ANDES-SN perde o bonde da história no momento mais crítico do país

25 de julho de 2022
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Não é de hoje que alguns setores progressistas ou de esquerda preferem “marcar território” mas, quando a realidade exige, deixam de cumprir com seu papel histórico.

Foi o que ocorreu no 65º Conselho das Seções Sindicais do ANDES-SN (CONAD), nos dias 15 e 17 de julho, última atividade nacional antes das eleições de outubro.

Diante de um presidente que ameaça cada vez mais a Democracia, com uma escalada de violência política estimulada pelo próprio mandatário, que não parece ter limites para tentar se manter no cargo, o grupo que comanda o ANDES-SN há décadas opta por esvaziar esse debate e conduz as discussões para uma posição pouco coerente com o tempo histórico em que vivemos.

Em vez de assumir uma posição ativa, como inúmeras entidades estão fazendo em todo o país, indicando o apoio à única candidatura (a do ex-presidente Lula) capaz de derrotar o projeto de violência, intolerância, ódio e destruição da educação, da ciência e dos direitos, que trouxe os maiores retrocessos desde a redemocratização do país, o grupo que comanda o ANDES-SN optou por manter sua postura altiva e distante da realidade.

O grupo que comanda o ANDES-SN esquiva-se e afirma que não havia um texto de resolução (TR) que apontasse explicitamente o apoio à candidatura Lula. Mas havia uma proposta do Renova ANDES-SN para apresentar somente a ele as reivindicações da nossa categoria. Isso por si já serviria como indicativo bastante definido. Mas a opção do grupo majoritário foi alterar o texto, ampliar as reivindicações e apresentar para todas as outras candidaturas, exceto a do próprio Bolsonaro. Um tipo de “carta para todos”.

Como instrumento tático, isso praticamente anulou qualquer efeito político da ação e colocou todas as candidaturas no mesmo patamar.

Para se defender, o grupo que comanda o ANDES-SN opta por uma guerra fraticida contra aqueles que consideram essa escolha um equívoco, emite notas, acusações, repúdios, insta ADs da base da diretoria a fazerem o mesmo (adiantando a disputa eleitoral pela diretoria do sindicato nacional), e refaz as velhas táticas que conduzem o movimento docente novamente para uma autofagia (incluindo a desmobilização para participar do CONAPE em Natal, um tempo enorme para discutir questões envolvendo a expulsão de um filiado o desvio do debate político e, ainda, a prestação de contas camuflada), configurando-se aí um segundo equívoco.

É verdade que o ANDES-SN esteve na organização dos atos Fora Bolsonaro, mas as lutas políticas são feitas de momentos históricos, e cada um desses momentos exige uma responsabilidade diferente, um papel a cumprir.

O bonde da história passa.

Alguns irão perdê-lo, outros já o perderam… O preço que o ANDES pagará será bem caro, e ficará marcado em sua história pela forma lamentável pela luta que não travou…

 

Fonte: APUFPR


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