Exatas e Agrárias debatem os tortuosos caminhos do Future-se

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A chuva na sexta-feira (2) não espantou os membros da comunidade universitária que buscavam resoluções para os problemas que o Future-se está despejando sobre as instituições. Ao contrário, o auditório de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR) recebeu uma tempestade de boa vontade e dedicação pelo futuro do ensino superior público.

A assembleia convocada pelos setores de Ciências Exatas e de Ciências Agrárias abriu possibilidades para que os participantes debatessem os perigos e limites do projeto, e dessem contribuições para embasar a decisão coletiva que a própria UFPR deverá tomar em um futuro breve.

Parte de um processo articulado e, ao mesmo tempo, obscuro do atual Governo, o Future-se é uma armadilha que inicialmente tenta levar a população a ter uma visão deturpada das universidades federais. Segundo a narrativa do governo, as instituições estariam afastadas da sociedade, centradas em si mesmas e representariam um prejuízo para o Brasil.

Sua atuação, todavia, sempre foi o oposto dessa narrativa: as instituições federais de ensino superior geram inclusão efetiva, são espaços democráticos, e retornam para a sociedade, em forma de produção científica, os investimentos que recebem.

Segundo o secretário-geral da APUFPR, Paulo Ricardo Opuszka, a categoria tem motivos de sobra para se preocupar com o projeto: “Não há pontos positivos no Future-se. Um programa que exige o preenchimento de planilhas, antes de qualquer possível adesão, já se mostra desrespeitoso com a universidade pública. Sem saber, a instituição estará ofertando seus dados, como se concordasse com o documento”.

Ele alertou ainda sobre o caráter restritivo do Governo: “Não há espaço para a instituição discutir o assunto. O governo sensibiliza a sociedade e nos aplica a pecha de que trabalhamos pouco. É como se a Academia fosse apenas uma sala de aula, que não contribui em nada, quando na verdade temos uma atuação muito forte e sensível lá fora”. Diretrizes anunciadas somente após a adesão ao programa foi outro problema apontado pelos presentes no debate.

A APUFPR também foi representada na atividade pelo diretor administrativo, Eduardo Salamuni, que indicou a clara rejeição ao Future-se: “É um documento que não pode ser emendado ou melhorado, apenas repudiado. Não há refresco em qualquer de suas páginas; ao contrário, coloca o servidor em um papel inerte.” Opuszka concordou: “O ministro da educação [Abraham Weintraub] tira sarro da universidade pública; essa é sua postura”.

Nos próximos dias, APUFPR estará organizando diversas atividades que abordarão a proposta. Opuszka detalhou a agenda de mobilização: “Dia 5 de agosto, segunda-feira, começaremos o grupo de trabalho para leitura completa do projeto e debater o que devemos fazer à respeito. O grupo de estudo é fundamental para conhecermos os pontos com mais profundidade. Deixamos cópias do documento na APUFPR para que todos se informem. Na quarta-feira, 7 de agosto, teremos assembleia e contamos com a presença dos docentes”.

“Convido para que, no dia 13 de agosto, façamos uma forte mobilização para mostrar à sociedade que o Future-se não contempla nosso trabalho e nem objetiva a melhoria da educação brasileira”, incentivou Salamuni.

Para ele, a entrega da gestão para organizações sociais (OS) é um dos pontos mais ameaçadores do projeto. “Convido à reflexão no nível político interno. A agenda da próxima semana é também para discutirmos qual orçamento será praticado e como o será. Não podemos entregar nossa autonomia”, completou.

Acompanhe, aqui no site, as publicações da APUFPR sobre as ações em combate ao Future-se e saiba como participar.

Essa luta está apenas começando.


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