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Sexta-feira (20) foi dia de mobilização nos campi Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Sinop e no Araguaia. Os estudantes fecharam as entradas e permaneceram organizados nas unidades durante todo o dia, reivindicando que não haja alterações na política de alimentação do Restaurante Universitário. Em nota, a instituição divulgou uma agenda de audiências públicas, nesta semana, para discutir a questão.

As manifestações estudantis demarcam a rejeição às propostas de aumento apresentadas pela Reitoria da universidade que, essencialmente, dividem os estudantes usuários do restaurante em três grupos, de acordo com a renda familiar: os isentos, os parcialmente isentos e os que pagariam a refeição de forma integral.

Num primeiro momento, a administração da UFMT apontou para o repasse quase total do valor da refeição aos estudantes pagantes, cerca de R$ 9,00, que junto ao café da manhã ultrapassaria R$ 20,00 diários. Após a reação dos estudantes, uma nova proposta foi ventilada, reajustando o valor de cada prato para algo em torno de R$ 5,00. Mesmo assim, o reajuste é considerado impensável para o movimento estudantil. Atualmente, os estudantes pagam R$ 0,25 pelo café da manhã e R$ 1,00 pelas demais refeições.

No Araguaia, os discentes chamaram a atenção para o percentual do aumento. “Quatrocentos por cento é muito maior do que o da inflação. A instituição trabalha sobre os pilares do ensino, pesquisa e extensão, mas nós precisamos da permanência para realizar essas atividades. Se nós não tivermos a permanência, a universidade não vai existir”, afirmou o vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Lucas Leonel.

Os estudantes realizaram uma pesquisa no campus e verificaram que a grande maioria dos alunos não tem renda suficiente para custear refeições diárias acima de dez reais, considerando café da manhã, almoço e janta.

O pró-reitor do campus, professor Paulo Jorge da Silva, afirmou que a demanda dos estudantes é legítima, e que até poderá levar o documento apresentado pelo movimento à Reitoria. No entanto, evitou qualquer outro tipo de comprometimento, alegando que a decisão será tomada nos espaços institucionais, os conselhos da universidade.

Em Sinop, os estudantes pretendem realizar outras manifestações nos próximos dias. “Como a reitoria está fazendo com que os alunos não tenham voz, nós convocamos assembleia geral para debater sobre o RU e, como atingimos quórum mínimo, deliberamos a paralisação geral dos estudantes até quinta-feira, e vamos continuar trancando a guarita. Porém, alguns professores estão dificultando a atuação dos acadêmicos na mobilização. Como o calendário está seguindo normalmente, já estamos com provas acumuladas para a próxima semana. Mesmo assim, iremos continuar até nos ouvirem”, afirmou a estudante do curso de Farmácia, Larissa Mendes.

Em Cuiabá não houve manifestação, mas o DCE realizou uma reunião com a base para definir a agenda de mobilizações da próxima semana.

Para a diretoria da Associação dos Docentes da UMT (Adufmat-Seção Sindical do ANDES-SN), o rompimento com a principal política de permanência estudantil demonstra que a universidade está tomando posições que colocam em risco o caráter gratuito da instituição. “Dividir os estudantes, apontando aqueles que podem ou não pagar pela refeição dá margem à lógica de que parte dos estudantes também pode pagar mensalidades para estudar. Nós já sabemos que essa é uma orientação do Banco Mundial. Da mesma forma, inserir disciplinas de empreendedorismo em todos os cursos, como a instituição tem sinalizado que pretende fazer, ameaça o formato de instituição pública, gratuita e de qualidade que, para nós, é tão valioso”, afirmou o presidente da Adufmat SSind., Reginaldo Araújo.

Edição: ANDES-SN