Professores relatam assédio moral no Campus Avançado Pontal do Paraná

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Foto: Integra UFPR

Dezenas de professores do Campus Avançado Pontal do Paraná – Centro de Estudos do Mar relataram que vêm sofrendo assédio psicológico e moral por parte da direção do setor.

Já são quase 20 denúncias recebidas pela APUFPR, que reivindica ser ouvida pelo Diretor Disciplinar da instituição nos Processos Administrativos Disciplinares (PADs) aberto contra a direção do Campus.

As principais denúncias dizem respeito à imposição de sobrecarga de trabalho aos docentes, por meio de pressões psicológicas e assédio moral.

A APUFPR tem prestado toda assistência psicológica e jurídica aos professores, sendo que mais de 18 casos já foram acolhidos pela entidade. Uma ação coletiva está sendo preparada para resguardar a saúde dos trabalhadores, reparar os danos e pôr fim ao assédio.

Além de todos os desafios impostos aos professores e aos servidores técnico-administrativos pela pandemia de Covid 19, o assédio moral tem sido constante no Centro de Estudos do Mar.

Alguns docentes estão, inclusive, se aposentado antes do planejado, de maneira precoce, por não suportarem a pressão psicológica.

O secretário-geral da APUFPR, Paulo Ricardo Opuszka, reafirma que o papel entidade, enquanto representação sindical, é acolher os docentes, verificar as demandas e dar seguimento à busca por uma solução que resguarde os membros da categoria. “A APUFPR está pronta a dar todo o suporte aos professores. Queremos acompanhar de perto os procedimentos para resguardar, inclusive, a saúde mental dos docentes”.

 

Desânimo e esgotamento profissional

Muitos dos professores que têm procurado a APUFPR para relatar o assédio já sofrem com sintomas que podem ser identificados como de Síndrome de Burnout, uma doença laboral caracterizada por estresse crônico que leva à exaustão física e emocional.

A síndrome é um distúrbio psíquico desencadeado por tensão emocional provocada por condições de trabalho desgastantes. Professores estão entre as categorias mais atingidas, já que a profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso.

Entre os principais sintomas do Burnout podemos destacar também o auto isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima.

A situação é agravada por causa do atual contexto político do país, que tem reflexos nossa categoria. Ao direcionar parte da militância do ódio e de grupos extremistas contra os professores das universidades públicas, o governo e seus apoiadores mantêm os docentes frequentemente na mira.

Quando ocorre assédio moral dentro de um espaço que, em tese, deveria ser mais protegido, como o local de trabalho do docente, isso se agrava, porque o professor perde uma parte importante do apoio (no caso, institucional).

O que ocorre no Campus Avançado Pontal do Paraná pode ser um sintoma de algo maior. Desde o começo do governo de Jair Bolsonaro, os casos de assédio moral no serviço público se multiplicaram.

Até agosto do ano passado, a média era de 1,2 denúncia oficial por dia desde o início do atual governo, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU). O ministério da Educação é uma das pastas com maior quantidade de denúncias.

 

 

Fonte: APUFPR


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