Ministério da Saúde não renova financiamento de principal pesquisa de incidência da Covid-19 no país

Apufpr-pesquisa-de-incidencia-da-Covid-19-.jpg

Em decisão anunciada no início da semana passada, o Ministério da Saúde (MS) decidiu não renovar o financiamento da Epicovid19-BR, a mais ampla pesquisa de incidência da doença causada pelo novo Coronavírus do mundo.

O principal estudo do país na área é coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e apontou uma incidência de 3,8% da população brasileira, o que representaria cerca de 8 milhões de pessoas infectadas pelo vírus até o dia 24 de junho. Isso significaria uma subnotificação de quase 7 vezes com relação aos casos confirmados, que na data somavam 1,2 milhão.

A pesquisa teve três fases e percorreu 133 cidades. Foram testadas quase 90 mil pessoas em suas casas. Ela estimou o alcance e a proporção real de pessoas infectadas e avaliou a velocidade de expansão da Covid-19 no país.

O MS disse em nota que as três etapas previstas pela Epicovid19-BR foram executadas e que dará continuidade a estudos de inquérito epidemiológico de prevalência na população.

No entanto, o Ministério não especificou se usará outra instituição ou a PNAD Covid do IBGE, o que pode significar que a pasta, que não usou sequer 30% dos recursos liberados para o combate à Covid-19 e está há mais de 2 meses sem titular, possa decidir não utilizar nenhuma pesquisa ou trabalho do gênero, passando a se guiar no vazio estatístico.

Acabar com o financiamento de uma pesquisa tão relevante como a Epicovid19-BR terá o mesmo efeito da subtestagem na população. O governo acredita que quanto menos informação tiver, menor será a carga da sua responsabilidade para enfrentar a pandemia com seriedade. É uma forma de maquiar os números pela ausência de dados e se eximir da obrigação de zelar pelo bem-estar da população do próprio país.

Pode até servir politicamente para que o próprio governo continue negando a dimensão do problema, mas contribuirá para a morte milhares de outros brasileiros. Ao que parece, quem poderia reverter essa situação não está muito preocupado com isso.

 

 

Conclusões importantes

A Epicovid19-BR fez entrevistas e testes em três períodos: 14 a 21 de maio, 4 a 7 de junho e 21 a 24 de junho. Levando em conta taxa de falsos positivos e falsos negativos dos testes rápidos, chegou a importantes conclusões.

Na primeira fase, o percentual da população com anticorpos (que demonstra contato com o Coronavírus) foi de 1,9%. Na segunda, foi de 3,1%. Na terceira, a taxa foi de 3,8%. Isso significa que o crescimento foi 53% entre a primeira e a segunda fases e de 23% da segunda para a terceira.

Os resultados mostraram que a taxa de letalidade é de 1% e que o número de infectados cresce proporcionalmente conforme diminui o nível socioeconômico, mostrando que pessoas mais pobres são mais vulneráveis.

O estudo confirmou que a severidade da Covid-19 é maior nas faixas etárias mais altas e que não há diferença de prevalência por sexo e idade. Com relação a cor de pele por autodeclaração, houve a seguinte proporção de infectados por grupo étnico: indígenas (5,4%), parda (3,1%), preta (2,5%), amarela (2,1%) e branca (1,1%).

 

 

Fonte: APUFPR


Últimos posts

10 de agosto de 2020


BOLETIM ELETRÔNICO


REDES SOCIAIS