Pesquisadores defendem a expansão da cobertura de testes como estratégia para vencer o Coronavírus

14 de abril de 2020
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Um grupo de mais de 200 especialistas acadêmicos em Demografia e Saúde da População lançou no último dia 4 de abril um chamamento aos governos dos países da América Latina e Caribe para que expandam a cobertura dos testes de detecção como estratégia para combater o a Covid-19, doença causada pelo novo Coronavírus, e mitigar seus efeitos.

A professora Raquel Guimarães, do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFPR, é uma das pesquisadoras que assina o documento.

“Sem o acompanhamento de estratégias agressivas de detecção de casos do Covid-19, as medidas de isolamento social, que são muito caras e restritivas, serão ineficazes”, explicou um dos líderes da iniciativa, Enrique Acosta, PhD em Demografia.

A estratégia de testes massivos fará com que as taxas de mortalidade sejam mais baixas, diminuirá a vulnerabilidade socioeconômica e trará menores consequências à saúde mental da população a longo prazo. Os benefícios compensam o preço da implementação, mais alto, mas com benefícios maiores a longo prazo.

A massificação dos testes de detecção permitirá que haja a identificação das cadeias de transmissão do vírus e assim a interrupção delas. Assim é possível traçar estratégias de combate ao vírus de maneira mais eficiente ao isolar todas as pessoas infectadas.

Em Cingapura e na Coreia do Sul, a alta quantidade de testes e as estratégias drásticas de distanciamento social permitiram a identificação precoce de cadeias de transmissão e sua interrupção. Estes países fizeram mais 7 mil testes por milhão de habitantes, muita acima da média da América Latina e Caribe (de apenas 512 testes por milhão).

“A Coreia do Sul e Cingapura são países que consideramos exemplares. A gente coletou as boas práticas com base nas evidências até o momento, verificando os dados de cobertura dos testes, período de isolamento, e taxa de fatalidade”, explicou a professora Raquel Guimarães. Ela leciona na instituição desde 2014 e atualmente está em pós-doutorado no IIASA, na Áustria.

Os pesquisadores que assinam a iniciativa levantaram quatro fatores que são agravantes da Covid-19 na América Latina e Caribe.

O primeiro é a elevada prevalência de doenças crônicas que são agravantes na região como doenças respiratórias, cardiovasculares, hipertensão e diabetes. Elas não estão restritas a idosos.

O segundo fator de agravamento é a deficiência dos serviços de Saúde. Os indicadores de leitos por mil habitantes são inferiores a 2 na região, situação pior que da Itália e da Espanha, países com relação mais favorável, mas que, mesmo assim, entraram em colapso.

O terceiro é a elevada vulnerabilidade socioeconômica da população, que limita efetividade do confinamento. Metade da população trabalha na economia informal e os trabalhadores formais têm pouca proteção. Sem medidas governamentais, as pessoas tendem a se expor ao risco de infecção por não conseguir interromper suas atividades econômicas por muito tempo.

O quarto fator agravante é a existência de arranjos familiares associados a maior risco para indivíduos idosos. Nos país com melhor cobertura de testes, compreendeu-se que os jovens e adultos são responsáveis pela maioria da infecção inicial. Na América Latina e Caribe, os índices de convivência entre adultos e idosos é muito grande. Isso aumenta os riscos para idosos, que são aqueles com maiores chances de complicações e de morte.

Fonte: APUFPR


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