Diretoria da Capes trai ciência nacional e corta unilateralmente bolsas de pesquisa

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Em uma decisão unilateral, em meio a toda movimentação da crise da pandemia do Coronavírus, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) efetuou, no dia 19 de março, mais um corte nas bolsas de pesquisa de pós-graduação.

A portaria 34/2020 corta de 20% a 50% das bolsas de pesquisa de mestrado e doutorado.

Só na UFPR, isso significa a perda 597 bolsas, prejudicando a pesquisa científica em um momento que ela é fundamental no enfrentamento das crises do país.

Não houve nenhuma consulta sequer ao Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (Foprop), à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ao Conselho de Coordenadores das 49 áreas de conhecimento da Capes e tampouco a algum representante de curso ou programa de pós-graduação. A portaria foi uma medida autocrática do presidente da Capes, Benedito Aguiar, e de sua diretoria.

Os efeitos serão devastadores para o Brasil para a produção de ciência. Muitas pesquisas importantes para o desenvolvimento do país serão inviabilizadas e programas inteiros poderão ser esvaziados com a desistência de estudantes-pesquisadores que não terão formas de sustento, ainda mais neste que deve ser o período mais grave para a economia brasileira das últimas décadas.

Diversos estudantes de pós-graduação que seriam contemplados com bolsas, que exigem dedicação exclusiva, já haviam deixado seus empregos anteriores e ficarão desprotegidos com esta medida, pois estarão impossibilitados de voltar imediatamente aos empregos. Isso se torna ainda mais grave diante da forte recessão que se avizinha. Estima-se que dezenas de milhões de pessoas ficarão desempregadas por causa do fechamento de indústrias e empresas durante a pandemia.

Diferentemente do que a direção da Capes tenta convencer, as perdas atingirão todos os níveis de programas dentro da classificação de notas da entidade. O maior quantitativo de perda de bolsas na UFPR será justamente em programas com notas 5, 6 e 7, as maiores dentro da escala de avaliação. São mestrados e doutorados de alto grau de excelência e relevante produção científica.

Tal medida arbitrária demonstra mais uma vez o descompromisso do governo Bolsonaro com o ensino e a pesquisa e com um projeto de um país soberano que produza conhecimento e, a partir desse conhecimento, possa se produzir desenvolvimento econômico, social e humano.

Ao que parece, o governo Bolsonaro não está aprendendo nada com a crise causada pelo Coronavírus Covid-19.

Fonte: APUFPR


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