Mobilização faz Senado aprovar projeto que congela salários sem incluir professores

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O Senado aprovou nesta quarta-feira (6) o projeto que autoriza o Governo Federal a socorrer estados e municípios, diante da crise causada pelo Coronavírus, com uma contrapartida: servidores de todas as esferas poderão ficar mais 18 meses sem reajuste salarial.

Apesar de representar um grave retrocesso para a maioria do serviço público, a proposta final representou uma imensa derrota para o Governo Federal porque tanto a Câmara como o Senado aprovaram propostas que deixavam de fora dessa medida algumas categorias, inclusive professores de todos os níveis.

Por formarem a categoria mais numerosa do país e por serem tratados como “inimigos”, os professores estavam na mira do governo.

Como a primeira votação na Câmara em 14 de abril aprovou uma versão que não exigia o congelamento salarial do funcionalismo, o governo Bolsonaro foi buscar apoio no chamado “Centrão”, o campo mais fisiológico da política, composto por partidos sem projeto definido, políticos condenados por crimes diversos e outros tanto investigados e indiciados.

A troca de cargos no segundo escalão por apoio (algo que o próprio presidente, Jair Bolsonaro, dizia que nunca faria) surtiu efeito e o governo conseguiu que o Senado aprovasse uma versão diferente em 2 de maio, incluindo o congelamento generalizado.

A Câmara votou então uma nova versão no dia 5, incluindo o destaque apresentado pela bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) que retirava os professores das regras de congelamento. Para a votação dessa quarta-feira, o presidente do Senado, David Alocumbre, fez novo acordo com o Governo Federal e pretendia manter o congelamento generalizado. Mas uma grande mobilização nacional pressionou os senadores que, por sua vez, convenceram Alocumbre a incluir os professores entre as categorias que não deveriam ser afetadas.

Vitória da Mobilização

O resultado foi favorável aos professores de todo o país porque houve uma participação efetiva tanto dos profissionais da educação como de diversos setores da sociedade, que pressionaram constantemente o Congresso.

A diretoria da APUFPR conversou com diversos deputados federais e com os três senadores paranaenses (Flávio Arns, Oriovisto Guimarães e Álvaro Dias) para reforçar a importância de protegerem os professores pois, além do inestimável papel social que desempenham, estarão entre os mais afetados ao fim da pandemia, já que as complexas questões que envolvem o calendário escolar em todos os níveis ainda terão grande repercussão.

“Além das articulações que fizemos com os parlamentares aqui do Paraná, os professores da UFPR tiveram papel fundamental nesse movimento. Gravamos vídeos, fizemos forte pressão nas redes sociais e inundamos as caixas de mensagens dos parlamentares”, afirma o secretário-geral da APUFPR, Paulo Ricardo Opuszka.

Enquanto continuam trabalhando para reduzir os impactos da pandemia sobre a população, os servidores são vítimas do projeto de destruição dos serviços públicos. “Se o Governo Federal e os parlamentares estivessem realmente comprometidos com o nosso país, adotariam medidas mais humanizadas como a taxação das grandes fortunas, e também não beneficiaram o sistema financeiro com uma ajuda de R$ 1,3 trilhão”, critica o presidente da APUFPR, Paulo Vieira Neto.

Fonte:APUFPR


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