Setor Litoral também debate os perigos do Future-se

8 de agosto de 2019
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Desde que o governo anunciou o programa Future-se, a comunidade da UFPR começou a se mobilizar para estudar e começar a compreender as minúcias da proposta. E com a mesma rapidez, ficou nítido para que o projeto não representa apenas uma “modernização” das universidades federais. Na verdade, representa uma profunda e perigosa mudança na natureza jurídica e na gestão das instituições.

Na quarta-feira (7), foi a vez da comunidade do Setor Litoral fazer um debate coletivo, na forma de aula pública, sobre o projeto, em atividade organizada pela direção da unidade.

Para o diretor do Setor Litoral, Renato Bochicchio, a comunidade local precisa ser esclarecida sobre os riscos, os perigos e tudo aquilo que não se diz nessa minuta de projeto de lei. Esse foi o objetivo da atividade. “Nos preocupa por tudo aquilo que se diz de um projeto evidentemente vinculado a elementos pouco naturais à realidade das universidades públicas brasileiras: captação de recursos privados, organizações sociais gerindo as universidades, com uma evidente afronta à própria natureza das universidades públicas”, afirmou.

 

O pró-reitor de administração da UFPR, Marco Antonio Ribas Cavalieri, mostrou que um dos valores das universidades públicas brasileiras é que são instituições extremamente inclusivas.

Ele também apresentou dados muito esclarecedores que comprovam que os países com os melhores sistemas de educação mundo investem no ensino superior público, e que até nos Estados Unidos as universidades públicas são instrumento de inclusão social.

A docente Claudia Regina Baukat Silveira Moreira, do Departamento de Planejamento Escolar, foi convidada para debater o tema e apresentou dados que comprovam que o Brasil já investe pouco em educação, e que seria um grande erro reduzir ainda mais esse investimento.

Ela destacou que a minuta de projeto de lei do Future-se não faz nenhuma menção à ampliação de acesso ao ensino superior público, à democratização em nem a programas de permanência estudantil.

Claudia também lembrou que o Future-se é ainda mais ameaçador se for observado a partir do cenário no qual se encontram as universidades federais. Basta lembrar os efeitos da Emenda Constitucional 95, que limitou os investimentos em áreas essenciais, incluindo educação, por 20 anos; os cortes orçamentários de 30% neste ano, que poderão fazer com que muitas instituições (inclusive a UFPR) fechem as portar no segundo semestre; e as intenções do Ministério da Economia, que pretende implementar a desvinculação orçamentária e desobrigar o governo de investir um percentual determinado do orçamento na educação.

Posição da APUFPR

 

O diretor-administrativo da APUFPR, Eduardo Salamuni, apresentou a posição da entidade: “Esse programa deve ser inteiramente rejeitado”, afirmou categoricamente.

 

Além das ameaças apresentadas pela professora Claudia Moreira, ele ressaltou outro perigo do Future-se que impactaria negativamente as relações dentro das instituições: “O documento estimula que haja uma competição entre departamentos por recursos”.

Salamuni lembrou também que o programa não chega nem a citar a extensão, que é uma das bases fundamentais das universidades públicas, junto com a pesquisa e com o ensino.

 

 

Próximos passos

Os membros da comunidade universitária do Setor Litoral também se posicionaram contrários às ameaças do Future-se e irão organizar atividades durante o dia 13 de agosto, data da Greve Nacional da Educação.

Fonte: APUFPR


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