Bolsonaro ataca a Educação para criar cortina de fumaça em acusações feitas por Moro

27 de abril de 2020
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A APUFPR repudia os ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, à Educação em seu confuso pronunciamento realizado na tarde desta sexta-feira (24). Ao não conseguir se defender das acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro (que deixou o governo e fez revelações bastante sérias) ele optou por reforçar velhos fantasmas na tentativa de criar uma cortina de fumaça para causar distração e evitar perdas ainda maiores em sua base de apoio radical.

Segundo o agora ex-ministro, Bolsonaro estava interferindo politicamente na Polícia Federal com o intuito de ter acesso a documentos sigilosos e interferir em investigações, especialmente naquelas que envolvem os próprios filhos.

Outra acusação grave é a de que outra pessoa utilizou a assinatura digital de Moro para confirmar a exoneração de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Isso seria um indicativo de que pode ter havido fraude processual, falsidade ideológica ou falsificação de assinatura.

Em seu pronunciamento, repleto de assuntos não relacionados, autoacusações e afirmações delirantes, Bolsonaro voltou a mostrar que não tem atributos técnicos e intelectuais para o cargo que ainda ocupa. É de uma visão curta e extremamente obscurantista o que disse sobre a Educação.

Bolsonaro distorce a realidade ao dizer que o (péssimo) ministro da Educação, Abraham Weintraub (conhecido pelo corte sistemático de verbas, falhas incríveis no Enem, nomeação de interventores e por criar picuinhas contra países estrangeiros) luta contra uma suposta doutrinação na Educação. Bolsonaro retoma um tema já desgastado, mas o repete como um mantra porque acredita ser uma forma de manter apoio.

Do mesmo modo, o presidente demonstra o desprezo pelo conhecimento ao dizer que “não vale que seu filho tenha um pedaço de papel chamado diploma”, e que “o diploma é apenas uma figura decorativa”. Bolsonaro não entende que a Universidade é um espaço não só de transmissão, mas de construção do conhecimento.

Ao tentar enganar mais uma vez a população, Bolsonaro retoma o método de radicalizar os conflitos na sociedade, tentando jogar novamente uma parte da população contra professores e estudantes das universidades públicas.

A universidade pública forma mais que profissionais tecnicamente qualificados. Ela forma cidadãos capazes de criar conhecimento para o crescimento econômico, social e humano do país, independentemente de posição política. Ao reduzir o papel da comunidade acadêmica, o presidente reforça uma visão autoritária de que as pessoas devem simplesmente obedecer ordens, reproduzir procedimentos e manter o status quo da sociedade injusta e excludente que o Brasil cultiva desde o começo da colonização.

O presidente cometeu uma espécie ato falho ao dizer “o ministro da Educação vem mostrando que a nossa educação nunca esteve tão mal”. Podemos dizer que, na verdade, a gestão do Ministério da Educação nunca esteve tão mal por culpa justamente de Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub.

Sérgio Moro, por sua vez, pode ter confessado culpa ao afirmar (e depois mostrar provas à imprensa) de que tinha conhecimento dos crimes cometidos pelo presidente e por parlamentares de sua base de apoio, inclusive sobre uma negociação para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), intermediada pela deputada federal Carla Zambelli (PSL). Ao tomar conhecimento de crimes e não denunciá-los, sua atitude pode ser considerada prevaricação, que é também considerada crime pela lei.

Todo esse cenário exige apuração séria e independente, para que as atitudes do presidente da República, de seu ex-ministro e dos demais envolvidos sejam devidamente investigadas e apuradas pelos olhos da lei. E que todas as medidas legais sejam aplicadas. É o mínimo que os brasileiros merecem neste momento.

Diretoria da APUFPR


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