Tag: educação pública universitária

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6 de agosto de 2021

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Diante da maior crise de saúde pública global da história, seria normal supor que todas as atenções e ferramentas de um governo estivessem voltadas para solucionar o problema e ajudar sua população.

No caso da pandemia do novo Coronavírus, a solução efetiva é a vacinação. Mas nunca foi esse o entendimento do Ministério da Saúde e dos membros do governo de Jair Bolsonaro, mesmo diante do acúmulo de contaminações e mortes por Covid-19 que levaram o Brasil ao segundo pior quadro do planeta.

Um levantamento da agência Fique sabendo, por meio de dados fornecidos pela Lei de Acesso à Informação, demonstra que, em um ano e meio de pandemia, o Ministério da Saúde promoveu apenas uma publicação paga sobre vacinação nas redes sociais. Isso mesmo, só uma postagem foi considerada importante o suficiente para que a pasta investisse recursos para alcançar mais pessoas.

Por outro lado, o governo gastou milhares de reais para comprar uma imagem, em um banco de dados (espera-se que tenha agido na legalidade), de um caçador armado para produzir uma postagem em “homenagem” ao Dia do Agricultor (peça que, vergonhosamente, ficou conhecida como Dia do Jagunço, e que depois foi apagada).

 

Dia do Jagunço - Dia do Agricultor - Bolsonaro
Imagem produzida pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal

 

Tratamento ineficaz teve mais postagens  

O Ministério da Saúde fez mais de 4.800 publicações no período da pandemia, iniciado em março de 2020 aqui no Brasil. Destas, 85 foram promovidas, ou seja, receberam investimentos. Algumas até falavam de vacinas, mas não daquelas para o combate à Covid-19, e a maioria tratava de doenças como gripe, sarampo e febre amarela.

Nesse período, também houve duas postagens pagas sobre tratamentos ineficazes (os tais medicamentos propagandeados como um tipo de “elixir” milagroso). Para Bolsonaro e sua turma, essas questões eram mais urgentes do que as médias diárias que, em alguns momentos, superavam três mil mortes.

Uma análise dos termos utilizados em todas as postagens feitas durante a pandemia também demonstra que, inacreditavelmente, os termos “Coronavírus”, “Covid” ou “pandemia” não estão entre os mais utilizados. Um país que rapidamente chegou à segunda posição em quantidade de mortes não deveria tratar o tema como prioridade nos canais de comunicação do Ministério da Saúde?

Não foi isso que os governos de outros países fizeram?

O que o Brasil descobriu nos dois últimos meses é que a prioridade do governo de Jair Bolsonaro era outra: esquemas para compras superfaturadas de vacinas e outros itens.

 

Sem estratégia ou com estratégia de morte?

Como tem provado a CPI da Covid-19 no Senado e outras investigações, a posição do Governo Federal contra vacinas não era apenas uma postura ideológica com base no negacionismo charlatão (certamente, a maioria dos membros do governo não acreditam nas próprias mentiras), mas uma oportunidade de corrupção nas negociações dos imunizantes e de outros itens, como máscaras, que estão sendo investigadas.

O negacionismo, que tanto levantou dúvidas durante a pandemia, revelou-se apenas uma estratégia para prolongar a crise sanitária e manter uma base de apoio extremista constantemente radicalizada, alimentada por fake news, teorias conspiratórias e muitas paranoias.

Mas essa estratégia não poupou nem seguidores mais fanáticos, já que muitos morreram por acreditar nas mentiras do governo e de seus seguidores. Estudos indicam que, dependendo da proporção de votos que Bolsonaro teve para presidente, morar em algumas cidades representava riscos até 500% maiores de morte na pandemia, já que havia maior propensão da população local a seguir as ideias negacionistas e, com isso, adotar comportamentos que ajudaram a disseminar o vírus com mais rapidez.

 

Poderia ser diferente

É inegável a importância de boas estratégias de comunicação em políticas de saúde, como as campanhas de imunização sempre tiveram após a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), com a Constituição de 1988. O Brasil, inclusive, tem larga experiência com iniciativas no caso de outras doenças, como sarampo, gripe e dengue, e já chegou a ser, em 2012, um dos países com maior parte da população vacinada, atingindo uma média de até 95% em algumas vacinas infantis.

Há muito tempo não se questionava a necessidade da vacinação em massa. Por isso, conseguimos erradicar a maioria das doenças infectocontagiosas.

Já na atual gestão a situação é tão absurda que levou a Justiça Federal do Rio Grande do Sul a proferir uma sentença obrigando o governo Bolsonaro a elaborar um plano de comunicação para combate à Covid-19.

Diferentemente das mentiras do presidente, que tenta jogar para o STF a culpa da inação de seu próprio governo, nesse caso vemos o contrário: o poder Judiciário tendo que “avisar” o governo de suas obrigações mais óbvias.

Se Bolsonaro e sua equipe tivessem se esforçado para cumprir essas obrigações, certamente o Brasil não estaria próximo de chegar às 600 mil mortes por Covid-19.

 

Fonte: APUFPR

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5 de agosto de 2021

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👹 Se for aprovada, a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) vai jogar o Brasil em um período de trevas!

🔰 O primeiro passo é destruir os servidores públicos, cuja função é salvaguardar os direitos do povo (que são assegurados pelo Estado por meio dos serviços públicos).

🤨 Eliminar os servidores é tirar um “obstáculo” do caminho rumo ao aparelhamento político do Estado.

😰 O segundo passo é transformar os serviços públicos em mercadorias, para que empresários gananciosos lucrem sobre as necessidades da população.

😧 Nosso país já passa por tantas dificuldades, especialmente pela falta de pessoal no serviço público para fazer o atendimento nas áreas essenciais, como saúde, educação e segurança. Mas o governo quer reduzir ainda mais.

Barrar a Reforma Administrativa é proteger os direitos do povo e evitar que o Brasil seja colocado em um novo ciclo de sofrimento.

✋ Por isso, diga NÃO à PEC 32/2020, e SIM ao serviço público! Ele é para todos!

#ServiçoPúblico #ÉPublico #ÉpraTodos #ValorizeOServidor #ReformaAdministrativaNão #PEC32Não

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3 de agosto de 2021

 

👿 O presidente Jair Bolsonaro quer fazer com o país o que fez com membros de seu governo, como o inepto ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que foi humilhado e teve que voltar atrás e negar a compra de vacinas chinesas em outubro de 2020, depois de ter afirmado a governadores que estaria negociando os imunizantes.

“Uma manda e o outro obedece”, afirmou o general.

Esse caso expressa bem duas coisas que a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) quer fazer com o Brasil:

➡ Acabar com a estabilidade dos servidores e transformá-los em “pazuellos” (só que sem proteção), para dar um “calaboca” naqueles que contrariarem os governantes (mesmo que isso coloque em risco a vida da população)

➡ Proteger os apadrinhados políticos sem concurso (que dominarão os serviços públicos), como Pazuello que, depois de sua gestão catastrófica no Ministério (ganhou o cargo quando o Brasil tinha 233 mil casos e 15.633 pela Covid-19, saiu da função com 11,5 milhões de casos e 280 mil mortes), ainda foi premiado com outro cargo no governo (com salários de R$ 16 mil)

🚨 É preciso barrar a Reforma Administrativa agora. Ou, o serviço público não será mais determinado pelo “cumprimento do dever”, mas sim pelas vontades dos “soberanos”.

Valorize o serviço público. É para todos.

#ServiçoPúblico #ÉPublico #ÉpraTodos #ValorizeOServidor #ReformaAdministrativaNão

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3 de agosto de 2021

 

Desde que assumiu a presidência, Jair Bolsonaro já nomeou 19 reitores de universidades federais que não estavam entre os mais votados nas eleições feitas pelas instituições. Cinco desses “interventores”, como são conhecidos por assumirem o cargo mesmo não sendo escolhidos por suas comunidades acadêmicas, anunciaram seu rompimento com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Sob a justificativa de não serem “aceitos e acolhidos” na Andifes por serem defensores do Governo Federal, desligaram-se da associação os reitores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Não se sabe se outros interventores seguirão o mesmo. Quem sabe não planejam criar um clube só de dirigentes golpistas.

O que é a Andifes

Fundada em 1989, a Andifes tem como bandeira principal a defesa da educação pública e da democracia. Além dos cinco agora ex-integrantes, a entidade conta com outros 65 reitores de instituições federais de ensino superior.

Sua função é articular os reitores para implementar as demandas trazidas pelos integrantes de suas universidades. A Andifes permite que haja diálogo entre as pautas das universidades federais e outros grupos atuantes na educação, como os sindicatos de trabalhadores e de professores, as organizações estudantis, os órgãos do governo e a sociedade em geral.

Via de regra, não é uma entidade marcada fortemente pelo ativismo político e nem por posicionamentos mais contundentes em relação ao descaso dos governos. Portanto, a saída dos desertores serve apenas para a criação de um “fato político” para as bases extremistas do governo, afinal, é certo que a contribuição desses falsos dirigentes é mínima para o campo da educação.

O prejuízo não é necessariamente para essas figuras, já que não tiveram um mínimo de respeito com suas próprias comunidades e nem a preocupação em manchar o próprio currículo, sobrepondo a ganância pela posição (ou outras pretensões em relação ao governo Bolsonaro). Também não significa que sua ausência será efetivamente notada, já que sua contribuição ao conjunto das universidades federais beira a zero. Quem sai prejudicada é a instituição comandada por esses membros oportunistas, já que perdem a inserção em um espaço de interlocução com a comunidade universitária de todo o país.

 

Os partidários do “sem partido”

Assim como acontece nos debates dos projetos conhecidos como “Escola sem partido” ao redor do Brasil, que visam cercear a liberdade de ensino, a postura dos reitores-interventores se baseia em questões externas ao debate da educação, tendo apenas motivações políticas e ideológicas (e, novamente, oportunistas).

Acusando tudo de “partidário” ou “ideológico” (termos evocados quando são derrotados na argumentação racional), são os extremistas que politizam as discussões da educação, em vez de priorizar a melhoria e a expansão do ensino superior federal.

A autonomia universitária é uma das premissas da gestão das instituições de ensino, permitindo que elas produzam conhecimento voltado aos interesses do povo, e não ao governo de plantão. Bolsonaro vem tentando destruí-la ao nomear reitores-interventores ambiciosos.

A nossa UFPR correu esse mesmo risco durante o processo de escolha da gestão da reitoria no final de 2020, mas a resistência das entidades representativas e da comunidade acadêmica impediu que esse projeto fosse implementado por aqui.

O que talvez alguns desses interventores não perceba é que o projeto autoritário, truculento e anti-educação do governo atual está ruindo, envolvido em escândalos de corrupção (já notado pela ampla maioria da população), ineficácia e centenas de milhares de mortes evitáveis na pandemia de Covid-19. O presidente enfrenta derretimento de seu apoio popular e agora recorre às ameaças à Democracia, às fake news sobre urnas e ao encontro com políticos estrangeiros neonazistas para manter sua base radical.

Quando tudo isso passar e esses reitores-interventores perderem o cargo que receberam por suas posições extremistas, sem nenhum esforço ou mérito, a história deverá reservar a eles o ostracismo acadêmico (é o mínimo que merecem). Serão párias nas instituições de ensino. Mas o tenebroso e lastimável papel que estão cumprindo neste período triste da história do Brasil e das universidades federais nunca será apagado.

Fonte: APUFPR

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30 de julho de 2021

 

Em uma ação comprometida com os docentes da UFPR, a APUFPR entregará as carteirinhas do plano de saúde Unimed diretamente em suas casas, a partir de agosto.

Em uma ação comprometida com os docentes da UFPR, a APUFPR entregará as carteirinhas do plano de saúde Unimed diretamente em suas casas, a partir de agosto.

Por causa da pandemia da Covid-19, o sindicato vinha realizando plantões em sua sede para a entrega presencial dos documentos, respeitando os protocolos de segurança contra a disseminação do vírus. Porém, a retirada estava baixa.

Mesmo assim, o sindicato manterá os plantões para quem ainda desejar retirar as carteirinhas em sua sede.

A mudança foi pensada para facilitar e dar mais segurança aos filiados. A nossa diretoria compreende a importância e a necessidade de que todos tenham acesso ao documento, afinal, ele agiliza na hora do atendimento médico.

Por isso, a partir de agora, tanto as novas carteirinhas como as já confeccionadas serão entregues diretamente à cada docente, sem a necessidade de que ele se exponha na rua. O atendimento será realizado seguindo as orientações de distanciamento, segurança sanitária e uso de máscara.

Professores que residem em cidades do interior continuarão recebendo as suas carteirinhas pelos Correios.

Em caso de dúvidas, entre em contato a recepção pelo telefone (41) 99956-7818.

Os professores que necessitam atualizar os endereços podem encaminhar para [email protected]

ATENÇÃO: é muito importante que os seus dados cadastrais estejam atualizados para que a sua carteirinha seja entregue no endereço correto.

 

Fonte: APUFPR

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27 de julho de 2021

Reforma Administrativa não é modernização, é destruição

😱 A Reforma Administrativa (PEC 32/2020) quer acabar com a estabilidade do servidor para escancarar as portas para o loteamento político e abrir alas para projetos sombrios de poder.

Ou seja, vai destruir as bases do Brasil.

💥 A PEC 32/2020 vai retirar das funções estratégicas, gerenciais e técnicas do Estado qualquer mecanismo que proteja a sociedade contra a corrupção e outros crimes.

Isso vai permitir que ilegalidades sejam livremente implementadas de acordo com os interesses dos poderosos.

😨 O governo não conseguiu demonstrar nenhum benefício do projeto para o Brasil, porque seu compromisso não é com o povo brasileiro, mas sim com as elites que já são privilegiadas.

📣 Rejeite a Reforma, e valorize o serviço público. Ele sim é para todos.

#ServiçoPúblico #ÉPublico #ÉpraTodos #ValorizeOServidor #ReformaAdministrativaNão #PEC32Não

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26 de julho de 2021

🤝 Em memória dos mais de 550 mil mortos por Covid-19 no Brasil; e pela valorização da ciência, da educação e da vida, a APUFPR se uniu a milhares de pessoas nas ruas de Curitiba e de Matinhos, no último sábado (24), durante a mobilização nacional “Fora Bolsonaro” e “Vacina para todos”.

Protestos foram realizados em centenas de cidades no Brasil e no exterior.

👉 Organizado por diversos setores da sociedade, o ato pedia celeridade na campanha de vacinação (atrasada propositadamente pelo governo, que deu preferência a esquemas para superfaturamento na compra de imunizantes) e cobrou a responsabilização do presidente da República sobre a morte dos brasileiros, tanto pela postura negacionista adotada para prolongar a pandemia de Covid-19 como pelas denúncias de corrupção que envolvem sua gestão na administração da crise epidemiológica.

⚖️ O secretário-geral da APUFPR, Paulo Opuska, destacou a importância da mobilização popular para defender a Democracia no Brasil. “Mais uma vez, a APUFPR está participando dos atos Fora Bolsonaro, da defesa do Estado de Direito, da defesa da República e da defesa da Democracia, que está em risco, inclusive, com a possibilidade de um golpe militar”, ressaltou.

✊ Junto com a categoria docente, a APUFPR também protestou contra a Reforma Administrativa e os cortes que o atual governo vem aplicando à educação e à ciência.

 

Fonte: APUFPR

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21 de julho de 2021

Protesto Fora Bolsonaro 24 de julhoBrasileiros voltam às ruas neste sábado (24 de julho) em mais uma mobilização nacional contra as barbáries do governo de Jair Bolsonaro.

Em Curitiba-PR, o protesto terá início às 15h, na Praça Santos Andrade, passando logo após pelas ruas centrais da capital.

A APUFPR convoca a categoria docente a se unir à manifestação, que é organizada por uma grande frente que une diversas entidades representativas e movimentos sociais paranaenses.

Haverá atos em outras cidades do estado. Em Matinhos, no litoral, um ato simbólico está marcado para 14h na rotatória, onde também haverá arrecadação de alimentos com biscoitos e achocolatados, que serão doados às crianças de famílias em situação de vulnerabilidade social. Em seguida, haverá uma carreata pela cidade.

Desde maio, a mobilização social tem avançado, pressionando pelo impeachment do atual presidente, em virtude da postura negacionista adotada por seu governo na condução da pandemia (que já causou quase 550 mil mortes no país, sendo que pelo menos 400 mil poderiam ter sido evitadas, segundo estudos), e das denúncias que envolvem sua gestão em diversos esquemas de compras superfaturadas de vacinas.

O ato também pautará os cortes sucessivos na Educação; o retrocesso que a Reforma Administrativa trará aos serviços públicos; a ampliação na campanha de vacinação; o retorno do auxílio emergencial de no mínimo R$600,00; além do protesto contra a fome, o desemprego e o genocídio da população brasileira.

Na ocasião, orientações de distanciamento social devem ser respeitadas. É obrigatório o uso de máscaras (de preferência, PFF2) e a organização pede que os manifestantes façam o uso, também, de álcool em gel 70%.

Apesar da situação crítica causada pela pandemia de Covid-19, as ações do governo de Jair Bolsonaro potencializaram a tragédia e continuam representando ameaças maiores ainda. Afinal, o que está em jogo são vidas!

É preciso reagir, em respeito à memória dos que já se foram, à valorização da Ciência, e ao futuro de todas e de todos!

À luta! Há luta!

 

O quê? Ato “Fora Bolsonaro” em Curitiba-PR
Onde: Praça Santos Andrade
Quando: 24 de julho (sábado), 15h
Importante: Use máscara PFF2 e álcool gel 70%. Respeite o distanciamento.

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21 de julho de 2021

Na terça-feira (20), o ministro da Educação, Milton Ribeiro (sim, pode parecer surpresa, mas há um ministro titular na pasta), durante pronunciamento em rede nacional, tentou manipular a opinião pública para buscar apoio ao retorno imediato às aulas presenciais.

Segundo Ribeiro, ele não tem poder para determinar o retorno presencial das aulas, caso contrário já o teria feito. Usando tom impositivo, o ministro tenta falar diretamente para a base extremista do governo e para setores empresariais que vêm lhe cobrando medidas mais enérgicas para forçar o retorno às atividades presenciais. Sem apresentar qualquer embasamento científico, ele afirmou que a vacinação de toda a comunidade acadêmica não pode ser condição a reabertura das instituições de ensino. De forma simplista, falou em álcool gel e outras medidas que, todos sabemos, são insuficientes.

Em sua retórica dúbia, ele disse que o MEC forneceu “protocolos sanitários”. Protocolos. Não quer dizer que forneceu as condições materiais e objetivas suficientes para garantir minimamente a segurança das comunidades, seja na educação básica ou na superior.

Como garantir a segurança em salas apertadas que precisam comportar dezenas de estudantes? Como garantir a higienização constante de equipamentos, ambientes sem trabalhadores em quantidades suficientes para isso?
Para ludibriar a opinião pública, Ribeiro usou a tática de citação de outros países, especialmente os europeus, como exemplos de retorno às atividades presenciais. Certamente, ele não citou que em nenhum desses países o governo empenhou esforços significativos para prolongar a crise em vez de combatê-la (acreditando que colheria benefícios futuros) ou que se negou a comprar vacinas por dezenas de vezes ainda no ano passado, para priorizar as negociações de compras superfaturadas de imunizantes. E nem que o seu principal mandatário promove aglomerações com fins políticos, desincentiva o uso de máscaras e o isolamento social, e ainda incentiva que as pessoas não se vacinem ao questionar, quase diariamente, a eficácia da imunização em massa (mesmo que esteja amplamente comprovada).

De forma demagoga, Ribeiro citou a OCDE para afirmar que o “fechamento traz consequências devastadoras”. É óbvio que há e haverá impactos. Mas um governo que trata a educação como inimiga traz consequência ainda mais devastadoras, afinal, a Educação tem o menor orçamento da década e os abusivos cortes ocorridos no ensino superior, com redução em mais de 1/3 das verbas recebidas em relação a 2020 (que já eram insuficientes), colocam em risco o funcionamento das universidades federais.

Ao mesmo tempo, em março deste ano usou R$ 140,9 bilhões do Tesouro para abater juros da dívida pública (recursos do superavit financeiro em operação autorizada pela Emenda Constitucional 109, oriunda da PEC Emergencial). Até agora, o governo destinou R$ 749 bilhões dos R$ 2,2 trilhão para pagamento de refinanciamento e amortização da dívida pública federal.

Em momento algum Ribeiro fez menção aos esforços dos profissionais da educação para garantir o acesso dos estudantes à educação em todos os níveis, apesar da falta de estrutura e do boicote do próprio presidente, que vetou integralmente o projeto que asseguraria internet grátis a alunos e professores da rede pública. Foi novamente derrotado pelo Congresso, que derrubou o veto para garantir os recursos para viabilização do projeto.

Em momento algum citou o papel das universidades públicas que, ao contrário das visões negacionistas, vêm desenvolvendo pesquisas sobre o novo Coronavírus e, principalmente, empenhando esforços para encontrar soluções efetivas para conter a pandemia, com o desenvolvimento de vacinas, testes mais eficazes e inúmeros estudos que orientaram autoridades e a população a adotar procedimentos mais seguros. Também não citou o papel que os hospitais universitários vêm desempenhando, seja na participação nos testes de imunizantes ou como centros de referência no atendimento a pacientes de Covid-19.

“Estamos preparados” afirmou, tentando passar um ar de confiabilidade que sua gestão não tem. Não ministro, as mais de 540 mil mortes por Covid-19 comprovam que o governo não está e nunca esteve preparado para enfrentar a crise sanitária.

Vale lembrar que nenhum país citado por Ribeiro apresenta a mortalidade em virtude da Covid-19 tão alta como aqui no Brasil, onde a pandemia já ceifou mais de 540 mil vidas. O Ministro esqueceu de comentar que nos referidos países a vacinação começou ainda em 2020, e que todos os protocolos de isolamento social e segurança foram adotados para conter a pandemia.

Como se não bastasse, abstraiu completamente a mortalidade de professores, estudantes e outros profissionais que atuam na Educação aqui no Brasil, e que muitos docentes receberam até agora apenas a primeira dose de vacina, sendo que no ensino superior o processo começou apenas em junho de 2020, seguindo o Plano Nacional de Vacinação (ao qual temos severas críticas).

Ainda, esqueceu de mencionar que não há qualquer perspectiva de imunização dos nossos estudantes (com duas doses ou com a vacina de dose única). Segundo o Memorial às vítimas do Coronavírus da UFPR, 36 membros da nossa comunidade morreram em decorrência da doença. Certamente, muitos outros nomes não estão ali e cada falecimento nos traz uma dor imensa. Já na educação básica, constam mais de 240 educadores no Memorial criado pela APP Sindicato (entidade que representa os trabalhadores em educação pública do estado Paraná). E há ainda todos aqueles que faleceram e atuavam nas redes públicas municipais e nas instituições privadas de ensino de todo o país.

Forçar a presença de dezenas de milhões de estudantes e milhões de profissionais da educação em ambientes sanitariamente inseguros, forçando o contato com o restante da população em transportes públicos, só vai contribuir para aumentar a tragédia brasileira.

 

 

Diretoria da APUFPR
21 de julho de 2021

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19 de julho de 2021

Reuni DigitalEm maio de 2021, o Ministério da Educação (MEC) enviou para as universidades a minuta do Reuni Digital, uma proposta de 64 páginas que, se implementada, pode trazer mais prejuízos à já sucateada educação superior no Brasil ao priorizar indiscriminadamente o ensino à distância.

Segundo a divulgação do Governo Federal, o Reuni Digital teria como principal objetivo cumprir com as metas de expansão do ensino superior previstas no Plano Nacional de Educação (PNE) de 2012 a 2024 – principalmente em relação à meta 12, que prevê aumento de 50% na taxa bruta de matrículas. Destas vagas, 40% deveriam ser no ensino público.

Qual o objetivo real?

Setores extremistas da sociedade (e isso inclui o governo Bolsonaro) têm pavor de qualquer ambiente democrático que estimule o pensamento crítico, afinal, o extremismo é a antítese da reflexão e do debate saudável entre as pessoas.

Por isso, as universidades públicas são tratadas como inimigas pelo presidente e por seus apoiadores muito antes de sua posse, já que existência política das ideologias do ódio e, agora, de seu governo, só conseguem sustentar suas pautas anti-humanitárias em ambientes onde impera uma visão única e distópica de mundo (obviamente, com eles no comando da repressão), regada a uma infinidade de paranoias cujo verniz falsamente moralista não passa, na maioria das vezes, de uma estratégia para escamotear a verdadeira pauta, que é a econômica.

Assim como a proposta de homeschooling, o Reuni Digital tem como objetivo afastar os estudantes das instituições de ensino e do convívio com outras pessoas. Isolados em suas próprias residências, estão mais suscetíveis às teorias conspiratórias, paranoias, fake news e toda uma gama de estratégias lançadas pelos dois campos que têm interesse na proposta: os próprios extremistas e os setores econômicos que desejam manter tudo como está (afinal, mesmo em tempos de pandemia, conseguiram lucrar sobre o sofrimento da população).

Para eles, livros, ciência, pesquisas, convívio, troca de experiências, debate de ideias, divergências de opinião, construção coletiva e solidariedade são consideradas sérias “ameaças”. E as universidades públicas abrem espaço para tudo isso.

Pegar uma ideia e piorar ela

A leitura atenta do documento produzido pelo MEC, e das diversas críticas que já surgiram a essa proposta, evidencia outros aspectos para além dos propagandeados.

Desde o início da atual gestão, o Governo Federal tem cortado o orçamento das universidades de maneira drástica. A proposta do MEC não só ignora essa situação como defende a expansão das matrículas com base meramente em plataformas virtuais, com pouca ou nenhuma garantia da qualidade do ensino.

Em maio de 2021, 30 das 69 universidades federais alertaram não ter recursos para chegar até o fim do ano com as contas em dia. A situação afeta não só milhares de estudantes, mas também serviços prestados à população, como os hospitais universitários, e funcionários e professores, que têm cada vez menos condições de trabalhar com qualidade.

Para o MEC, isso não parece ser um problema. Pelo contrário, uma vez que durante a atual gestão o Ministério tem se empenhado explicitamente em enfraquecer as universidades públicas, espalhando fake news sobre “baderna” e produção de drogas ilícitas (entre outras mentiras que já renderam duas condenações ao ex-ministro Abraham Weintraub, com denúncias apresentadas pela APUFPR).

A minuta não cita em nenhum momento a situação das vagas atualmente existentes em universidades, nem defende estratégias para melhorar a qualidade do ensino e da pesquisa produzidos ou das condições de trabalho e infraestrutura.

Não são previstos mais investimentos nas universidades nem a criação de novos campi ou vagas presenciais. Na verdade, o Reuni Digital, inclusive, prevê que parte das vagas atualmente presenciais possam ser convertidas em modalidades à distância ou semipresenciais. Mesmo pesquisas de mestrado e doutorado poderiam ser feitas à distância, o que também já levantou diversas críticas de especialistas.

Pesquisa e extensão universitária são outros pontos ignorados pela minuta do MEC, que trata o ensino superior apenas em um dos seus aspectos, as aulas, esquecendo-se da importância que a ciência tem não só para as universidades como para a toda sociedade – função essa também cumprida pelas atividades de extensão, responsáveis por levar o conhecimento para fora dos muros das instituições.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2018 e 2019 houve uma redução de 3,8% nas vagas de cursos presenciais de ensino superior, com um aumento de 19,1% nas de cursos virtuais. Em 2019, 28,5% dos alunos de graduação no Brasil estudavam em modalidades à distância. Se depender do governo, isso é só o começo.

Trata-se de uma proposta voltada para os números, o que, no limite, não passa de propaganda política e eleitoral antecipada para reduzir a percepção da população sobre a péssima atuação do governo na Educação.

O governo de Jair Bolsonaro vem tentando, com muito esforço, isolar as universidades públicas da sociedade e, da mesma forma, manter as pessoas em bolhas montadas para espalhar ódio e mentiras. O Reuni Digital seria apenas mais uma etapa dessa estratégia.

 

Fonte: APUFPR


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