Após denúncia da APUFPR, ex-ministro Weintraub é processado pelo MPF e pode perder direitos políticos

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Considerado o pior ministro da Educação de todos os tempos, Abraham Weintraub (que deixou o cargo em junho de 2020) está sendo processado por improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal (MPF).

O processo é um dos desdobramentos da denúncia que a atual diretoria da APUFPR fez contra o então ministro, em dezembro de 2019 (veja mais abaixo).

A acusação do MPF é que o ex-ministro atentou contra os princípios da administração pública como moralidade, honestidade e lealdade às instituições, por conta de seus ataques às universidades públicas.

Caso seja condenado, Weintraub perderá seus direitos políticos e terá que pagar multa.

Entre as inúmeras mentiras que levaram à denúncia, Weintraub, quando ainda era ministro, afirmou, sem nenhuma prova, que havia “plantações extensivas de maconha nas Universidades Federais” e “coisas piores com laboratórios de química desenvolvendo droga sintética de metanfetamina”.

Mesmo sabendo que suas afirmações eram falsas, sua retórica era usada para insuflar uma parte radicalizada da sociedade contra as instituições e, principalmente, contra os professores, seja para agradar aos empresários do ensino privado, ou para coagir a comunidade acadêmica, pouca afeita aos extremismos do governo.

Na argumentação da denúncia do MPF, as declarações de Weintraub eram “dolosamente incorretas” com o propósito de “desacreditar o serviço prestado por essas instituições de ensino”. O MPF relata, ainda, que as declarações podem prejudicar o investimento em pesquisas nas universidades e mancha a reputação das instituições.

 

Verborreia

Mesmo desconhecendo regras básicas de língua portuguesa, era com uma militância radical nas redes sociais que o então ministro ocupava boa parte do seu tempo, estimulando milícias digitais a agirem contra os professores federais.

Entre seus ataques, Weintraub cortou verbas deliberadamente das universidades sob a afirmação de que eram lugares de “balbúrdia”, colocando sob risco o funcionamento das instituições.

O ex-ministro também incentivava a perseguição a docentes e pesquisas nas universidades que contrariavam seu interesse e o do presidente Jair Bolsonaro, e dizia que professores universitários eram “zebras gordas”, que recebiam salários altos demais (outro tema que sofria severa distorção).

Esse receituário de ataques e mentiras apenas estimulava a violência contra docentes e estudantes. Por mais que as afirmações fossem mentirosas, elas eram espalhadas pelas redes sociais e convenciam uma parcela da população, que reproduzia os ataques do então ministro.

 

APUFPR pediu a demissão de Weintraub

A APUFPR fez um grande enfrentamento contra as mentiras de Weintraub e o método de terror que ele adotou para enganar a população em relação às universidades. Em dezembro de 2019 o sindicato apresentou uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), e pediu seu afastamento imediato do cargo.

À época, a APUFPR argumentou que “o ministro Weintraub feriu de forma flagrante as prerrogativas constitucionais de seu cargo, agindo de forma incompatível com a dignidade e o decoro que o posto exige”.

 

Já foi condenado

 O novo processo do MPF é mais um que Weintraub irá responder por causa de sua vergonhosa passagem pelo ministério da Educação.

Por causa dessas mentiras, tanto a União como o próprio ex-ministro já foram condenados (em processos diferentes) a pagar, respectivamente, R$ 50 mil e R$ 40 mil.

 

Defesa da educação

A nova denúncia do MPF, que pode fazer Weintraub perder seus direitos políticos, é prova de que a luta da APUFPR e de tantas outras organizações não foi em vão.

Mesmo em tempos tão difíceis, fizemos e continuaremos fazendo o bom e justo combate contra todos aqueles que pretendem destruir os espaços de formulação crítica da sociedade e de liberdade de pensamento.

A APUFPR continuará defendendo os docentes e o ensino superior público do Brasil, fundamentais para o desenvolvimento da sociedade.

 

 


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