Novo ministro da Educação é ligado a grupo educacional que deve R$ 828 milhões à Previdência

Depois das fracassadas passagens do olavista Ricardo Vélez Rodrigues, de Abraham Weintraub (o pior da história e que fugiu para os Estados Unidos com medo de ser preso), de Carlos Alberto Decotelli (“o breve”, que caiu após 5 dias por ter fraudado seu currículo) e Renato Feder (“o quase”, que nem chegou a assumir o cargo depois que escândalos foram revelados), o presidente da República, Jair Bolsonaro, indicou o quinto nome para o Ministério da Educação em 19 meses mas, assim como os demais, ele não tem um histórico que faça jus à importância da Pasta.

Milton Ribeiro está ligado à instituição de ensino que é a 11ª maior devedora da Previdência Social.

Ribeiro é vice-presidente do Conselho Deliberativo da Universidade Mackenzie (da qual já foi já foi reitor em exercício e vice-reitor), cujo grupo controlador, chamado Instituto Presbiteriano Mackenzie, deve cerca de R$ 830 milhões à Previdência, segundo a Procuradoria-Geral da Previdência Social.

Pouco tempo depois da divulgação do nome do novo ministro, começaram a circular pela internet vídeos que mostram a visão peculiar que Ribeiro tem sobre vários assuntos.

 

 

Universidades ensinam sexo sem limites?

Contrariando a expectativa da ala militar, que não via a hora de abocanhar mais outro ministério com orçamento bilionário, Bolsonaro resolveu atender à ala conservadora, para manter a fidelidade de sua parcela mais radical de seguidores.

Em um desses vídeos, gravado em uma ministração no passado, Milton Ribeiro afirmou que a questão filosófica do existencialismo ensina sexo sem limites, especialmente nas universidades. “Se você tem um sexo com o seu vizinho, que é casado, com a sua vizinha, mas é com amor, ‘no problem’, nenhuma dificuldade, foi feito com amor. Essa é nossa sociedade. É isso que eles estão ensinando para os nossos filhos na universidade”. Sua retórica induzia as pessoas a acreditar que há disciplinas sobre o assunto na grade curricular dos cursos universitários, ou que docentes abordam o assunto em sala de aula.

Ao que parece, os devaneios do ministro não estão distantes das fake news de Weintraub, que afirmava que havia plantações de maconha nas universidades públicas, que os laboratórios das instituições produziam metanfetamina e que professores das federais só trabalham oito horas por semana.

 

 

Castigo para crianças e outros absurdos

Outro vídeo polêmico mostra que Ribeiro já defendeu o castigo físico de crianças como método educacional: “Talvez aí uma porcentagem muito pequena de criança precoce, superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, desculpe. Severidade (…) Vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor”.

Ele foi além: “Se você está com raiva do filho, não o discipline. Aguarde. É mais difícil depois. Mas cuidado. Não te excedas a ponto de matá-lo”. Ou seja, a violência poderia ir até um certo limite, desde que a criança não seja morta.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que: “A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los”. Mas é provável que o novo ministro não conheça o ECA.

Para ele, apenas crianças “superdotadas” seriam capazes de compreender o argumento dos adultos. Ele chegou a apagar o vídeo nesta segunda-feira (13), mas outros canais já haviam reproduzido o material.

Em outra ocasião, ele minimizou o feminicídio ao comentar o assassinato de uma jovem de 17 por um homem de 33: “Nesse caso específico, acho que esse homem foi acometido de uma loucura mesmo. E confundiu paixão com amor. São coisas totalmente diferentes. E ele, naturalmente movido por paixão… Paixão é louca mesmo”. Feminicídio, para ele, seria questão de paixão, e não um problema da sociedade cujo combate deve ser inserido também no contexto da Educação.

Em ato falho, o presidente da República já afirmou que a Educação nunca esteve pior. Em certa medida, ele tem razão. A Educação brasileira nunca foi tão mal gerida como tem sido desde janeiro de 2019. A sucessão de ministros sem preparo, sem qualificação e sem equilíbrio está colocando em risco a formação de milhões de jovens brasileiros.

Pelo que o passado de Milton Ribeiro indica, poderemos viver um novo período de fake news, paranoias e discursos de ódio sendo direcionados contra as universidades públicas.

 

 

Fonte: APUFPR


BOLETIM ELETRÔNICO


REDES SOCIAIS