Nazismo na Cultura e a patrulha ideológica contra os livros didáticos

27 de janeiro de 2020
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“Um montão, um amontoado, muita coisa escrita. Tem que suavizar aquilo.” Por incrível que pareça, essa foi a declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre os livros didáticos distribuídos no país.

Sem nenhum receio de expressar seu ímpeto antidemocrático, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, declarou dias depois do discurso de Bolsonaro que o Ministério da Educação (MEC) já havia feito uma “boa limpada” nos materiais.

As declarações vieram a público dias após o Governo Federal anunciar que os livros didáticos passarão por reformulações a partir de 2021.

Além de “suavizar aquilo” e fazer uma “boa limpada”, o presidente determinou que a bandeira do Brasil e o hino nacional constem no material. Uma medida meramente populista, já que grande parte dos livros distribuídos atualmente já carrega o hino na contracapa.

Não se pretende dizer que o conteúdo pedagógico distribuído aos jovens brasileiros não possa – ou até não precise – ser reformulado. Oferecer um material completo, condizente com os marcos científicos e atualizado é uma obrigação do MEC.

O que está em curso, porém, está longe de representar um avanço educacional. Por trás de discursos que beiram a infantilidade, a educação brasileira está sendo tomada por uma patrulha ideológica obscurantista, com objetivo de esvaziar a formação e promover o revisionismo de conceitos consolidados, especialmente quanto à história do país.

Evidências científicas estão sendo negadas e políticas educacionais consistentes seguem retrocedendo em nome de uma “luta” fantasiosa contra uma suposta “militância” nos ambientes escolares.

A sociedade brasileira está sendo acometida por práticas e concepções que deveriam ter ficado no passado, especialmente a censura.

Nazismo na Cultura

O governo brasileiro sabe que Educação e Cultura são dois campos que geralmente caminham juntos porque ajudam a inculcar valores moldar o caráter das pessoas. Por isso, têm aplicado um sistema de perseguição, ataques e formulação de absurdos contra ambos.

Até o momento, o ápice foi o discurso do então secretário de Cultura, que copiou conceitos nazistas tanto na forma (trilha de Wagner – compositor preferido de Adolf Hitler, uso de cenário e de estéticas nazistas) como no conteúdo (com citações literais de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler) ao divulgar um edital que pretendia distribuir R$ 20 milhões para projetos afinados com a ideologia do governo, com especial intuito de promover um revisionismo histórico.

Alvim caiu porque deu um passo largo demais. Acreditou que já era hora de expor com mais profundidade essa veia do governo. Caiu porque o fato se tornou um escândalo (mais um) internacional e apoiadores do governo cobrarão duramente sua demissão.

Mas tanto seu método (usar a promoção cultural como parte da disputa pela hegemonia da visão da sociedade, em prol dos interesses partidários) como a visão do governo para a educação são perigosamente semelhantes.

Basta lembrar que os nazistas tinham certa predileção pela destruição de obras com as quais não concordavam, usando fogueiras em praça pública para queimar toneladas de livros considerados impróprios aos seus ideais. Certamente livros com “um amontoado, muita coisa escrita”.

É por isso que na estratégia de construir um Estado baseado nesse tipo pilar, onde o pensamento crítico deve ser cada vez mais sufocado, o Governo Federal elegeu também a Educação como inimiga.

A APUFPR reitera sua luta contra o obscurantismo, pela democracia e pela liberdade de pensamento!

Não se trata mais de uma batalha contra um ou outro setor político. Urge que os docentes e as comunidades acadêmicas defendam, antes de tudo, os marcos civilizatórios da sociedade.

É nessa direção que continuaremos caminhando!

Fonte: APUFPR


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