APUFPR pauta assédio moral em seminário sobre Saúde do Trabalhador da UFPR

APUFPR pauta assédio moral em seminário sobre Saúde do Trabalhador da UFPR

2011-05-26T12:40:51+00:0026 maio 2011|

A diretoria da APUFPR-SSind e os professores que compõem o Grupo de Trabalho de Seguridade Social (GTSS) do sindicato participaram, no dia 29 de março, do seminário Saúde do Trabalhador da UFPR: A questão da insalubridade. A atividade, que reuniu cerca de 200 pessoas, foi organizada pelas três entidades que compõem o Fórum de Saúde do Trabalhador da Universidade: APUFPR-SSind, Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público (Sinditest) e a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe).

Durante o encontro, a APUFPR-SSind pautou os problemas que afligem o cotidiano dos docentes na Universidade. Segundo o secretário geral da entidade, Luis Allan Künzle, a APUFPR tem constatado um número crescente de adoecimentos físicos e psicológicos na instituição a partir do aumento do contingente de professores que procuram o sindicato com problemas de saúde relacionados ao trabalho.

Segundo a presidente da APUFPR-SSind, Astrid Avila, diante desse cenário, a diretoria da entidade tem atuado em dois sentidos complementares. Em nível interno, procurou estruturar o sindicato para atender os professores adoentados de forma integral. 
“Quando o docente decide procurar o sindicato ele já está muito desgastado, fragilizado. Contratamos duas psicólogas do trabalho para nos ajudarem nessa acolhida ao professor e estamos encaminhando o acompanhamento por meio de uma equipe que inclui as psicólogas, o departamento jurídico e a diretoria da APUFPR”, explica.

Já a nível externo, a APUFPR-SSind tem lutado para que os ambientes de trabalho que causam adoecimentos sejam modificados, privilegiando a saúde dos docentes.

“Readequamos nossa estrutura para atender os professores adoecidos, mas com a compreensão de que o foco central da atuação do sindicato não pode ser a resolução dos problemas individuais. O centro deve ser a análise das condições de trabalho que a Universidade oferece para atacar as causas da série de problemas que afetam os professores, antes que eles adoeçam”, completa Künzle.

Programação do seminário

A programação do seminário contemplou a realização de dois debates e uma plenária final. No período da manhã, foram abordados os fundamentos teóricos que norteiam uma prática transformada em saúde do trabalhador. Durante a tarde, os participantes analisaram a questão da insalubridade e os impactos da Orientação Normativa n° 02, editada pela Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento.

Ao final, foi realizada uma plenária para aprovar encaminhamentos que dessem consequência prática às discussões realizadas no evento. Entre os encaminhamentos aprovados está a produção de uma moção ao Conselho Universitário, solicitando que a instância se posicione pela revogação da Orientação Normativa n° 2.

A plenária aprovou a criação de uma comissão tripartite para acompanhar os problemas de saúde e definir um plano de metas para redução do número de adoecimentos na instituição.  Também encaminhou a produção de um jornal que relate as discussões do seminário e de um informativo especial sobre o mandado de injunção que garante contagem especial de tempo de serviço para quem trabalhou em condições insalubres.

Avaliação dos participantes

Para o professor do curso de agronomia da UFPR Mario Nieweglowski Filho, as discussões realizadas no seminário contribuíram para qualificar a compressão da comunidade universitária da UFPR sobre as condições de trabalho na instituição.

“O evento foi extremamente positivo porque tratou de assunto que é de extremo interesse de quem faz parte da universidade que é a questão da saúde. O foco do evento foi a nossa realidade e foi fundamental para dar respostas ao nosso dia-a-dia”.

Na avaliação do professor do Departamento de Saúde Comunitária Rogério Gomes, a realização do seminário foi importante, pois qualificou os instrumentos de intervenção no tema de saúde do trabalhador a partir da discussão dos fundamentos teóricos e de relatos concretos vividos na instituição.

“Embora o evento tenha contado com uma participação significativa, precisamos expandir essa discussão na Universidade e fazer com que os problemas que aviltam as condições de trabalho se tornem uma pauta de discussão cotidiana nos diversos locais da UFPR. Só ao transformarmos esse problema em uma questão coletiva, de fundo político, poderemos pressionar a administração e construir formas mais humanas e mais saudáveis de trabalho na Universidade”.