Cai Abraham Weintraub, (provavelmente) o pior ministro da Educação de todos os tempos

Apufpr-Cai-Abraham-Weintraub-interno.jpg

Abraham Weintraub foi demitido do Ministério da Educação nesta quinta-feira (18). Sua gestão, de pouco mais de 14 meses, não deixará saudades.

Foram meses de inúmeros ataques, bravatas, picuinhas, terror, caos, completa ausência de diálogo, falta de liderança e praticamente nenhum trabalho em benefício da Educação.

Logo de início, ele demonstrou que não tinha estatura para o cargo. Por motivos ideológicos, cortou 30% do orçamento de universidades afirmando que elas faziam balbúrdia. Pegou mal, e ele resolveu aplicar o corte em todas as instituições federais do país. O MPF-RN pediu à justiça uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 5 milhões.

Em um live (transmissão ao vivo) ao lado do presidente, Jair Bolsonaro, usou chocolates para falar do orçamento das instituições federais de ensino, mas errou o cálculo (mesmo sendo economista).

Convencidos pelo ministro, militantes radicais, apoiadores do governo, despejaram ódio contra as universidades públicas. A retirada da faixa em defesa da educação da fachada do prédio histórico da UFPR foi o ápice desse movimento truculento. A APUFPR ajuizou ação para indenização pela destruição da faixa e o MPF transformou nossa denúncia em ação penal.

Suas atitudes geraram uma imensa reação não apenas das comunidades universitárias, mas de vários setores da sociedade, e grandes mobilizações, chamadas de “tsunamis da educação”, se espalharam por todo o país.

Para amealhar apoio de setores radicais da sociedade, tornou-se um ideólogo, apostou no histrionismo e, principalmente, nas fake news. Para jogar a opinião pública contra os docentes das universidades federais, passou a distorcer dados sobre salário e jornada, enganando a população.

Rebatendo o ministro, a APUFPR criou a websérie “Além das 8” para mostrar que nossa categoria não trabalha apenas oito horas por semana, como ele reiteradamente dizia. Também críamos uma campanha para mostrar como ele e o governo usaram uma tática de terror para acuar a comunidade acadêmica veja aqui.

Tentando fazer a população acreditar que docentes federais são privilegiados, chamou a categoria de “zebras gordas”. Em uma rádio, chegou a dizer que os salários seriam equivalentes a R$ 140 mil por mês.

Tentou ainda forçar a implementação do Programa Future-se, que foi amplamente rejeitado pela comunidade acadêmica brasileira. Defendeu a contratação de professores e servidores via CLT e não mais via concurso público. Relembre as campanhas da APUFPR contra o projeto aqui e aqui.

Em sua campanha permanente de difamação, espalhou a mentira de que as universidades federais estão tomadas por plantações de maconha e que os laboratórios são usados para produção de drogas. Por causa disso, a APUFPR protocolou no MPF do Paraná um pedido de afastamento de Weintraub.

Em dezembro, afirmou ser contra a autonomia universitária e defendeu a presença de policiais nos campi. Sua intenção era intimidar a comunidade acadêmica.

Por suas ofensas, foi convocado pela Comissão de Educação do Congresso. Ali, defendeu a cobrança de mensalidades nos cursos de mestrado e doutorado nas federais.

Implementou cortes severos nas bolsas de pesquisa. O orçamento de 2020 foi praticamente a metade do ano anterior. Em dezembro, emitiu portaria restringindo a participação a dois pesquisados em congressos, fóruns, seminários, feiras e afins, mesmo se outros desejassem participar sem utilizar recursos públicos. Acabou revogando o decreto mais de um mês depois.

Perseguiu as áreas de Ciências Humanas com diversas declarações e cortes de bolsas de pesquisa. Na semana passada, contrariando recomendações de isolamento social, participou de um ato contra a democracia com apoiadores do presidente, quando declarou “Eu não quero mais sociólogo, antropólogo, não quero mais filósofo com o meu dinheiro”.

Deixou de lado a liturgia e o respeito que o cargo exigia para se tornar uma espécie de capanga das alas radicais do governo. Logo, se tornou o ministro mais estridente. Em vez de trabalhar, preferia gastar mais tempo alimentando a turba raivosa. Em seu primeiro ano no cargo, publicou mais de 800 mensagens no Twitter, mas apenas 208 eram sobre educação. Cerca de 340 foram ataques políticos ou ideológicos.

Em mensagens nas redes sociais ou em documentos oficiais, também se destacou por graves erros de português (suspenção, paralização e Imprecionante e insitaria).

Atacou Paulo Freire, mas não conseguiu conduzir o Enem com eficiência, deixando milhares de estudantes sem resultados por vários dias.

Acabou sendo investigado por racismo contra chineses, afirmou que odeia o termo “povo indígena” e está sob investigação no inquérito das fake news pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Não por acaso, resolveu despejar seu ódio contra os ministros do STF, fator determinante para sua saída, mas que pode ter sido um cálculo eleitoral para amealhar ainda mais apoio de alas extremistas, já que estava na corda bamba a muito tempo.

Golpe na saída

No final, ainda tentou golpear a autonomia universitária, ganhando do presidente, por meio de uma Medida Provisória, poderes absolutos para empossar reitores-interventores nas instituições federais de ensino que tiverem mandatos de reitores encerrados durante a pandemia. Diante da forte pressão dos diferentes setores da Educação, do Congresso e da sociedade, Bolsonaro voltou atrás e revogou a MP no dia seguinte.

Em vídeo de despedida ao lado do presidente da República, não falou sobre seus feitos à frente do MEC, até porque não deixou nenhuma política pública relevante, apenas ofensas e desmonte da educação. Sua passagem pelo MEC tem feitos tão irrelevantes como sua carreira na docência (foi aprovado com nota mínima, mesmo sendo único candidato, e um dos participantes da banca se tornou seu sócio logo depois).

Demitido para distensionar as relações do Governo Federal com o STF, recebeu de presente uma indicação do próprio presidente para um cargo no Banco Mundial, com salários quatro vezes maiores do que o de ministro. Segundo jornais, integrantes e ex-integrantes do Banco Mundial se disseram chocados com a indicação, e que o Brasil pode virar “piada internacional” (novamente), uma vez que o agora ex-ministro já deu diversas declarações contrárias ao multilateralismo.

Nada disso livra ele das investigações por participar das ações do chamado Gabinete do Ódio, esquema de ataques a reputações e uso de robôs em redes sociais instalado no Palácio do Planalto para distribuir mentiras com fins políticos.

Com a saída de Abraham Weintraub, o Brasil vira mais uma página de sua conturbada conjuntura. O país se livra daquele que provavelmente tenha sido o pior ministro da história do Ministério da Educação (pelo menos, até o momento).

Mas pelo avanço das movimentações antidemocráticas de alguns setores da sociedade e do governo, nada indica que o novo ministro vá conduzir a pasta sem a mesma truculência de seu antecessor.

Se isso acontecer, a APUFPR estará pronta para enfrentar qualquer afronta à educação e aos docentes. Temos a certeza de que a nossa categoria também estará.

 

 

Fonte: APUFPR


BOLETIM ELETRÔNICO


REDES SOCIAIS