes fogueiras em praça pública. Para o pensamento totalitário, educação e cultura são sempre um perigo.

 

Aversão ao pensamento crítico

Como mostramos, o projeto de poder dos extremistas está ligado intimamente às “elites” e só consegue se sustentar se eles convencerem seus seguidores de que existem inimigos invisíveis a serem combatidos. Eles precisam transformar tudo em algo assustador para manter a coesão da sua base de apoio.

Qualquer posicionamento contrário às mentiras ou absurdos do governo é rapidamente classificado como “comunista”. Até políticos da extrema-direita ‘democrática’, como Sérgio Moro e João Doria, foram taxados de comunistas por romperem com o governo de Jair Bolsonaro.

Para eles, não basta a pessoa ser “de direita” ou “liberal”, é preciso ser contrário aos princípios democráticos e compartilhar ideais extremistas (mesmo que se aproxime do neonazismo, como vimos acima).

A defesa da ciência também se tornou sinal de “comunismo”, afinal, ela desmente facilmente as teorias conspiratórias espalhadas pelos radicais.

Professores também são perseguidos e instituições públicas de ensino são alvo de campanhas difamatórias por serem espaços que estimulam o pensamento crítico. Como poucas reflexões e o pensamento lógico já são suficientes para desmontar suas bases e seus argumentos frágeis, os extremistas odeiam também quem produz conhecimento. E as elites, que financiam esses radicais, temem qualquer coisa que possa ajudar as pessoas a questionarem a realidade em que vivem (porque isso pode abalar o “deixa tudo como está”).

É por isso que a máquina de paranoia distorceu completamente a visão de uma parte da sociedade sobre as universidades públicas, que deveriam ser alvo de orgulho por sua qualidade reconhecida (elas lideram todos os rankings de qualidade no Brasil e na América Latina, além de produzirem 99% da ciência brasileira).

As milícias digitais são, muitas vezes, financiadas com dinheiro público e também por empresários que não têm afinidade nenhuma com pautas moralistas (aqueles que servem como “Cavalos de Troia), mas que possuem grandes interesses econômicos em um governo servil que cumpra todos seus desejos de concentração de riqueza e corte de direitos dos trabalhadores.

Os corruptos também se aproveitam dessa demagogia e contribuem para espalhar o pânico “anticomunista” na sociedade, porque isso ajuda a desestabilizar o país e enfraquecer as instituições que irão investigá-los (para eles, é melhor que as autoridades estejam caçando comunistas invisíveis do que investigando crimes).

Elaboradas cientificamente para enganar, suas campanhas caríssimas permanentes de fake news misturam medos infundados e preconceitos, que nada têm a ver com conceitos comunistas, para criar um grande monstro imaginário que “tudo ameaça”, mesmo que as pessoas tenham que abrir mão de parte de sua humanidade no meio disso (de outra forma, seria muito mais difícil combinar, por exemplo, questões religiosas, violência, armas, desmatamento, pena de morte, agrotóxicos e retirada de direitos em um mesmo balaio).

Só mesmo com medo do “bicho-papão”, criado para assustar crianças pequenas, caso elas “não se comportem bem”, ou amedrontar adultos, para que se mantenha “tudo como está”.

Assim, Bolsonaro, seus filhos e aliados gerem um país usando mentiras, espalhando paranoias, medos, pavores, ódio e violência, ignorando todas as consequências sobre a população e sobre o futuro do país. Já passa da hora de serem responsabilizados pelas ‘travessuras’ nada inocentes.

Fonte: APUFPR

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17 de agosto de 2021

APUFPR participa do programa Quarta Sindical, que terá edição especial contra a PEC 32

Quarta-feira (18) será o dia da Greve Nacional em defesa do serviço público e contra a Reforma Administrativa do governo de Jair Bolsonaro. Na esteira das manifestações e paralisações, o programa Quarta Sindical terá uma edição especial, a partir das 11h30.

Os convidados dessa edição serão Marlei Fernandes, coordenadora do Fórum de Entidades Sindicais (FES) e vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e o presidente da APUFPR, Paulinho Vieira Neto.

O Quarta Sindical é um programa semanal promovido pelo Brasil de Fato Paraná no Facebook e retransmitido por dezenas de outros sindicatos e federações.

Para reforçar as mobilizações do serviço público, as centrais sindicais também estão convocando para esta quarta-feira um Dia Nacional de Lutas contra outros ataques à classe trabalhadora promovidos por Bolsonaro e setores oportunistas, como a privatização da Eletrobras e dos Correios, a Medida Provisória 1045 (que promove uma mini Reforma Trabalhista), o desemprego e a fome no país, entre outras bandeiras.

Assista ao programa especial no dia 18. Faremos a transmissão também pela nossa página de Facebook.

 

Fonte: APUFPR


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